Mato Grosso do Sul foi apresentado como um dos principais polos brasileiros de energia renovável e proteína animal durante o painel “Brasil e Mato Grosso do Sul: Potência agroindustrial no cenário global”, realizado na 6ª edição do RCN Agro 2026. No encontro, empresários e dirigentes de entidades do setor salientaram que o estado reúne vantagens competitivas capazes de ampliar mercados, porém alertaram que o fim gradual dos incentivos fiscais até 2032 exigirá ganhos consistentes de produtividade, além de melhorias em infraestrutura e logística.
A bioenergia apareceu como um dos eixos mais promissores para o próximo ciclo de expansão. De acordo com o presidente da BioSul, Amaury Pekelman, os biocombustíveis terão demanda crescente fora das fronteiras brasileiras, impulsionados por tecnologias emergentes como o combustível sustentável de aviação. “O mercado vai se expandir além do Brasil”, pontuou, reforçando que o estado possui escala e know-how para atender a novos compradores internacionais.
Eder Lopes, CEO da Inpasa Brasil, destacou que a produção de etanol em Mato Grosso do Sul avança sem competir com a oferta de alimentos, o que, segundo ele, amplia a atratividade do investimento. “Aqui, alimento e combustível se somam”, afirmou. Para o executivo, o etanol de origem agrícola já se mostra uma solução de baixo custo, com ganhos ambientais reconhecidos, característica que deve alavancar a participação do combustível na matriz energética global.
Ao lado da bioenergia, a pecuária bovina consolidou‐se como outra âncora da economia sul-mato-grossense. Dados apresentados pelo diretor de Assuntos Estratégicos da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Júlio Ramos, indicam que o estado responde por 15% a 18% das exportações nacionais de carne bovina. O volume é processado em 24 plantas frigoríficas, cada uma responsável por aproximadamente R$ 500 milhões anuais em receitas externas.
Ramos ressaltou que a manutenção dessa participação depende de maior integração entre campo e indústria. Para ele, inteligência de mercado, diversificação de destinos e adoção de boas práticas em toda a cadeia produtiva são essenciais para evitar perdas de competitividade. “Precisamos conectar a fazenda ao consumidor final”, resumiu, referindo-se à necessidade de rastreabilidade, certificações sanitárias e atendimento a exigências específicas de cada país importador.
Embora o painel tenha enfatizado as vantagens locais, os debatedores também chamaram atenção para a proximidade do término dos atuais incentivos fiscais. Pekelman lembrou que o benefício será retirado gradualmente até 2032, cenário que exigirá maior eficiência operacional. “O dever de casa é elevar produtividade, além de investir em infraestrutura e logística”, afirmou, citando a necessidade de estradas, ferrovias e portos mais ágeis para reduzir custos de escoamento da safra e do rebanho.
Na avaliação de Jaime Verruck, que encerrou o encontro projetando a próxima década, a estratégia deverá se apoiar em três pilares: bioenergia, proteína animal e base florestal. Segundo ele, o objetivo é reposicionar Mato Grosso do Sul como “supermercado do mundo”, conceito que envolve exportar produtos com maior valor agregado em vez de apenas commodities in natura. Verruck defendeu expansão de parques industriais capazes de processar a matéria-prima local, gerando empregos e ampliando a arrecadação.
Para transformar a meta em realidade, os participantes reconheceram que será indispensável intensificar a adoção de tecnologias de precisão, investir em capacitação de mão de obra e fortalecer parcerias público-privadas. A expectativa é que essas medidas mantenham o ritmo de crescimento mesmo com a retirada dos estímulos tributários e com a concorrência de outros estados produtores.
O painel integrou a programação da 6ª edição do RCN Agro 2026, evento que reúne produtores, executivos e autoridades para discutir tendências do agronegócio. Ao final, o consenso foi que Mato Grosso do Sul dispõe de recursos naturais, escala produtiva e diversidade de culturas para seguir ampliando sua participação no mercado global, desde que se antecipe às mudanças regulatórias e garanta ganhos sustentáveis de eficiência até 2032.









