Search

Cesta básica sobe para R$ 826,89 em Campo Grande e já consome 55% do salário mínimo

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgados na última segunda-feira (11), indicam novo avanço no custo dos alimentos essenciais em Campo Grande. Em abril, o valor da cesta básica na capital sul-mato-grossense alcançou R$ 826,89, alta de 2,6 % em relação a março. Com esse resultado, a cidade passou a ocupar a quinta posição entre as capitais com as cestas mais caras do país, atrás apenas de São Paulo, Florianópolis, Rio de Janeiro e Cuiabá.

O levantamento mostra que, no acumulado dos últimos 12 meses, a cesta básica em Campo Grande ficou 2,71 % mais cara. Considerando os quatro primeiros meses de 2026, o avanço chega a 6,57 %. O ritmo de aumento deixa o poder de compra dos trabalhadores pressionado e reforça a tendência de encarecimento do custo de vida na região.

Produtos que mais influenciaram a alta

Entre os itens monitorados, a batata exerceu a maior influência sobre o resultado geral, com elevação de 19,57 % em abril. Na sequência aparecem o tomate, que subiu 11,89 %, e o leite integral, com acréscimo de 8,78 %. Também registraram aumento de preço produtos de consumo diário, como óleo de soja, feijão carioca, arroz, manteiga, carne bovina, café e pão francês, contribuindo para o encarecimento médio da cesta.

Por outro lado, poucos produtos apresentaram recuo. Açúcar cristal, banana e farinha de trigo tiveram redução no período, atenuando parcialmente o avanço geral, mas sem impedir que o conjunto final de itens pesasse mais no orçamento das famílias campo-grandenses.

Impacto no salário mínimo

Segundo o Dieese, o trabalhador remunerado com um salário mínimo precisou destinar 112 horas e 13 minutos de sua jornada para comprar a cesta básica em abril. Isso equivale a 55,15 % do rendimento líquido mensal, considerando os descontos obrigatórios. Na prática, mais da metade da renda mínima foi comprometida apenas para garantir a alimentação essencial, deixando margem reduzida para outras despesas, como moradia, transporte, saúde e educação.

Os dados reforçam a importância de acompanhar a variação de preços dos gêneros de primeira necessidade, já que a cesta básica funciona como parâmetro para o cálculo do salário mínimo necessário e para a medição indireta do poder aquisitivo das famílias de baixa renda. Quando os alimentos sobem em ritmo superior à remuneração, a parcela da população que depende do piso salarial sente imediatamente a redução do poder de compra.

Comparação com outras capitais

O fato de Campo Grande ocupar a quinta posição no ranking nacional sinaliza que a alta não foi isolada, mas o ritmo local superou o de diversas outras capitais monitoradas. São Paulo permanece na liderança entre as cestas mais caras, seguida por Florianópolis, Rio de Janeiro e Cuiabá. A presença da capital sul-mato-grossense nesse grupo pressiona o orçamento doméstico regional e indica tendência de encarecimento nos centros urbanos do Centro-Oeste.

Analisando a evolução percentual no ano, a elevação de 6,57 % de janeiro a abril de 2026 supera a inflação oficial acumulada no mesmo período, sinalizando perda real de poder de compra para quem depende de salários corrigidos apenas pelo índice geral de preços. Além disso, o comportamento de produtos in natura, como batata e tomate, sugere influência de fatores sazonais e de oferta, o que pode manter a volatilidade nos próximos meses.

Consequências para o custo de vida

Com mais da metade do salário mínimo comprometido com alimentação, outras áreas do orçamento ficam pressionadas. Famílias que não conseguem ajustar gastos ou aumentar a renda tendem a reduzir consumo, buscar alternativas de marcas ou produtos mais baratos e, em casos extremos, recorrer a empréstimos ou atrasar pagamentos de serviços essenciais. Esse cenário pode repercutir no comércio local e na demanda por políticas de apoio às camadas mais vulneráveis da população.

O Dieese continuará monitorando mensalmente os preços dos 13 produtos que compõem a cesta básica. Acompanhar esses indicadores é fundamental para avaliar a necessidade de ajustes no salário mínimo nacional e para formular políticas públicas voltadas à segurança alimentar e à proteção do poder de compra dos trabalhadores. Enquanto isso, consumidores em Campo Grande seguem atentos às variações de preços e às estratégias para equilibrar o orçamento diante do custo crescente dos alimentos.

Isso vai fechar em 35 segundos