A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau) ampliou, a partir desta quinta-feira (14), a oferta da vacina contra a gripe para todas as pessoas a partir de seis meses de idade. Até então, a campanha estava restrita aos grupos considerados de maior risco. A decisão foi tomada depois de um crescimento expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e da circulação dos vírus Influenza A e B na capital sul-mato-grossense.
Dados consolidados pela Vigilância Epidemiológica até a 18ª semana epidemiológica mostram 808 ocorrências de SRAG registradas no município em 2024, com 55 óbitos associados. O número de internações disparou entre crianças de até nove anos, faixa etária que concentra 547 hospitalizações, o equivalente a 67,7 % do total. Adolescentes de 10 a 19 anos representam 46 casos, enquanto pessoas com 60 anos ou mais somam 116 internações.
Entre os pacientes hospitalizados, exames laboratoriais confirmaram 70 infecções por Influenza A e 27 por Influenza B. Desses casos, 15 evoluíram para óbito. O cenário elevou a pressão sobre os leitos pediátricos e clínicos destinados a doenças respiratórias na rede pública e privada, motivando a adoção de medidas emergenciais pela gestão municipal.
Com a ampliação, a vacina passa a ser disponibilizada em todas as Unidades de Saúde da Família (USF) de Campo Grande, sem necessidade de agendamento prévio. Para receber a dose, basta apresentar documento de identificação e, se possível, o cartão de vacinação. A Sesau orienta que pais ou responsáveis levem a carteira também das crianças para atualização de outras imunizações previstas no calendário.
O gerente de imunização da secretaria, Evandro Ramos, explicou que a proteção oferecida pela vacina contra a gripe é considerada essencial para diminuir complicações, internações e mortes durante o período de maior circulação viral. Segundo ele, ao imunizar a maior parcela possível da população, o município busca reduzir a transmissão comunitária e, consequentemente, aliviar a demanda sobre as unidades de saúde.
A vacina utilizada na rede pública segue a composição recomendada pela Organização Mundial da Saúde para o hemisfério sul em 2024, contemplando as cepas mais recentes dos vírus Influenza A (H1N1 e H3N2) e Influenza B. O imunizante pode ser administrado simultaneamente a outras vacinas do Programa Nacional de Imunizações, inclusive a dose bivalente contra a covid-19, desde que respeitadas as orientações de cada fabricante.
As salas de vacinação funcionam nos horários habituais de cada unidade. Informações sobre local e expediente podem ser consultadas nos canais oficiais da Sesau ou diretamente nas USFs. Gestantes, puérperas, idosos, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde, que já tinham prioridade, permanecem incentivados a comparecer o quanto antes, pois integram os grupos com maior risco de agravamento.
A secretaria reforça que a vacina é segura e possui perfil de eventos adversos leves, geralmente limitados a dor no local da aplicação e mal-estar temporário. Contraindicações são restritas a pessoas com histórico de reação anafilática grave a doses anteriores ou a componentes específicos do imunizante. Nessas situações, é recomendada avaliação médica individualizada.
Além da vacinação, a Sesau mantém a orientação de adotar medidas de prevenção não farmacológicas, como higienização frequente das mãos, etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar, uso de máscara em ambientes fechados quando sintomático e afastamento temporário de atividades coletivas em caso de febre ou sinais de infecção respiratória.
O Ministério da Saúde define a SRAG como condição caracterizada por febre, tosse, falta de ar ou desconforto respiratório associado a internação ou óbito. No cenário de Campo Grande, a maior parte dos episódios tem relação com vírus respiratórios, principalmente Influenza, mas outros agentes, como o vírus sincicial respiratório e o coronavírus, também são monitorados.
Profissionais de saúde alertam que, embora a gripe seja frequentemente percebida como doença leve, pode evoluir para pneumonia, agravamento de doenças crônicas e óbito, sobretudo em crianças pequenas, gestantes, idosos e imunocomprometidos. A cobertura vacinal elevada é apontada como estratégia eficaz para frear surtos e proteger coletivamente a população.
Com a liberação da imunização para todas as faixas etárias, a Sesau espera alcançar índice de cobertura próximo a 90 %, patamar considerado adequado para diminuir a circulação viral antes do pico de inverno. A secretaria lembra que a dose leva cerca de duas semanas para conferir proteção plena, reforçando a necessidade de comparecimento imediato às unidades.
Até o fechamento mais recente dos dados, as unidades de saúde da capital registraram aumento significativo na procura pela vacina desde o anúncio da ampliação. A Sesau informou que possui estoque suficiente para atender a demanda inicial e que continuará recebendo remessas do Ministério da Saúde conforme a necessidade.
A campanha segue sem prazo definido para encerramento. O município pretende reavaliar o cenário epidemiológico nas próximas semanas, levando em conta a evolução dos casos, a taxa de ocupação hospitalar e o avanço da cobertura vacinal. Enquanto isso, a orientação permanece: quem ainda não se imunizou deve procurar a unidade mais próxima o quanto antes.









