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Flávio Bolsonaro inicia segundo turno como favorito; Lula depende dos indecisos

Flávio Bolsonaro e Lula disputam segundo turno presidencial com vantagem para o senador.. Foto: Gerada por IA | Adriano Hany

O segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, começa com vantagem matemática para o senador Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, ele recebeu 56.104.503 votos, correspondentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 53.879.538 votos, ou 45,16%. A diferença entre os dois candidatos foi de 2.224.965 votos, o que equivale a 1,87 ponto percentual.

Os demais dez candidatos que participaram da disputa somaram 9.316.747 votos, representando 7,81% do total válido. A reportagem do RCN67 simulou a provável migração desses eleitores para o segundo turno, usando como base o perfil político de cada candidato, seus discursos de campanha e os apoios anunciados. Em todos os cenários testados, Flávio Bolsonaro amplia a vantagem inicial, embora a decisão final dependa também da participação dos eleitores que ainda não escolheram candidato.

Augusto Cury, do Avante, ficou em terceiro lugar com 3.448.569 votos (2,89%). O escritor e candidato fez campanha contra a polarização e, em setembro, afirmou que não apoiaria Lula em hipótese alguma. Condicionou um eventual apoio a Flávio à explicação sobre o uso de recursos de Daniel Vorcaro, ex‑dono do Banco Master, no filme “Dark Horse”, e ao compromisso de assinar em cartório a execução do plano de governo de Cury, dizendo: “Ele tem que provar que não tem corrupção”. No dia seguinte, voltou a declarar que não havia condição de apoiar nenhum dos dois, citando o histórico dos candidatos. A simulação atribui a Cury 40% de seus eleitores para Flávio, 30% para Lula e 30% para voto em branco, nulo ou abstenção.

Renan Santos, do Missão, recebeu 2.675.887 votos (2,24%). O candidato disputou o eleitorado conservador como alternativa a Flávio e recusou apoio ao senador, alegando: “Não consigo me misturar com essa gente”. Após o primeiro turno, afirmou que “não há direita no Brasil sem Bolsonaro”. A estimativa da simulação indica que 55% dos eleitores de Renan podem migrar para Flávio, 10% para Lula e 35% permanecerão em branco, nulo ou se absterão.

Voto dos derrotados

Ronaldo Caiado, ex‑governador de Goiás e candidato do PSD, anunciou apoio a Flávio na terça‑feira, 6 de outubro. O partido, porém, manteve-se neutro, liberando os filiados para decidir. A projeção atribui 70% dos votos de Caiado a Flávio, 10% a Lula e 20% a branco, nulo ou abstenção. Romeu Zema, do Novo, declarou apoio ao senador; a simulação coloca 75% de seus 326.488 eleitores (0,27% do total) ao lado de Flávio e apenas 5% a Lula. Entre os menores partidos, candidatos de esquerda (UP, PSTU, PCB e PCO) somaram 203.731 votos, com estimativa de cerca de 75% desses eleitores para Lula. Já os candidatos de perfil conservador, DC e Democrata, totalizaram 56.924 votos, com projeção de 60% para Flávio.

No cenário central da simulação, Flávio receberia aproximadamente 4,9 milhões de votos dos candidatos derrotados, enquanto Lula ganharia cerca de 1,7 milhão. Os demais 2,6 milhões de eleitores seriam distribuídos entre voto em branco, nulo ou abstenção. O placar ficaria em 52,3% a 47,7% dos válidos a favor de Flávio, garantindo-lhe uma vantagem de 5,4 milhões de votos. No cenário mais favorável a Lula, o senador ainda venceria, mas com 51,4% a 48,6% dos votos. No cenário mais favorável a Flávio, a diferença poderia chegar a 53% a 47%.

Desafios de Lula

Para que Flávio mantenha a liderança, a reportagem destaca cinco frentes críticas. Primeiro, ele não pode perder seu próprio eleitorado; cada ponto percentual que migra para Lula representa cerca de 561 mil votos, dobrando o impacto na diferença final. Uma perda de 2% já anularia toda a vantagem do primeiro turno, e 5% a eliminaria no cenário central. Segundo, a mobilização da base é essencial: a abstenção pesa igualmente para os dois candidatos, e um comparecimento menor da própria base pode reduzir a margem.

Terceiro, a conquista dos eleitores de Augusto Cury é decisiva, pois esse bloco é o maior em disputa e ainda não tem apoio formal a nenhum dos finalistas. Mesmo que Lula capture 40% desses eleitores, Flávio ainda ficaria à frente, mas a vantagem seria reduzida. Quarto, Flávio precisa evitar a rejeição dos eleitores de Renan Santos; embora esse eleitorado seja antipetista, parte dele também rejeita o bolsonarismo, podendo transformar-se em voto nulo ou abstenção. Por fim, transformar os apoios anunciados em votos efetivos é crucial. Flávio conta com o apoio de Ronaldo Caiado, Romeu Zema, a federação PP‑União Brasil e governadores reeleitos de São Paulo (Tarcísio de Freitas, Republicanos) e de Goiás (Daniel Vilela, MDB). O PSD permanece neutro, deixando espaço para novos acordos nos diretórios estaduais.

Lula, por sua vez, depende principalmente dos eleitores que não escolheram nenhum candidato no primeiro turno. Foram 33,5 milhões de abstenções, equivalentes a 21,1% do eleitorado, além de cerca de 5,6 milhões de votos brancos e nulos. Segundo a simulação central, o presidente precisaria levar às urnas de 4 a 5 milhões de eleitores a mais que Flávio para inverter a vantagem inicial. Também seria necessário ganhar com folga o eleitorado de Cury. A campanha de Lula já mobiliza aliados para reforçar a presença nas ruas e nas rádios, buscando reduzir a taxa de abstenção e captar os eleitores indecisos.

O histórico recente recomenda cautela. Em 2022, Lula venceu o primeiro turno com 48,43% contra 43,20% de Jair Bolsonaro, mas no segundo turno a diferença caiu de mais de cinco pontos para menos de dois, resultando em 50,90% a 49,10%. As pesquisas eleitorais também apresentaram erros: na véspera do primeiro turno de 2024, apenas um dos seis institutos que divulgaram levantamentos (Gerp) mostrava Flávio à frente, enquanto a maioria subestimou o senador em 2 a 5 pontos.

Em síntese, a aritmética do primeiro turno coloca Flávio Bolsonaro como favorito no segundo turno, com uma vantagem de quase 2,3 milhões de votos. A migração dos eleitores dos candidatos derrotados está concentrada no centro e na direita, e os apoios de Caiado e Zema já foram formalizados. Contudo, a vantagem depende menos da conquista de novos eleitores e mais da capacidade de Flávio de manter sua base de 56 milhões de eleitores e de mobilizá‑la até o dia da votação. Lula só poderá virar o jogo se ampliar significativamente o comparecimento de seus apoiadores e conquistar o eleitorado de Augusto Cury.

Com a data da eleição marcada para 25 de outubro, os próximos dias serão decisivos para as duas campanhas. A disputa deverá se definir pela fidelidade dos eleitores já engajados e pela eficácia das estratégias de mobilização, mais do que pela simples troca de apoios entre partidos. Observadores políticos recomendam atenção ao número de eleitores que ainda permanecem indecisos ou ausentes, pois eles podem ser o fator determinante para o resultado final.

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