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Lula aceita condições de Flávio Bolsonaro para quebra de sigilos e exige reciprocidade

Lula cobra reciprocidade de Flávio Bolsonaro na abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos. - Foto: Agência Brasil

Em ato de campanha realizado nesta quarta‑feira (21) em Belo Horizonte (MG), o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aceitou as condições apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para a quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico, desde que o adversário cumpra integralmente as exigências da campanha petista ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A disputa teve início durante o debate da TV Bandeirantes, no domingo (18), quando os candidatos passaram a trocar pedidos de acesso a informações de familiares, empresas e pessoas próximas. Desde então, a troca de exigências tem se intensificado, ampliando o escopo das investigações pretendidas por ambos os lados.

Durante o evento, Lula afirmou que “Ele não tem nenhuma carta boa, só tem mentira. As cartas dele são todas falsas”, reforçando a postura de confrontar o senador com críticas diretas.

Camilo Santana, coordenador da campanha petista (PT‑CE), declarou que o presidente não se opõe às condições apresentadas por Flávio. Segundo Santana, a resposta de Lula será protocolada no TSE nesta quinta‑feira (22), às 11h, mesmo prazo concedido pela campanha do senador para que ele autorize a divulgação dos dados solicitados.

O que Lula oferece abrir inclui os sigilos bancário, fiscal e telefônico dele e de seus familiares referentes aos últimos oito anos, além dos dados bancários e fiscais da empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual afirma ser sócio.

Em contrapartida, Lula cobra de Flávio a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do senador, de Jair Bolsonaro e de outros familiares, pelo mesmo período de oito anos. Ele também exige a divulgação de dados de empresas ligadas ao candidato do PL, entre elas a Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, a All In One Corretora de Seguros, a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação e a Bolsonaro Digital, bem como a inclusão da offshore Alcazar Holdings, empresa associada ao advogado Willer Tomaz.

Flávio, por sua vez, apresenta uma lista mais extensa de exigências a Lula. Entre elas, a abertura dos sigilos do ex‑chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, além de assessores, seguranças e auxiliares. Ele também pede a ampliação do período investigado para incluir dados desde 2003, em vez de 2018, e a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas de filhos e outros familiares do presidente, bem como de empresas ligadas a eles.

Banco Master

A discussão sobre os sigilos também envolve o ex‑controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O banco entrou em liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, em meio a investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras. Flávio Bolsonaro aparece em outra frente relacionada ao caso, pois a Polícia Federal investiga sua atuação nas negociações para obter recursos de Vorcaro destinados ao filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O senador admite ter buscado financiamento, mas nega irregularidades.

Lula também entrou no debate por causa de um encontro com Vorcaro no Palácio do Planalto, em 4 de dezembro de 2024. A reunião, que não constava na agenda oficial do presidente, contou com a participação do então indicado à presidência do Banco Central, Gabriel Galípolo, e foi articulada pelo ex‑ministro Guido Mantega. Na época, a investigação sobre as operações do Banco Master ainda não havia começado formalmente, segundo informações publicadas pela imprensa.

Flávio pede a divulgação de registros de visitantes, listas de passageiros de aeronaves atribuídas a Vorcaro e informações sobre reuniões do banqueiro com integrantes do governo. O senador também exige detalhes do encontro com Lula e dos acessos de Vorcaro aos palácios presidenciais.

Trocas de acusações

A coordenação petista questionou a ausência da offshore Alcazar Holdings no pedido apresentado pela defesa de Flávio. Camilo Santana apontou que a empresa tem como sócio único o advogado Willer Tomaz, descrito como próximo do senador.

A defesa de Flávio, ao TSE, afirmou que o candidato não é sócio, administrador nem beneficiário da holding, justificativa usada para não incluir seus extratos bancários na documentação.

Do outro lado, as exigências de Flávio incluem dados de Marcola e de pessoas próximas ao presidente. O ex‑assessor também aparece em apurações envolvendo relações com a empresária e lobista Roberta Luchsinger e com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente. As suspeitas devem ser tratadas como objeto de investigação, não como irregularidades comprovadas.

Com a resposta de Lula prevista para ser protocolada no TSE às 11h da quinta‑feira (22), o próximo passo será a análise das solicitações por parte do tribunal. Caso o TSE aceite as condições, a troca de documentos poderá se tornar parte oficial do processo de prestação de contas das campanhas, influenciando o cenário eleitoral e ampliando o escrutínio público sobre familiares e empresas vinculadas a ambos os candidatos.