A mineração consolida-se como um dos pilares do desenvolvimento de Mato Grosso do Sul, acompanhando o avanço do agronegócio, da celulose e da construção civil. O setor, que responde por mais de 30 mil postos de trabalho diretos, movimenta bilhões de reais anualmente e projeta ampliar a produção de minério de ferro, manganês, calcário agrícola e agregados, além de iniciar a industrialização de jazidas de mármore dentro do próprio território estadual.
Levantamento do Sindicato da Indústria da Mineração de Mato Grosso do Sul aponta que a extração de minério de ferro e manganês, concentrada nos municípios de Corumbá e Ladário, já atinge 18 milhões de toneladas ao ano. Parte relevante dessa produção segue para países asiáticos, impulsionada por investimentos em ampliação de plantas de beneficiamento e na logística hidroviária que liga a região ao Rio Paraguai.
O dinamismo do setor acompanha o desempenho da economia sul-mato-grossense, que registra crescimento médio de 8 % ao ano há mais de uma década. O fornecimento de brita, areia e outros insumos minerais é considerado estratégico para obras de infraestrutura, estradas, ferrovias, empreendimentos industriais e projetos de ampliação de fábricas de celulose. Somente a construção da nova unidade da Suzano, em Ribas do Rio Pardo, elevou a demanda por concreto usinado e levou empresários a instalarem pedreiras adicionais para atender ao aumento expressivo do consumo de agregados.
Além do corredor oeste, o cinturão calcário-cimento que envolve Bodoquena, Bela Vista, Jardim e Bonito sustenta a autossuficiência do estado em calcário agrícola, insumo essencial para a correção de solo nas lavouras. A disponibilidade local reduz custos logísticos para produtores rurais e reforça a sinergia entre mineração e agronegócio. Na mesma região operam fábricas de cimento que abastecem mercados interno e externo, agregando valor à rocha extraída.
A distribuição da atividade é heterogênea. Enquanto a fronteira oeste concentra minérios metálicos, a produção de agregados destina-se majoritariamente ao abastecimento regional e se encontra pulverizada por diversos municípios. Portos de areia instalados em leitos de rios complementam a oferta para o setor da construção civil, garantindo fornecimento contínuo em obras públicas e privadas.
Mesmo com resultados positivos, o segmento identifica desafios. Um deles é a formação de mão de obra especializada, especialmente para operar equipamentos de grande porte e adotar práticas de mineração responsável. Outro obstáculo é a necessidade de ampliar a cadeia de transformação mineral dentro do próprio estado, evitando o envio de matéria-prima para processamento em outras unidades da federação.
As jazidas de mármore ilustram esse potencial não explorado integralmente. Atualmente, a pedra bruta extraída em Mato Grosso do Sul é transportada, em grande parte, para o Espírito Santo, onde é cortada, polida e preparada para exportação. A meta do setor é instalar linhas de beneficiamento localmente, possibilitando que chapas e peças acabadas saiam diretamente das plantas sul-mato-grossenses para o mercado nacional e internacional. O sindicato que representa as empresas projeta que a implantação de parques industriais de mármore poderia gerar empregos adicionais, elevar a arrecadação tributária e diversificar a pauta exportadora.
Para viabilizar essa etapa, empresários defendem incentivos à verticalização, aprimoramento logístico e harmonização de licenças ambientais. Também apontam a importância de expandir a malha ferroviária e modernizar portos fluviais, reduzindo custos de escoamento e aumentando a competitividade dos produtos com maior valor agregado.
Outro foco de atenção é a sustentabilidade. Companhias instaladas no estado adotam planos de recuperação de áreas mineradas, monitoramento de recursos hídricos e reúso de rejeitos. A adoção de tecnologias voltadas à eficiência energética e à redução de emissões passa a integrar o planejamento de novas cavas e usinas de beneficiamento, alinhando-se a exigências ambientais e sociais cada vez mais rígidas.
Nos próximos quatro anos, a expectativa do setor é manter o ritmo de crescimento, ampliar a oferta de calcário agrícola para acompanhar a expansão de áreas cultiváveis, elevar o volume de minério de ferro e manganês destinado à exportação e dar o primeiro passo rumo à industrialização plena do mármore sul-mato-grossense. A projeção é de que novos investimentos em infraestrutura e capacitação profissional consolidem Mato Grosso do Sul como um polo mineral diversificado, autossuficiente e integrado às cadeias produtivas que impulsionam o Produto Interno Bruto estadual.
Com a combinação de recursos naturais abundantes, demanda interna aquecida e projetos de logística em andamento, a mineração tende a reforçar sua participação no mix econômico de Mato Grosso do Sul, oferecendo insumos essenciais para a agroindústria, a construção civil e a exportação de commodities metálicas. A evolução dessas iniciativas será determinante para o estado avançar em direção a uma cadeia mineral mais robusta, geradora de empregos qualificados e capaz de agregar valor antes da chegada dos produtos ao mercado consumidor.








