A exoneração de Rudi Fiorese do cargo de diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) foi oficializada nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, no Diário Oficial do Estado de Mato Grosso do Sul. O ato administrativo, registrado no Decreto P nº 503 e assinado pelo governador Eduardo Riedel, produz efeitos desde 12 de maio, mesma data em que Fiorese foi preso durante a operação Buraco Sem Fim.
Deflagrada na terça-feira, 12, a operação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Unidade de Apoio à Investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público. O alvo central é um suposto esquema de fraudes em contratos de manutenção de vias pavimentadas e serviços de tapa-buracos em Campo Grande.
Segundo o MPMS, servidores públicos e representantes de uma empresa contratada são suspeitos de manipular medições de obras para liberar pagamentos por serviços que teriam sido executados de forma parcial ou sequer realizados. A investigação examina contratos firmados entre 2018 e 2025, período em que os valores empenhados, somados a aditivos, chegam a R$ 113,7 milhões.
Fiorese entrou no foco dos promotores por ter comandado a Secretaria Municipal de Obras de Campo Grande de 2017 a 2023, fase à qual se referem os documentos analisados. Embora o decreto publicado hoje trate apenas da exoneração na esfera estadual, o histórico do ex-secretário municipal é considerado peça relevante na apuração que envolve repasses de recursos públicos e supostas irregularidades na execução dos serviços de manutenção viária.
Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores apreenderam R$ 429 mil em espécie em imóveis ligados aos investigados. No total, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão, todos cumpridos na capital sul-mato-grossense.
A detenção de Fiorese e de outros suspeitos levou o governo estadual a agir rapidamente. O decreto que o retira da chefia da Agesul destaca que a medida passa a valer retroativamente ao dia 12, data da prisão, e não faz menção a substituto ou a eventual designação interina para a autarquia. A Agesul é responsável por licitar, fiscalizar e acompanhar obras públicas estaduais, função considerada estratégica para a execução de políticas de infraestrutura.
Paralelamente, a Prefeitura de Campo Grande informou, ainda na terça-feira, que os servidores municipais atingidos pela investigação seriam exonerados de suas funções para permitir a apresentação de defesa sem interferência na administração. Em nota, o Executivo municipal acrescentou que acompanha os desdobramentos da operação e adotará providências administrativas para impedir prejuízos na continuidade dos serviços de manutenção das vias urbanas.
Até o momento, o MPMS não divulgou detalhes sobre possíveis novas fases da operação ou sobre a identidade de todos os presos. Também não foi informado se os investigados permanecem detidos ou se algum pedido de revogação de prisão foi apresentado pelas defesas. A apuração se concentra na verificação de sobrepreço, pagamentos sem respaldo técnico e falsificação de relatórios de execução das obras.
Embora o suposto esquema tenha origem em contratos municipais, o alcance da operação envolve a esfera estadual em razão dos cargos atualmente ocupados por alguns investigados. A exoneração de Fiorese sinaliza que o governo estadual busca se desvincular de eventuais irregularidades e preservar a continuidade administrativa da Agesul, órgão que gerencia obras de rodovias, pontes e edificações públicas em todo o território sul-mato-grossense.
O Ministério Público afirma que investigações preliminares indicam a utilização de medições fraudulentas para justificar a liberação de recursos a título de serviços de recapeamento e tapa-buracos que, em parte dos casos, não teriam sido executados ou foram realizados em extensão inferior à contratada. A prática, segundo os promotores, teria permitido o desvio de verba pública destinada à conservação da malha viária de Campo Grande.
Com a exoneração tornada pública, o governo estadual aguarda a nomeação de um novo diretor-presidente para a Agesul. Enquanto isso, as investigações continuam e os relatórios apreendidos serão submetidos a perícia técnica para comparar as medições pagas com imagens de satélite, laudos de engenharia e registros fotográficos. O objetivo é quantificar o dano ao erário e individualizar responsabilidades criminais e administrativas.
Até a conclusão dos trabalhos, os contratos sob suspeita permanecem em análise, e tanto o Estado quanto o município mantêm equipes de fiscalização em campo para assegurar a prestação dos serviços de manutenção viária. O MPMS, por sua vez, não descarta novas diligências, caso surjam elementos que indiquem a participação de outros agentes públicos ou privados no esquema investigado.









