Mato Grosso do Sul manteve a trajetória de expansão no comércio exterior nos quatro primeiros meses do ano. Entre janeiro e abril, as vendas internacionais do Estado atingiram US$ 3,61 bilhões, resultado 6,26% superior ao observado no mesmo intervalo de 2025. Os dados constam da mais recente Carta de Conjuntura do Setor Externo elaborada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
No mesmo período, o valor importado totalizou US$ 884,0 milhões, o que levou o superávit da balança comercial sul-mato-grossense a US$ 2,72 bilhões. O excedente é 7,91% maior que o verificado no ano anterior e reforça a relevância do agronegócio e da indústria de transformação na geração de divisas para a economia estadual.
Volume embarcado cresce 16,61%
Além do avanço em faturamento, houve aumento expressivo no volume físico exportado. De janeiro a abril, partiram dos municípios do Estado 9,67 milhões de toneladas de produtos, alta de 16,61% em relação ao mesmo quadrimestre do ano passado. O desempenho reflete a combinação de maior produção agropecuária, ampliação de capacidade industrial e fluxo logístico regular pelos principais corredores de escoamento.
Soja permanece líder; celulose e carne bovina ganham espaço
A soja se manteve como principal item da pauta exportadora sul-mato-grossense, representando 32% do valor total comercializado fora do país. A celulose ocupou a segunda posição, com 26%, enquanto a carne bovina respondeu por 19% das receitas externas. Juntos, os três produtos concentraram 77% do total vendido ao exterior no quadrimestre.
O levantamento da Semadesc indica também crescimento consistente da agropecuária tanto em preço médio quanto em quantidade enviada aos mercados externos. No caso da indústria de transformação, a expansão foi mais moderada, porém suficiente para sustentar participação relevante no resultado global.
China compra quase metade das exportações
Na distribuição geográfica dos destinos, a China permaneceu como o maior comprador dos produtos originários de Mato Grosso do Sul. O mercado chinês absorveu 48,29% de tudo que o Estado exportou entre janeiro e abril. Estados Unidos e Países Baixos vieram na sequência, consolidando o interesse de parceiros tradicionais no complexo soja-celulose-proteína animal.
Três Lagoas lidera ranking municipal
Entre os municípios, Três Lagoas figurou novamente na primeira colocação, impulsionada pelo polo de celulose instalado no seu território. Ribas do Rio Pardo ocupou o segundo posto, seguido por Dourados. A capital, Campo Grande, apareceu logo na sequência, evidenciando a distribuição regional do dinamismo exportador.
Portos de Paranaguá e Santos concentram escoamento
A maior parte das cargas sul-mato-grossenses cruzou fronteiras pelos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP). Os dois terminais seguem como principais opções logísticas para a saída da produção estadual, especialmente grãos, celulose e carnes, devido à infraestrutura já consolidada e às rotas marítimas disponíveis.
O desempenho positivo registrado no primeiro terço do ano reforça a importância estratégica do agronegócio e da cadeia florestal-industrial para a economia de Mato Grosso do Sul. Com a soja na liderança do faturamento, a celulose expandindo participação e a carne bovina mantendo demanda aquecida, o Estado sustenta superávit comercial robusto e amplia sua inserção nos mercados internacionais.
A carta da Semadesc destaca que o prosseguimento desse movimento dependerá da manutenção da competitividade nas lavouras e na indústria, além da continuidade de investimentos em logística para reduzir custos de transporte e assegurar cumprimento de contratos. Por ora, os números confirmam a tendência de crescimento observada nos anos recentes e indicam mais um ciclo favorável para o comércio exterior sul-mato-grossense.









