Uma paciente de Campo Grande ficou encharcada em urina por mais de quatro horas e meia após cirurgias plásticas. O episódio ocorreu quando a sonda vesical vazou no quarto pós‑operatório, deixando a paciente e a família em estado de choque. A situação gerou indignação e levou a uma ação judicial que resultou em condenação do hospital a pagar R$ 15 mil em danos morais.
A mulher, recém‑saída do centro cirúrgico, percebeu o vazamento ao chegar ao leito. Devido às dores e à imobilidade, ela e seus familiares solicitaram imediatamente a equipe de enfermagem. Uma técnica de enfermagem chegou ao local e identificou o defeito no dreno, mas informou que não poderia substituí‑lo sem autorização da enfermeira‑chefe de plantão.
Com a demora no atendimento, a urina subiu até a altura do pescoço da vítima, encharcando a cinta compressiva e gerando odor insuportável. A troca de roupa cirúrgica foi feita às pressas, causando fortes dores e aumentando o risco de infecções nas incisões. O hospital contestou a cobrança, alegando que a colocação da sonda era responsabilidade do cirurgião e que o prontuário médico não mostrava irregularidades.
Decisão judicial
O juiz Juliano Rodrigues Valentim, da 3ª Vara Cível da Capital, rejeitou a defesa do hospital. Ele destacou que manuais internos e protocolos de triagem não podem anular o dever primário de higiene e cuidado mínimo com o paciente. A sentença fixou a indenização de R$ 15 mil por danos morais.
O magistrado enfatizou que a manutenção de drenos após a cirurgia é atribuição exclusiva da equipe de enfermagem. Ele considerou que a demora no atendimento gerou sofrimento desnecessário e expôs a paciente a risco de infecção. A decisão reforça a responsabilidade do hospital em garantir condições adequadas de pós‑operatório.
O caso serve como alerta para instituições de saúde sobre a importância de protocolos claros e a necessidade de responder prontamente a emergências pós‑cirúrgicas. A indenização pode servir de precedente para outras demandas semelhantes, incentivando a melhoria dos padrões de cuidado e a prevenção de negligência no atendimento hospitalar.







