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INSS nega quase 60 mil benefícios em Mato Grosso do Sul no primeiro semestre de 2026

Quase 78% das negativas no mês de junho foram de benefícios por incapacidade Foto: EBC

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) indeferiu aproximadamente 59,4 mil benefícios em Mato Grosso do Sul entre janeiro e junho de 2026, totalizando 59.365 requerimentos negados, conforme dados mensais divulgados pelo próprio instituto e pelo Ministério da Previdência.

No mesmo período, o INSS registrou 4,3 milhões de benefícios indeferidos em todo o país, número superior aos 4,2 milhões de concessões realizadas.

Em Mato Grosso do Sul, as negativas aumentaram ao longo do semestre: 4.731 em janeiro, 7.695 em fevereiro, 11.754 em março, 10.827 em abril, 11.543 em maio e 12.815 em junho, perfazendo o total de 59.365.

Os valores foram reconstruídos a partir das variações mensais apresentadas nos boletins oficiais, de modo que devem ser considerados como aproximados.

Em junho, das 12.815 negativas, 9.960 referiam‑se a benefícios por incapacidade, enquanto 2.855 correspondiam a outras modalidades, representando cerca de 78 % das indeferências daquele mês.

A advogada previdenciarista Juliane Penteado Santana afirma que o alto número de negativas não indica necessariamente erro na análise do INSS, ressaltando que problemas na documentação e na apresentação das informações podem comprometer o requerimento.

“Nem toda negativa significa que o INSS errou, assim como nem todo segurado que teve o benefício negado deixou de ter direito. Muitas vezes, o problema está na forma como os requisitos e as provas foram apresentados no processo administrativo”, disse a advogada.

Para os benefícios por incapacidade, a existência de doença não garante a concessão; é preciso demonstrar como a condição de saúde afeta a capacidade de exercer a atividade profissional, com atestados, exames e relatórios que detalhem as limitações.

Juliane também destaca a importância de conferir o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) antes de protocolar o pedido, pois vínculos ausentes, remunerações incorretas ou contribuições não reconhecidas podem influenciar a decisão.

“O requerimento administrativo não deveria ser tratado como um simples formulário. É preciso conhecer a história previdenciária do segurado, identificar os requisitos legais e organizar adequadamente a prova”, ressaltou a especialista.

Quem recebe uma resposta negativa deve verificar o motivo indicado – falta de documentos, ausência de carência, perda da qualidade de segurado, questões no histórico contributivo ou conclusão da perícia – e, a partir daí, avaliar recurso administrativo, novo requerimento ou ação judicial.

“Antes de desistir diante de uma negativa, é preciso compreender. E, antes de pedir, é preciso conhecer. No Direito Previdenciário, a análise do caso concreto faz toda a diferença”, concluiu a advogada.

Além das indeferências, o INSS tinha 28.831 requerimentos em estoque em maio de 2026, referentes a processos ainda em análise ou aguardando conclusão.

No mesmo mês, a instituição concluiu 1,573 milhão de benefícios em todo o país e concedeu 768.275, embora os dados nacionais não permitam identificar quantos desses indeferimentos foram especificamente em Mato Grosso do Sul.

Fonte: RCN67.