Três Lagoas, a terceira maior cidade de Mato Grosso do Sul, enfrenta um problema que vai além da aparência das ruas: o descarte irregular de lixo continua a crescer apesar da estrutura municipal de limpeza urbana. A situação tem gerado custos adicionais ao erário, favorecido a proliferação de vetores de doenças e prejudicado a conservação dos espaços públicos, afetando diretamente a qualidade de vida dos habitantes.
A prefeitura mantém coleta de resíduos, varrição de vias, contêineres espalhados pelos bairros e pontos específicos para materiais volumosos. Além disso, investe em fiscalização, campanhas educativas e na manutenção de calçadas e terrenos baldios, buscando garantir que a cidade se mantenha organizada e segura.
Entretanto, sofás, móveis antigos, entulhos e outros tipos de resíduos ainda são abandonados em calçadas, praças e terrenos desocupados. Esse abandono gera um ciclo de retrabalho: equipes de limpeza removem o lixo, mas pouco tempo depois o mesmo local volta a acumular detritos, ampliando o prejuízo coletivo e desviando recursos que poderiam ser aplicados em outras áreas essenciais.
Descarte irregular
Em resposta ao quadro, a Câmara Municipal está analisando um projeto de lei que cria o programa “Cidade Limpa Premiada”. A proposta prevê recompensar cidadãos que denunciem, com fotos ou vídeos, o descarte irregular, assegurando o sigilo da identidade dos denunciantes. A iniciativa pretende ampliar os instrumentos de fiscalização, desde que sejam estabelecidos canais de denúncia acessíveis e regras claras para a apuração das informações.
Especialistas alertam que a premiação, isolada, não resolve o problema. É preciso que a medida seja acompanhada por uma aplicação rigorosa das penalidades previstas, orientação sobre o descarte correto de cada tipo de material e, sobretudo, por campanhas que mudem o comportamento da população. O poder público continua responsável por manter a coleta regular, disponibilizar locais adequados para resíduos volumosos e garantir a fiscalização efetiva.
O próximo passo está nas discussões da Câmara, que deverão definir detalhes como o valor da recompensa, os critérios de elegibilidade e os procedimentos de verificação das denúncias. Enquanto o projeto não for aprovado, a cidade segue dependendo da cooperação entre autoridades e moradores para impedir que novos depósitos clandestinos apareçam nas vias públicas. A mudança de atitude, aliada a políticas de fiscalização consistentes, é o caminho apontado para que Três Lagoas preserve sua imagem perante investidores, turistas e seus próprios cidadãos.







