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Lula defende retomada da UFN-3 e critica longa interrupção de obra estratégica de fertilizantes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na manhã desta quinta-feira (25), da cerimônia que marca a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), em Três Lagoas (MS). No evento, Lula atribuiu a paralisação do empreendimento à falta de prioridade nos governos anteriores, reforçou a necessidade de ampliar a produção nacional de insumos agrícolas e criticou parte do agronegócio por, segundo ele, ter favorecido a importação em vez do fortalecimento da indústria brasileira.

Obra parada por 12 anos

Iniciada no fim da década passada, a UFN-3 teve aproximadamente 85% de sua estrutura física concluída antes de ser suspensa por mais de uma década. O projeto previa a fabricação de ureia e amônia, produtos essenciais ao setor agropecuário. Durante o discurso, o presidente afirmou não haver justificativa técnica para a interrupção de uma planta “já planejada, financiada e praticamente erguida”.

Lula salientou que o prolongado adiamento aumentou a dependência do País de fertilizantes importados, expôs o agronegócio a oscilações de preços no mercado externo e encareceu a produção agrícola nacional. “O Brasil pagou caro por algo que poderia produzir em casa”, declarou, ao mencionar conflitos geopolíticos recentes que elevaram o custo desses insumos.

Papel da Petrobras

Com a inclusão da UFN-3 no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo federal destinará investimento superior a R$ 5 bilhões para concluir a planta. A Petrobras assumirá integralmente a administração da unidade, retomando também a responsabilidade pela engenharia, contratação de serviços e aquisição de equipamentos.

De acordo com estimativas da estatal, a fábrica deverá ser responsável por cerca de 16% da demanda brasileira de ureia assim que entrar em operação. A expectativa é gerar aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos na fase de construção, impacto considerado relevante para a economia local de Três Lagoas e para o estado de Mato Grosso do Sul.

Críticas ao agronegócio

Sem citar organizações específicas, Lula afirmou que “muita gente do agronegócio” preferiu importar fertilizantes por considerá-los financeiramente mais vantajosos, comprometendo a autossuficiência do País. Segundo o presidente, a produção doméstica de insumos reduzirá custos logísticos, mitigará riscos cambiais e amortecerá variações bruscas de preços internacionais.

Autoridades presentes

A solenidade reuniu representantes dos três níveis de governo. Compareceram a presidente da Petrobras, Magda Chambriard; a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior; o prefeito de Três Lagoas, Cassiano Maia; e a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. Técnicos, engenheiros e operários que trabalharão na reconstrução do canteiro também acompanharam o anúncio oficial.

Importância para Mato Grosso do Sul

Considerada uma das maiores obras industriais da história sul-mato-grossense, a UFN-3 integra estratégia federal para reduzir a vulnerabilidade externa em fertilizantes. Dados do Ministério da Agricultura indicam que o Brasil importa cerca de 85% do que consome nesse segmento. A futura operação plena da unidade, além de abastecer parte significativa do mercado interno, deve estimular fornecedores regionais de serviços, transporte e manutenção industrial.

Histórico do projeto

A construção da UFN-3 começou em 2011, a partir de um consórcio contratado pela Petrobras. Em 2014, dificuldades financeiras e litígios contratuais levaram à suspensão dos trabalhos, deixando estruturas, tubulações e equipamentos expostos a intempéries. Relatórios técnicos apontaram deterioração de componentes e a necessidade de readequações de engenharia antes da retomada.

Nos últimos anos, diversas tentativas de leilão ou parceria para conclusão da planta fracassaram. A atual solução envolve a retomada direta pela Petrobras, que atualizará o projeto básico e contratará novos fornecedores de bens e serviços. O cronograma detalhado de conclusão deve ser apresentado nas próximas semanas, segundo a companhia.

Perspectivas econômicas

Especialistas do setor estimam que a entrada em funcionamento da UFN-3 poderá reduzir em até US$ 1 bilhão anuais o déficit da balança comercial de fertilizantes. O impacto positivo se daria pela substituição de importações, pelo fortalecimento da cadeia logística interna e pelo aumento de arrecadação de impostos estaduais e federais.

Ainda de acordo com projeções iniciais, a planta terá capacidade de produzir 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia. A matéria-prima principal será o gás natural proveniente da Bacia do Paraná e de outros polos supridores conectados à malha de gasodutos do Centro-Oeste.

Próximos passos

Com a assinatura das ordens de serviço, equipes de engenharia iniciarão levantamentos para avaliar o estado atual das estruturas. A partir desses dados, serão programadas reformas civis, revisão de equipamentos e instalação de sistemas de controle. A Petrobras pretende adotar critérios de sustentabilidade, prevendo o reaproveitamento de água industrial e a redução de emissões de carbono ao longo do processo produtivo.

Ao encerrar o evento, Lula declarou que o retorno ao canteiro de obras simboliza a retomada da capacidade industrial brasileira e reforçou a intenção de “fazer a UFN-3 avançar sem novos atrasos”. Com a conclusão prevista para os próximos anos, o governo espera consolidar a fábrica como pilar da segurança alimentar e energética nacional.

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