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Força-tarefa contra chikungunya avança e chega ao Grande Santa Maria em Dourados

A operação emergencial organizada pela Prefeitura de Dourados para conter a transmissão da chikungunya iniciou nesta terça-feira (14) uma nova etapa na região do Grande Santa Maria. A mobilização amplia o raio de atuação das equipes formadas por agentes de endemias, servidores do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e profissionais de outras secretarias municipais, que desde o mês passado percorrem bairros estratégicos para eliminar focos do Aedes aegypti.

Segundo a coordenadora do CCZ, Priscila da Silva, apesar do cenário de epidemia, grande parte da população ainda mantém condições favoráveis à proliferação do mosquito. “Encontramos terrenos com lixo, mato alto, recipientes abertos e plantas que acumulam água. Sem o envolvimento dos moradores, a contenção do surto fica comprometida”, alerta a gestora.

Roteiro das próximas ações

Depois do Grande Santa Maria, a força-tarefa seguirá para os bairros Canaã I, Pelicano, Monte Sião, Piratininga, Jardim dos Estados e, posteriormente, Jardim Carisma. O cronograma foi definido em reuniões diárias do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado pelo prefeito Marçal Filho para coordenar o enfrentamento da doença.

Em cada localidade, os agentes promovem varreduras nos imóveis, orientam os moradores sobre medidas de prevenção e recolhem materiais descartados irregularmente. Paralelamente, caminhões da Secretaria de Serviços Urbanos retiram entulhos e realizam roçadas em áreas públicas. A Prefeitura reforça que entulho doméstico, garrafas, pneus e objetos sem uso devem ser encaminhados para a coleta regular ou para os ecopontos disponibilizados no município.

Dados da situação epidemiológica

O COE confirmou nesta terça a sétima morte provocada por complicações da chikungunya em Dourados. A vítima, uma mulher de 77 anos residente na Reserva Indígena, integra a mesma área onde todos os óbitos anteriores foram registrados. Outras três mortes continuam em investigação, sendo duas de moradores de bairros urbanos. Até o momento, 40 pessoas permanecem internadas com quadros relacionados ao vírus.

Primeiros mutirões e desafios encontrados

As ações de campo começaram no fim de abril nos bairros Jóquei Clube e Santa Felicidade, identificados como os que concentravam o maior número de casos. Na sequência, as equipes percorreram o Parque do Lago e o Novo Horizonte. Apesar da limpeza inicial realizada pela administração municipal, pontos de descarte irregular de resíduos voltaram a surgir pouco tempo depois, demonstrando a necessidade de vigilância constante e participação comunitária.

Entre os principais problemas observados estão restos de construção, eletrodomésticos fora de uso, móveis, plásticos e até lixo doméstico misturado a entulhos. O acúmulo de materiais cria pequenos reservatórios de água onde a fêmea do Aedes deposita seus ovos, tornando os quintais e terrenos baldios potenciais criadouros.

Uso de tecnologia para reduzir a infestação

Como parte da estratégia, o município passou a instalar Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs). Esses dispositivos funcionam como recipientes com água e uma tela impregnada com larvicida. Quando o mosquito entra em contato com o produto, carrega o composto para outros criadouros, inibindo o desenvolvimento das larvas e quebrando o ciclo reprodutivo.

Na região do Jóquei Clube, 208 EDLs já estão em funcionamento. Ao todo, o Ministério da Saúde destinou 605 armadilhas a Dourados, que serão distribuídas prioritariamente nas áreas com maior incidência de casos. Após a instalação no Parque do Lago e no Novo Horizonte, a previsão é expandir o método para o Santa Maria e o Jardim Carisma.

Recomendações às famílias

O CCZ orienta que cada morador dedique pelo menos 10 minutos semanais à inspeção de seu imóvel. Deve-se remover água parada de pratos de vasos, ralos, calhas, caixas-d’água destampadas, bebedouros de animais e qualquer objeto que possa servir de depósito. Plantas ornamentais como bromélias e troncos de coqueiros também exigem atenção, pois retêm pequenas quantidades de água suficientes para o desenvolvimento das larvas.

Além da eliminação de criadouros, o órgão recomenda o uso de repelentes, instalação de telas em portas e janelas e procura imediata por atendimento médico diante de sintomas como febre, dores nas articulações e manchas na pele. A detecção precoce ajuda a evitar complicações e reduz a transmissão.

Articulação intersetorial

As medidas de controle contam com o apoio de diversas secretarias para transporte de resíduos, educação em saúde, divulgação de informações e monitoramento de indicadores. O COE avalia diariamente o avanço dos trabalhos, a evolução do número de casos e as demandas de cada bairro. Caso sejam identificados novos pontos críticos, o roteiro da força-tarefa poderá ser ajustado.

Enquanto as equipes atuam em campo, a administração municipal reforça que a colaboração dos moradores é fator decisivo para interromper o ciclo do mosquito e, consequentemente, reduzir o impacto da chikungunya no município.