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Embrapa lança braquiária híbrida BRS Carinás com até 18% mais forragem

Sânzio Carvalho nos estúdios da Massa FM Campo Grande - Foto: Ana Lorena Franco

A Embrapa Gado de Corte lançou a BRS Carinás, primeira cultivar híbrida de Brachiaria decumbens, que apresenta até 18% mais produção de forragem total que a cultivar Basilisk, segundo testes realizados em Planaltina (DF) e no oeste da Bahia. As sementes já podem ser plantadas a partir de novembro de 2026 em cerca de 80 mil hectares.

Em entrevista ao programa Agro é Massa, da Rádio Massa FM Campo Grande, o pesquisador Sânzio Carvalho Lima Barrios explicou que a nova cultivar não substitui a Basilisk, mas amplia as opções para o produtor, sobretudo em sistemas que buscam maior produção de carne por hectare.

Desenvolvida ao longo de aproximadamente 15 anos, a BRS Carinás mantém a rusticidade típica da Brachiaria decumbens e apresenta porte mais alto, folhas mais compridas e largas. O material foi criado em parceria entre a Embrapa e a Unipasto.

Nos experimentos de três anos em Planaltina, a BRS Carinás registrou 18% a mais de forragem total na média anual e, no período de chuvas, até 32% mais folhas, o que favorece a alimentação dos animais e amplia a capacidade de suporte das pastagens.

No oeste da Bahia, em solo arenoso com precipitação média de 600 mm ao ano, a cultivar produziu 11% mais forragem que a Basilisk, indicando potencial de adaptação a condições de menor disponibilidade hídrica.

Em termos nutricionais, a BRS Carinás apresentou cerca de 1 ponto percentual a mais de proteína bruta que a braquiarinha. Essa combinação de maior oferta de folhas e qualidade nutricional resultou em ganho de peso por área 12% superior ao observado com a Basilisk.

Segundo Sânzio, o desempenho está ligado à necessidade de tornar a pecuária mais eficiente diante do aumento do custo da terra e da competição por áreas com outras atividades agrícolas. “A gente consegue produzir mais carne na mesma área. Isso é superimportante porque, do ponto de vista ambiental, a gente consegue ser mais eficiente também do ponto de vista econômico”, afirmou.

O desenvolvimento da cultivar envolveu pesquisas em melhoramento genético, entomologia, fitopatologia, solos, sementes, biotecnologia e resistência a diferentes condições ambientais. A parceria com a Unipasto, que reúne mais de 30 empresas produtoras de sementes, garante a comercialização da BRS Carinás.

A produção de sementes foi planejada para atender à demanda inicial, permitindo o plantio em aproximadamente 80 mil hectares a partir de novembro de 2026. A tecnologia pode ser adotada tanto em sistemas de pecuária solteira quanto em integrações lavoura‑pecuária (ILP).

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