Mato Grosso do Sul registrou avanços significativos na estrutura de acessibilidade das escolas, mas os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam uma lacuna persistente no mercado de trabalho. Em 2022, apenas 32,1% das pessoas com deficiência em idade de trabalhar estavam ocupadas no estado. O percentual contrasta com os 60,9% registrados entre a população sem deficiência.
A diferença de 28,8 pontos percentuais evidencia a barreira de acesso ao emprego. As informações integram a segunda edição da publicação Pessoas com deficiência e as desigualdades sociais no Brasil, divulgada pelo IBGE na sexta-feira (18). O estudo consolida dados do Censo Demográfico 2022, Censo Escolar, Censo da Educação Superior, Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) e bases eleitorais.
Em 2022, o estado contava com cerca de 167 mil pessoas com deficiência a partir dos 14 anos. Desse total, aproximadamente 54 mil estavam ocupadas. Entre os trabalhadores com deficiência, cerca de 32 mil contribuíam para a Previdência Social, o que representa 60,3% do grupo. Na população sem deficiência, a proporção de contribuintes era maior, alcançando 69,7%.
Desigualdade na renda
A disparidade se estende à renda. O rendimento domiciliar per capita das pessoas com deficiência em Mato Grosso do Sul foi de R$ 1.456 em 2022. Para a população sem deficiência, o valor chegou a R$ 1.749. A diferença equivale a R$ 293 por pessoa, ou 20,1% a mais para quem não possui deficiência.
O recorte por cor ou raça aprofunda o cenário. Entre as pessoas com deficiência, o rendimento médio dos brancos foi de R$ 1.707, contra R$ 1.410 de pretos ou pardos. A diferença chega a R$ 297. Já na comparação entre homens e mulheres com deficiência, os valores se aproximaram: R$ 1.471 para os homens e R$ 1.444 para as mulheres.
O Censo 2022 identificou 2,68 milhões de pessoas com 2 anos ou mais no estado. Dessas, 6,5% tinham algum tipo de deficiência. O percentual coloca Mato Grosso do Sul na sexta posição entre as menores proporções do Brasil. Mato Grosso liderou com a menor taxa, de 5,7%, enquanto Alagoas registrou a maior, com 9,6%. A maior proporção de deficiência no estado foi registrada entre mulheres pretas ou pardas, com 7,4%, seguida por mulheres brancas, com 7%.
Avanço na educação
Na educação, o estado apresenta indicadores positivos. Em 2025, 93,9% das escolas de Mato Grosso do Sul possuíam pelo menos um recurso de acessibilidade. O resultado coloca o estado na terceira posição nacional, atrás apenas do Distrito Federal (97,6%) e Santa Catarina (94,4%). O avanço é notável em relação a 2016, quando o índice era de 74,1%, e a 2022, com 84,8%.
A oferta de banheiros acessíveis também cresceu. Em 2025, 85,7% das escolas estaduais contavam com essa estrutura, o segundo maior percentual do país. Na rede privada, o índice alcançou 95,6%, enquanto na rede pública foi de 82,3%. Outro destaque é a presença de profissionais de apoio. Em 2025, 51,4% das escolas sul-mato-grossenses tinham esse recurso, o maior percentual entre as unidades da Federação.
Contudo, a distribuição é desigual entre as redes. Na rede pública, 68% das escolas possuíam profissionais de apoio. Na rede privada, o percentual era de apenas 3,9%. As salas de recursos multifuncionais, usadas no atendimento educacional especializado, estavam presentes em 35,7% das escolas do estado. O índice era de 42,8% na rede pública e 15,1% na privada.
Luanda Botelho, coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE, destaca que o levantamento permite observar a deficiência de forma ampla, relacionando diferentes áreas da vida. Segundo ela, o informativo articula temas que perpassam a participação das pessoas com deficiência em dimensões da vida pública, alcançam a esfera familiar e enfatizam as barreiras de acesso a direitos.
A acessibilidade digital nas prefeituras também evoluiu. Entre 2019 e 2024, aumentou o número de municípios com recursos para facilitar o acesso de pessoas com deficiência às páginas eletrônicas. O maior avanço ocorreu na oferta de conteúdo com tradução em Libras. Em 2019, apenas 3 dos 79 municípios tinham esse recurso. Em 2024, o número subiu para 30, um crescimento de 900%.
Apesar dos avanços, 13 municípios ainda não apresentavam nenhuma das características de acessibilidade digital investigadas pelo IBGE em 2024. O cenário indica que, embora a estrutura física e digital tenha melhorado, a diferença no acesso ao trabalho e à renda permanece como um dos principais desafios enfrentados pela população com deficiência em Mato Grosso do Sul.








