A queda das temperaturas em Três Lagoas tem elevado a circulação de vírus respiratórios e pressionado a rede de saúde local. Entre janeiro e junho, a Vigilância Epidemiológica notificou 126 internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A maioria dos casos graves foi provocada pela influenza A, especialmente pelas variantes H1N1 e H3N2, que também estiveram ligadas a dois óbitos registrados no município em 2026.
De acordo com a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Adriana Spazapan, a intensificação das infecções respiratórias durante o outono e o inverno era esperada. O ponto de atenção, afirma, é a baixa cobertura vacinal dos grupos prioritários, cenário que amplia o risco de complicações e de sobrecarga hospitalar.
Perfil dos pacientes internados
Levantamento da secretaria municipal indica que, entre os hospitalizados, os agentes mais detectados foram o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e as influenzas A e B. O VSR tem acometido principalmente crianças, enquanto a influenza A responde pela maior parte dos quadros severos em adolescentes, adultos e idosos. A situação local acompanha a tendência observada em Mato Grosso do Sul, onde a influenza A lidera os diagnósticos de SRAG em 2026.
Os casos mais graves apresentam sintomas como falta de ar, intensa prostração e necessidade de suporte hospitalar. Segundo Spazapan, a maior parte dos infectados evolui apenas com manifestações leves e se recupera em até uma semana, mas uma fração progride para SRAG, exigindo internação em enfermaria ou unidade de terapia intensiva.
Cobertura vacinal abaixo da meta
Nenhum município sul-mato-grossense alcançou a meta de imunização definida pelo Ministério da Saúde para os grupos vulneráveis. A vacina, embora não impeça totalmente a infecção, reduz de forma significativa o risco de hospitalização, necessidade de UTI e morte. Os públicos considerados de maior risco incluem idosos, crianças, gestantes, puérperas e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, cardiopatias e enfermidades respiratórias.
A orientação do município é que quem apresenta sintomas respiratórios utilize máscara em ambientes coletivos e permaneça em casa durante o período de maior transmissibilidade. Pacientes pertencentes aos grupos prioritários também podem receber o antiviral Oseltamivir (Tamiflu), oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. O medicamento mostra melhor desempenho quando iniciado até 48 horas após o início dos sintomas.
Sintomas e possíveis confusões diagnósticas
Os sinais mais comuns da influenza são tosse, coriza, congestão nasal, dor de garganta, febre, dores musculares, cefaleia e cansaço intenso. Em alguns pacientes, a doença pode ser confundida com dengue, pois ambos os quadros incluem dor no corpo e atrás dos olhos. A semelhança sublinha a importância da avaliação médica para orientar o tratamento adequado e evitar agravamentos.
Monitoramento de casos leves
No âmbito do programa Sentinela da Influenza, mantido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), o rinovírus aparece como o agente respiratório mais comum entre os casos leves analisados em 2026. Foram 52 resultados positivos para rinovírus, contra 32 confirmações de influenza. Apesar da maior circulação, o rinovírus não tem apresentado alto potencial de agravamento neste ano, diferentemente da influenza A, que mantém o principal foco de preocupação das equipes de saúde.
Impacto sobre os serviços de saúde
Com o avanço das infecções, unidades básicas de saúde, farmácias públicas, UPA e hospitais registram aumento na demanda por consultas, exames e medicamentos. Os casos críticos têm sido absorvidos sobretudo pelo Hospital Regional, Hospital Auxiliadora e pela unidade da Cassems. A Vigilância Epidemiológica recomenda que a população procure assistência médica aos primeiros sinais de agravamento, a fim de reduzir complicações e evitar internações prolongadas.
Medidas de prevenção
Além da vacinação, as autoridades reforçam a importância de hábitos que fortalecem o sistema imunológico, como alimentação equilibrada e prática regular de atividades físicas. Boas medidas de higiene, como lavar as mãos com frequência, também contribuem para interromper a cadeia de transmissão dos vírus respiratórios. A meta do município é conter o número de hospitalizações e prevenir novos óbitos durante o período de maior circulação viral.









