Dois jovens foram considerados culpados pelo latrocínio que vitimou o padre Alexsandro da Silva Lima, de 44 anos, em Dourados, sul de Mato Grosso do Sul. A sentença foi proferida na última sexta-feira (24) pela 2ª Vara Criminal da cidade e estipulou penas distintas para os réus, conforme a participação de cada um no crime ocorrido em novembro de 2023.
Condenações definidas pela Justiça
Leanderson de Oliveira Júnior, apontado como autor principal, recebeu pena de 22 anos, seis meses e 40 dias de reclusão em regime inicial fechado. Ele foi condenado por latrocínio — roubo seguido de morte —, fraude processual, ocultação de cadáver e corrupção de menores. Já João Victor Martins Vieira foi sentenciado a quatro anos, seis meses e 40 dias, em regime inicial aberto, pelos crimes de furto qualificado pelo concurso de pessoas, fraude processual e ocultação de cadáver.
Ambos já estavam presos preventivamente na Penitenciária Estadual de Dourados (PED) desde a época das investigações. A decisão do juiz Marcelo da Silva Cassavara manteve Leanderson detido e determinou que João Victor cumpra a pena em liberdade monitorada, por se tratar de regime aberto.
Dinâmica do crime
O padre Alexsandro desapareceu em 14 de novembro de 2023 após deslocar-se de Douradina, onde exercia o sacerdócio, para compromissos religiosos em Dourados. O corpo foi localizado no dia seguinte, em área de matagal no Distrito Industrial, enrolado em um tapete. Laudo pericial indicou que a morte ocorreu na residência da vítima, no bairro Vival dos Ipês, mediante golpes de martelo e facadas.
Conforme a investigação conduzida pela Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos (DRP/Dourados), Leanderson e João Victor planejaram roubar o veículo Jeep Renegade do religioso para vendê-lo no Paraguai. Um dos envolvidos também pretendia ficar com o celular da vítima e, posteriormente, ocupar o imóvel. O latrocínio foi executado dentro da casa, onde o padre teria sido surpreendido, agredido e morto.
Participação de outros jovens
Além dos dois condenados, outros três adolescentes participaram de ações posteriores ao homicídio, segundo a polícia. Eles auxiliaram na limpeza do local, na retirada de vestígios e no transporte do corpo até o matagal. Objetos subtraídos da residência foram recuperados durante diligências. Por se tratarem de menores de idade, os procedimentos em relação a eles tramitaram separadamente na Vara da Infância e Juventude.
Investigação e prisões em flagrante
O desaparecimento do padre foi comunicado à Polícia Civil por membros da Diocese de Dourados na madrugada de 15 de novembro. No mesmo dia, uma funcionária de limpeza encontrou o imóvel da vítima aberto e revirado, o que reforçou suspeitas de crime. Paralelamente, familiares receberam ligação de um jovem que havia localizado o celular do padre em um matagal nas proximidades do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS).
Ao chegar ao endereço indicado, investigadores foram informados de que um Jeep Renegade circulava pelo local em busca do telefone. O veículo, reconhecido como pertencente ao religioso, foi localizado pouco depois com quatro ocupantes: dois adultos — Leanderson e João Victor — e duas adolescentes. Durante abordagem, Leanderson confessou que havia participado do roubo e matado o padre. Os demais alegaram não saber da procedência ilícita do automóvel.

Imagem: Divulgação
Na sequência, a perícia identificou manchas de sangue, roupas sujas e ferramentas possivelmente utilizadas no crime dentro da casa. No interior do carro, foram apreendidos uma marreta e uma faca com vestígios de sangue. Conduzidos à delegacia, Leanderson e um adolescente de 17 anos indicaram o local onde o corpo estava escondido, permitindo que a polícia realizasse a remoção e os exames periciais.
Elementos que sustentaram a condenação
Relatórios periciais, depoimentos dos cinco jovens detidos e recuperação de pertences confirmaram a sequência dos fatos apontados pelo Ministério Público. O conjunto das provas demonstrou que Leanderson participou ativamente de todas as etapas: planejamento, execução do crime, ocultação do cadáver e tentativa de desfazer rastros. João Victor, por sua vez, foi responsabilizado por furtar bens, ajudar na ocultação do corpo e colaborar com a adulteração da cena.
A sentença considerou agravantes como o emprego de violência, a finalidade de lucro e a tentativa de ocultar a autoria. No caso de Leanderson, a corrupção de menores foi reconhecida pelo envolvimento direto de adolescentes no delito. Já João Victor recebeu pena menor por não ter sido considerado executor direto do homicídio.
Próximos passos
Com a condenação em primeira instância, as defesas poderão recorrer ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Enquanto isso, Leanderson permanece na Penitenciária Estadual de Dourados. João Victor cumprirá a sanção em regime aberto, devendo atender a condições definidas pela Justiça, como comparecimento periódico em juízo e proibição de contato com os demais envolvidos.
O caso mobilizou a comunidade religiosa local e encerra, na esfera criminal, a fase de julgamento dos dois acusados considerados maiores de idade à época dos fatos. Os processos referentes aos adolescentes seguem sob sigilo.









