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Ibovespa bate recorde de 206.904 pontos após vitória de Flávio Bolsonaro

Neste cenário, o Ibovespa oscilou entre 209.605,70 pontos na máxima histórica intradiária e 192.137,63 pontos na mínima do dia - Foto: Divulgação/B3

Na segunda-feira (5), a liderança de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no 1º turno da corrida presidencial desencadeou um pregão histórico na B3. O Ibovespa disparou 7,70% e encerrou a sessão aos 206.904 pontos, superando pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos e batendo o recorde anterior de abril, quando chegou a 198 mil pontos.

O alívio na percepção de risco fiscal também provocou um tombo expressivo na moeda americana. O dólar comercial encerrou o dia em queda de 4,12%, cotado a R$ 5,0010, após bater na mínima de R$ 4,9530 durante o pregão.

No mercado futuro, as taxas dos contratos de juros de longo prazo recuaram de forma generalizada, refletindo a confiança renovada dos investidores nas perspectivas econômicas.

Impacto no Mercado

A disparada nos preços dos ativos começou antes mesmo da abertura da bolsa em São Paulo, com fundos de índice brasileiros (como o ETF EWZ, negociado em Nova York) saltando mais de 10%. A reação dos investidores decorreu diretamente do resultado das urnas de domingo, onde Flávio Bolsonaro terminou à frente com 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 45,16%. Os dois disputarão a Presidência no dia 25 de outubro.

Além da votação para o Executivo, pesou no ânimo do mercado a expressiva vitória da oposição no Legislativo: o PL elegeu 19 dos 54 senadores em disputa e terá 28 das 81 cadeiras do Senado a partir de 2027 — a maior bancada partidária na Casa desde a redemocratização de 1988. Analistas associam essa composição a uma blindagem contra aumento de gastos e maior probabilidade de reformas estruturais.

O setor financeiro e empresas com participação estatal puxaram os ganhos do índice ao longo do pregão: B3 (B3SA3) subiu 22,58%; BTG Pactual (BPAC11) avançou 22,28%; Bradesco (BBDC4) saltou 13,62%; Banco do Brasil (BBAS3) registrou alta de 11,47%; Itaú Unibanco (ITUB4) valorizou 11,13%; Petrobras (PETR4) teve alta de 8,09%. Na ponta oposta, a mineradora Vale (VALE3) descolou-se da euforia interna e fechou em queda de 1,92%, acompanhando a cotação internacional de commodities.

Mesmo com a euforia nas mesas de operação, agentes econômicos acompanham com cautela indicadores conjunturais divulgados nesta segunda-feira. Pelo Boletim Focus do Banco Central, a previsão para o IPCA de 2026 subiu para 5,01%, marcando a terceira semana seguida de alta e afastando-se do teto da meta (4,50%). A projeção de crescimento do PIB caiu levemente de 1,86% para 1,85%, enquanto a Selic esperada para o final do ano seguiu em 13,50%. Na economia real, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor de serviços no Brasil caiu para 49,2 pontos em setembro, sinalizando contração na atividade. No exterior, Wall Street fechou no azul (Dow Jones +0,18%, S&P 500 +0,67% e Nasdaq +1,06%), ainda que a desaceleração de serviços nos EUA reforce alertas sobre a persistência dos juros globais em patamares elevados.