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Campo Grande adota vigilância em tempo integral para coibir descarte de lixo em área crítica do Jardim das Hortênsias

Uma área que há anos sofre com o despejo irregular de resíduos no Jardim das Hortênsias, em Campo Grande, passou a contar com monitoramento eletrônico 24 horas. O espaço, situado entre as ruas Gerbera, Prímula e Tumbergia, é considerado um dos pontos mais problemáticos da capital sul-mato-grossense e já exigiu sucessivas intervenções de limpeza ao longo de 2023. A instalação de câmeras e a presença permanente da Guarda Civil Metropolitana (GCM) marcam o início de uma ação mais rigorosa contra infratores e buscam reduzir custos públicos destinados a remoções frequentes de entulho e lixo doméstico.

Segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), o endereço recebe em média cinco operações de limpeza por ano. Em cada mutirão, são retirados de 50 a 60 caminhões de resíduos, grande parte composta por material de construção, poda de árvores e lixo domiciliar. O volume, além de sobrecarregar equipes e maquinário, representa gasto adicional que poderia ser empregado em outros serviços urbanos, conforme avaliação da pasta.

Como funciona o novo sistema de vigilância

Três câmeras já foram instaladas no entorno do terreno. As imagens são acompanhadas em tempo real pelo serviço de inteligência da GCM, que organiza plantões em regime de escala para manter equipes no local. A Patrulha Ambiental, braço especializado da corporação, também foi destacada para reforçar a fiscalização. O objetivo é flagrar qualquer tentativa de descarte fora dos horários e locais autorizados e encaminhar os responsáveis às sanções previstas em lei.

Além da presença ostensiva, a administração municipal trabalha com a possibilidade de autuações baseadas em evidências coletadas pelas câmeras. Dessa forma, cidadãos que despejarem entulho poderão ser multados mesmo sem abordagem presencial, caso as imagens identifiquem placa de veículo ou características do infrator. A gestão municipal considera que a possibilidade de responsabilização direta tende a reduzir a reincidência.

Projetos de revitalização para uso comunitário

Paralelamente à vigilância, a Prefeitura anunciou a implantação de uma horta comunitária no terreno. A proposta visa transformar a área, hoje marcada por acúmulo de resíduos, em espaço de convivência e produção agrícola de pequeno porte. Secretários de diferentes pastas se reuniram para definir etapas de implantação, cuidados com o solo e envolvimento dos moradores locais. A expectativa é que a presença constante da comunidade iniba o abandono de lixo e estimule a preservação do entorno.

Outra iniciativa em análise é a cessão legal do espaço à Associação de Moradores para construção de um centro comunitário. A viabilidade jurídica da transferência está sendo estudada pela Procuradoria-Geral do Município. Caso o projeto avance, a estrutura poderá abrigar atividades culturais, eventos de capacitação e serviços de apoio social, reforçando a ocupação regular da área.

Custos e impactos do descarte irregular

De acordo com o secretário municipal de Infraestrutura, Marcelo Miglioli, cada operação de limpeza consome recursos significativos em logística, combustível e mão de obra. Ele avalia que a persistência do problema prejudica a qualidade de vida dos moradores, amplia riscos à saúde pública e desvia verbas que poderiam ser direcionadas a obras de pavimentação, manutenção de praças ou ampliação de serviços essenciais.

A prefeita Adriane Lopes salientou que o poder público seguirá promovendo limpeza e fiscalização, mas reforçou a necessidade de engajamento dos moradores. Segundo ela, o êxito da iniciativa depende de mudança de comportamento da população, sobretudo no descarte adequado de resíduos que já contam com coleta regular no bairro.

Expansão da fiscalização na capital

O trabalho no Jardim das Hortênsias faz parte de um plano mais amplo de intensificação da fiscalização em Campo Grande. Levantamento da Prefeitura identificou aproximadamente 400 pontos de descarte irregular na cidade, dos quais 60 são considerados críticos. A experiência do novo monitoramento servirá de modelo para replicação em outras localidades com alto índice de infrações.

Moradores podem denunciar ações de despejo clandestino pelo número 153, canal direto da Guarda Civil Metropolitana. As informações repassadas são verificadas por equipes de campo e pelo núcleo de inteligência, que cruza dados, define rotas de patrulhamento e planeja futuras instalações de equipamentos de vigilância.

Próximos passos

Com a vigilância já em operação, a Prefeitura acompanhará a evolução dos indicadores de descarte no Jardim das Hortênsias. Relatórios periódicos vão comparar a frequência de novos depósitos de resíduos antes e depois da instalação das câmeras. Caso o índice apresente queda significativa, a administração considera ampliar o sistema para bairros como Aero Rancho, Moreninhas e Nova Lima, onde a demanda por intervenção é semelhante.

A expectativa da gestão municipal é de que a combinação entre fiscalização tecnológica, presença ostensiva de agentes e requalificação do espaço transforme a área hoje degradada em ambiente de produção comunitária e lazer seguro. Enquanto isso, o poder público mantém o apelo à população para uso correto dos serviços de coleta e disposição final de resíduos, medida considerada essencial para a sustentabilidade das ações em curso.