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Ministério da Saúde entrega sistemas que levam água potável a 18 mil indígenas em Dourados

O Ministério da Saúde inaugura nesta sexta-feira, 12 de janeiro, dois sistemas de abastecimento de água nas aldeias Jaguapiru e Bororó, localizadas na Reserva Indígena de Dourados, em Mato Grosso do Sul. A iniciativa recebeu investimento de R$ 2,6 milhões e, segundo a pasta, vai garantir fornecimento contínuo de água potável para cerca de 18 mil indígenas que vivem nas duas comunidades.

De acordo com informações da assessoria do ministério, a entrega será conduzida pelo coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul (DSEI-MS), Lindomar Ferreira. O distrito é o órgão responsável, no âmbito da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), pela execução de ações de saúde e saneamento dirigidas às populações tradicionais no estado.

Abastecimento regular e prevenção de doenças

Conforme a nota oficial, os novos Sistemas de Abastecimento de Água (SAAs) foram projetados para reduzir a vulnerabilidade hídrica que há anos afeta a Reserva Indígena de Dourados. A falta de acesso adequado à água tratada é apontada pelo ministério como um dos fatores que ampliam o risco de enfermidades de veiculação hídrica e dificultam a manutenção de condições básicas de higiene nas aldeias.

O fornecimento regular de água potável é considerado elemento central na estratégia de prevenção de doenças como diarreias, hepatites virais e infecções gastrintestinais, que podem ter maior incidência em áreas sem saneamento adequado. Segundo a pasta, a operação dos SAAs deve contribuir para melhorar indicadores de saúde, especialmente de crianças e idosos, faixas etárias mais suscetíveis a complicações associadas ao consumo de água contaminada.

Estrutura financeira e técnica

O investimento total de R$ 2,6 milhões abrangeu a perfuração de poços, implantação de redes de distribuição, reservatórios e equipamentos de tratamento. Embora o ministério não tenha detalhado a capacidade de captação de cada poço, informou que os sistemas foram dimensionados para atender à demanda atual das duas aldeias, com possibilidade de expansão caso a população aumente nos próximos anos.

Os recursos empregam dotações orçamentárias destinadas ao Programa de Saneamento em Áreas Indígenas, coordenado pela Sesai. Esse programa atua em parceria com distritos sanitários especiais indígenas de todo o país, priorizando territórios onde o acesso a serviços básicos de água e esgotamento sanitário é mais precário.

Responsabilidades na operação

Após a entrega, o DSEI-MS ficará encarregado pelo acompanhamento técnico dos sistemas e pela articulação com lideranças locais para assegurar manutenção preventiva, controle de qualidade da água e eventual capacitação de moradores para a gestão cotidiana das estruturas. A medida busca garantir sustentabilidade operacional, evitando interrupções que historicamente prejudicaram o abastecimento na reserva.

O ministério informou ainda que ações educativas sobre uso racional da água e práticas de higiene serão implementadas pelo serviço de atenção básica indígena. A orientação tem o objetivo de reforçar os benefícios de saúde pública decorrentes do novo serviço.

Contexto da Reserva Indígena de Dourados

A Reserva Indígena de Dourados abriga um dos maiores contingentes indígenas em área urbana do país, reunindo principalmente povos Guarani, Kaiowá e Terena. Relatos de organizações locais indicam que períodos de escassez hídrica são recorrentes e, em alguns casos, obrigam famílias a percorrer longas distâncias em busca de água ou depender de fontes improvisadas, nem sempre adequadas para consumo.

O anúncio dos novos SAAs integra um conjunto de medidas de saneamento que o Ministério da Saúde afirma estar executando em Mato Grosso do Sul. Segundo a Sesai, projetos semelhantes estão em diferentes fases de licitação ou construção em outros territórios indígenas do estado. Entretanto, o órgão não divulgou prazos ou valores adicionais.

Próximos passos do Ministério da Saúde

Embora a entrega dos sistemas em Jaguapiru e Bororó represente avanço, o ministério reconhece em documentos públicos que ainda existem lacunas significativas no acesso a água tratada em diversas regiões indígenas do país. A pasta afirma que está em andamento um mapeamento nacional para identificar prioridades de investimento em saneamento, incluindo instalação de novos poços, ampliação de redes de distribuição e modernização de estações de tratamento.

No caso de Dourados, o DSEI-MS planeja monitorar o desempenho dos sistemas recém-instalados durante os próximos meses, avaliando parâmetros como vazão, qualidade microbiológica da água e frequência de manutenção. Os dados coletados devem alimentar relatórios enviados periodicamente ao Ministério da Saúde, que avalia a eficácia das políticas voltadas à saúde indígena.

Com a conclusão das obras e o início da operação, a expectativa expressa pela pasta é de que o fornecimento estável de água potável contribua para reduzir ocorrências de doenças e melhorar a qualidade de vida nas aldeias Jaguapiru e Bororó, marcando um passo na busca por melhores condições de saneamento dentro da Reserva Indígena de Dourados.

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