Professores de Educação Física da Rede Estadual de Ensino de Mato Grosso do Sul participaram, em Campo Grande, de uma capacitação voltada ao atendimento de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O encontro, realizado no auditório da Escola Estadual Maria Constança de Barros Machado, foi organizado pela Coordenadoria de Educação Especial (Coesp) em parceria com o Centro Estadual de Apoio Multidisciplinar Educacional ao Estudante com Transtorno do Espectro Autista (Ceame/TEA). A iniciativa integra o conjunto de ações da Secretaria de Estado de Educação destinado à qualificação permanente dos profissionais da rede.
Com foco na aplicação da psicomotricidade nas aulas de Educação Física, a formação buscou oferecer aos docentes conhecimentos teóricos e práticos capazes de favorecer o desenvolvimento motor, cognitivo e socioemocional dos alunos com autismo. A abordagem estimula competências como coordenação motora, equilíbrio, lateralidade, orientação espacial e temporal, contribuindo para ampliar a participação dos estudantes nas atividades escolares e fortalecer a inclusão em contextos coletivos.
Ao longo do treinamento, os participantes receberam orientações sobre formas de adaptar jogos, circuitos e exercícios físicos às necessidades específicas da população com TEA. Segundo os organizadores, a psicomotricidade pode atuar como ferramenta para promover autonomia, interação social e regulação emocional, fatores considerados decisivos para o progresso educacional e para a qualidade de vida desses alunos dentro e fora da sala de aula.
A equipe responsável pela capacitação destacou que o crescimento das matrículas de estudantes da educação especial em classes regulares torna imprescindível a formação continuada dos professores. Nesse cenário, o aprimoramento de práticas pedagógicas inclusivas fortalece a atuação docente e possibilita que a escola responda de maneira mais eficaz às demandas apresentadas pelos diferentes perfis de alunado.
Durante as atividades, os educadores analisaram estudos de caso, vivenciaram oficinas práticas e discutiram estratégias de avaliação voltadas à identificação de habilidades motoras e perceptivas dos estudantes com autismo. A partir dessas referências, os professores foram orientados a elaborar planos de aula que considerem a diversidade de ritmos, interesses e níveis de desenvolvimento presentes nas turmas, além de critérios de segurança e acessibilidade nos espaços esportivos.
A gerente pedagógica Maria José dos Santos ressaltou que investir em conteúdos relacionados à psicomotricidade significa reconhecer as particularidades do público com TEA e consolidar práticas pedagógicas sensíveis às diferenças. De acordo com a gestora, a oferta de formações como a realizada em Campo Grande viabiliza a construção de rotinas escolares mais acolhedoras, nas quais cada aluno possa exercer suas potencialidades de forma plena.
Entre os tópicos abordados, destacaram-se: planejamento de atividades que estimulem noções corporais básicas; uso de materiais que facilitem a compreensão de instruções; adaptação de regras para reduzir barreiras de comunicação; e estratégias de acompanhamento individualizado durante os exercícios. Os profissionais também receberam orientações para colaborar com equipes multidisciplinares, envolvendo psicólogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, de modo a construir intervenções integradas.
Ao final do encontro, os participantes elaboraram um cronograma preliminar para aplicar os conhecimentos adquiridos nas escolas estaduais. A expectativa é que, nos próximos meses, as equipes pedagógicas possam avaliar os resultados obtidos com a inclusão de atividades psicomotoras direcionadas aos estudantes com autismo e ajustar as propostas conforme as necessidades observadas em cada contexto.
Para a Secretaria de Estado de Educação, iniciativas de capacitação como essa reforçam o compromisso da rede em garantir o acesso, a permanência e o desenvolvimento de todos os alunos, alinhando as diretrizes da política de educação especial aos princípios de inclusão previstos na legislação nacional. O órgão informou que novas formações sobre temáticas relacionadas à diversidade e à acessibilidade serão oferecidas ao longo do ano letivo, contemplando diferentes áreas do conhecimento.
Com a conclusão do curso, os professores de Educação Física retornam às unidades escolares de Mato Grosso do Sul munidos de ferramentas que, segundo os organizadores, podem ampliar a qualidade das práticas educativas destinadas aos estudantes com TEA. O objetivo central permanece o de construir ambientes de aprendizagem que respeitem as especificidades de cada indivíduo, promovendo participação efetiva, desenvolvimento global e convivência escolar enriquecedora para toda a comunidade.









