Search

Campo Grande ganha relevância logística na visão da Braspress com chegada da Rota Bioceânica

A transportadora Braspress projeta que Campo Grande poderá assumir papel estratégico no cenário nacional de distribuição a partir da implantação da Rota Bioceânica. A avaliação foi detalhada por Kiuria Nunes, gerente da filial da companhia na capital sul-mato-grossense, durante participação no Amcham Fórum e na oitava edição do RCN em Ação.

Segundo a executiva, a nova rota que ligará o Brasil aos portos do norte do Chile deve reconfigurar fluxos de cargas no Cone Sul, encurtar distâncias e reduzir custos logísticos. Nesse contexto, Campo Grande desponta como ponto de convergência, o que tende a atrair operações de transporte, centros de distribuição e serviços complementares.

Kiuria explicou que a Braspress já adaptou estrutura, frota e procedimentos internos para atender eventuais aumentos de demanda provocados pelo corredor bioceânico. A companhia, especializada no transporte de cargas fracionadas, opera com volumes de até 35 quilos por unidade e prioriza remessas pequenas que exijam rapidez e capilaridade.

Atualmente, a transportadora cobre todos os estados e municípios brasileiros. A executiva considera que essa presença nacional proporciona vantagem inicial para acompanhar o fluxo adicional previsto para Mato Grosso do Sul quando o corredor entrar em atividade plena. Para ela, a capital pode se tornar um polo logístico comparável a grandes centros consolidados do Sudeste.

Durante os painéis do Amcham Fórum, lideranças empresariais discutiram desafios, perspectivas e cases de gestão. De acordo com Kiuria, um dos exemplos mais relevantes apresentados foi o da Sing, citado como referência em cultura corporativa, planejamento e dinamismo. A gerente destacou que trocar experiências com empresas de diferentes áreas ajuda a antecipar tendências e aprimorar processos internos.

A Braspress concentra seu portfólio em cargas urgentes e de menor porte; portanto, móveis, volumes muito grandes ou lotes fechados não correspondem ao foco principal da operação. Mesmo assim, a empresa monitora o potencial de contratos ligados a cargas completas que possam surgir com a Rota Bioceânica. A intenção, segundo Kiuria, é manter proximidade desse mercado para captar oportunidades complementares.

Em Campo Grande, a filial segue um modelo padronizado utilizado em diversas unidades da transportadora. O formato inclui layout de armazéns, sistemas tecnológicos integrados e protocolos de segurança. Para a gerente, a padronização facilita a recepção de novos clientes porque garante nível de serviço uniforme em todo o país.

A empresa reforça que já dispõe de caminhões e estrutura física compatíveis com aumentos de volume. Além disso, os mesmos processos operacionais adotados nas grandes praças são replicados na capital sul-mato-grossense, o que, na avaliação de Kiuria, assegura eficiência desde o início do crescimento esperado.

O encontro promovido pela Amcham contou com empresários de vários segmentos que discutiram cenários econômicos e soluções práticas para o ambiente atual de negócios. Para a representante da Braspress, espaços desse tipo favorecem networking, permitem identificar desafios comuns e estimulem a criação de estratégias conjuntas para superar gargalos logísticos.

Kiuria também elogiou o modelo do estúdio móvel RCNmob, que realizou entrevistas no local do evento. Na opinião dela, o formato aproxima informação, jornalismo e cotidiano empresarial, além de facilitar divulgação de iniciativas voltadas ao desenvolvimento regional.

A possibilidade de usar a Rota Bioceânica como alternativa de escoamento para o Pacífico tem despertado interesse de empresas de transporte, indústrias exportadoras e operadores de comércio exterior. O corredor prevê ligação rodoviária entre Mato Grosso do Sul, Paraguai, norte da Argentina e portos chilenos, encurtando em milhares de quilômetros a viagem até mercados asiáticos.

Para a Braspress, estar posicionada com antecedência aumenta a competitividade quando o tráfego se intensificar. A companhia afirma ter infraestrutura suficiente para absorver picos de demanda e dobrar a movimentação em Campo Grande, caso necessário, sem comprometer prazos de entrega.

Outro ponto ressaltado por Kiuria foi a importância de fortalecer negócios regionais em meio a um cenário macroeconômico desafiador. Ela acredita que, ao compartilhar experiências, empresas podem adaptar modelos de gestão e ampliar resiliência diante de mudanças rápidas no mercado.

Embora o serviço de coleta e entrega porta a porta seja o principal diferencial da Braspress, a gerente observa que a abertura de novos corredores estimula investimentos adicionais em tecnologia, rastreamento e automação. Na visão dela, a combinação de infraestrutura física com sistemas digitais robustos será decisiva para manter níveis de serviço exigidos pelos clientes.

Além do transporte, a expansão projetada para Campo Grande pode atrair negócios de armazenagem, consolidação de cargas e serviços aduaneiros, criando um ecossistema logístico diversificado. A posição geográfica da cidade, somada à conexão direta com países vizinhos, reforça o potencial de se converter em plataforma de distribuição regional.

Ao final das apresentações, a mensagem predominante entre os participantes foi de preparação. Empresas que estruturarem processos, treinarem equipes e adotarem tecnologias agora tendem a usufruir vantagem competitiva assim que a Rota Bioceânica iniciar operações regulares.

A Braspress, com presença consolidada no mercado doméstico, pretende aproveitar esse movimento para ampliar participação no Centro-Oeste. A expectativa é que, com o novo corredor consolidado, a capital sul-mato-grossense atraia maior volume de encomendas, impulsionando receitas e estimulando novos investimentos em logística integrada.

Isso vai fechar em 35 segundos