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Jaques Wagner é convocado pela PF para depor sobre suspeita de fraude ligada ao Banco Master

A Polícia Federal intimou o senador Jaques Wagner (PT-BA) a prestar depoimento na primeira semana de agosto no inquérito que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras relacionado ao extinto Banco Master. O parlamentar é apontado pelos investigadores como possível beneficiário de vantagens econômicas indevidas obtidas por meio de sua aproximação com o empresário Augusto Lima, ex-sócio da instituição.

Contexto da investigação

O procedimento policial busca esclarecer se a relação entre o congressista e o empresário foi utilizada para favorecer interesses privados. De acordo com a PF, Augusto Lima teria funcionado como elo entre Wagner e estruturas societárias ligadas ao banco, abrindo caminho para repasses de valores, concessão de favores e custeio de despesas pessoais do senador e de seus familiares.

Em junho, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em dois endereços do parlamentar — um em Brasília e outro em Salvador. Na ação, os agentes recolheram quantias em moeda estrangeira e em reais que, somadas, alcançam centenas de milhares de reais. Após a operação, Jaques Wagner pediu desligamento da liderança do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado.

Valores encontrados durante as buscas

No imóvel de Brasília, a equipe da PF apreendeu US$ 49 mil em espécie. Já na residência de Salvador, foram localizados US$ 16 mil, 39 mil euros e montantes não especificados em reais. O senador declarou que todo o dinheiro corresponde a reembolsos de diárias parlamentares autorizadas pela Casa e negou manter proximidade com o controlador do banco, Daniel Vorcaro.

Operações financeiras sob análise

O relatório parcial da investigação lista vários episódios que, segundo a PF, configuram indícios de vantagem indevida:

• Transferência para empresa da família – Investigadores verificam o repasse de R$ 3,5 milhões da empresa de Augusto Lima para a BN Financeira, sociedade que tem como integrante a nora de Jaques Wagner. Mensagens coletadas indicam que o enteado do senador cobrou a liberação do valor antes de a transação ser concluída. Há suspeita de ocultação da origem do dinheiro.

• Aquisição de imóvel em Salvador – Conversas interceptadas apontam negociação para a compra de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões no condomínio Poéme Horto, na capital baiana. O material sugere que o senador e o empresário trataram diretamente do negócio.

• Uso de aeronaves executivas – Relatórios de voo demonstram deslocamentos do parlamentar em jatos e helicópteros disponibilizados por Augusto Lima sem registro de cobrança. As viagens incluem trajetos ao litoral da Bahia, deslocamentos ao Rio de Janeiro e transporte de familiares.

• Ingressos para show internacional – A apuração menciona a compra de bilhetes no valor de R$ 63,3 mil para que parentes do senador assistissem a uma apresentação de cantora estrangeira. O pagamento teria sido efetuado por uma gestora de investimentos vinculada ao grupo investigado.

Posicionamentos das partes

O senador nega qualquer prática ilícita e sustenta que todas as despesas e transações relacionadas ao seu nome ocorreram dentro dos limites legais. Em nota enviada anteriormente aos investigadores, Wagner afirmou não possuir relação próxima com Daniel Vorcaro e disse que sua convivência com Augusto Lima se restringia a contatos esporádicos.

A defesa de Augusto Lima argumenta que não há irregularidade nas operações listadas e que todos os valores foram contabilizados. Representantes dos demais citados no processo comunicaram à PF que prestarão esclarecimentos no curso da investigação.

Próximos passos

Além da oitiva de Jaques Wagner, a PF marcou para agosto o depoimento de Augusto Lima e de outros envolvidos. Os agentes pretendem confrontar as informações obtidas em quebras de sigilo bancário, registros de voos e conversas eletrônicas com os esclarecimentos dos investigados. Após essa etapa, o relatório final será remetido ao Ministério Público Federal, que decidirá sobre possíveis denúncias.

O Banco Master encerrou suas atividades há anos, mas as autoridades apuram se parte de sua antiga estrutura foi utilizada para movimentação irregular de recursos após o encerramento das operações formais. Até o momento, não há indiciados, e a investigação segue em caráter sigiloso.

Enquanto aguarda o depoimento, Jaques Wagner continua exercendo o mandato de senador pela Bahia, agora sem função de liderança no governo. O Congresso Nacional permanece acompanhado da apuração, que soma-se a outros inquéritos envolvendo a relação entre agentes políticos e o setor financeiro.