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Morador de Paranaíba registra golpe de falso sorteio e movimentações indevidas na conta bancária

Um motorista autônomo de 49 anos, residente em Paranaíba, município do leste de Mato Grosso do Sul, procurou a Polícia Civil após identificar movimentações financeiras não autorizadas em suas contas. O caso foi registrado na manhã desta quarta-feira como estelionato e está sob investigação da Delegacia de Polícia Civil local.

De acordo com o boletim de ocorrência, o episódio começou em 10 de abril, quando a vítima recebeu uma chamada de vídeo pelo WhatsApp originada de um número com DDD 11. Durante a ligação, dois indivíduos apresentaram-se como representantes de um suposto sorteio denominado “Programa Viva Sorte”, que, segundo eles, estaria vinculado ao grupo Bandeirantes de comunicação. Para reforçar a narrativa, os suspeitos chegaram a mencionar o nome de um apresentador conhecido, alegando que a informação seria divulgada em rede nacional.

Os interlocutores informaram ao motorista que ele teria sido contemplado com um prêmio de R$ 50 mil. Segundo o relato prestado à polícia, os golpistas solicitaram que a vítima seguisse instruções específicas para “confirmar o resgate” do valor. Entre as orientações, estava a instalação do aplicativo de pagamentos PicPay e o fornecimento de dados pessoais, como número de CPF, informações bancárias e imagens de documentos.

Convencido pela abordagem inicial, o morador de Paranaíba instalou o aplicativo indicado e realizou os passos exigidos. Ele relatou que, na sequência, recebeu mensagens solicitando o envio de códigos de verificação, supostamente para validar a transferência do prêmio. Após concluir esses procedimentos, os indivíduos encerraram o contato, afirmando que o depósito seria creditado em até 48 horas.

Ainda no mesmo dia, o motorista passou a desconfiar da veracidade do sorteio, pois não se recordava de ter participado de qualquer promoção vinculada à empresa mencionada. Ao acessar sua conta bancária pela internet, percebeu que haviam sido efetuadas transações que não reconhecia. Constavam pagamentos realizados por meio do PicPay e transferências via Pix para destinatários desconhecidos. Os valores subtraídos não foram detalhados no boletim, mas a vítima afirmou ter sofrido prejuízo significativo.

Na manhã desta quarta-feira, o homem dirigiu-se à Delegacia de Polícia Civil de Paranaíba para formalizar a denúncia. O registro foi classificado como estelionato, e investigadores foram designados para identificar a origem das ligações, rastrear os responsáveis pelas contas que receberam os valores e verificar se há outras vítimas na região. As autoridades também pretendem solicitar informações à operadora de telefonia sobre o número com DDD 11 e à empresa proprietária do aplicativo de pagamentos para obter registros de transações.

Em nota encaminhada à vítima e anexada ao processo, a Polícia Civil orientou a população a manter cautela diante de ofertas de prêmios que exijam instalação de aplicativos, envio de documentos ou liberação de códigos de segurança. Segundo os agentes, solicitações desse tipo, feitas por telefone ou aplicativos de mensagens, são sinais frequentes de tentativas de fraude.

Os investigadores ressaltaram que golpes envolvendo supostos sorteios costumam se intensificar em períodos próximos a datas comemorativas e quando utilizam nomes de programas ou emissoras conhecidas para conferir aparência de legitimidade. A força-tarefa criada para apurar o caso buscará cruzar dados bancários e de telecomunicações a fim de localizar eventuais ramificações do esquema em outros estados.

Enquanto as diligências prosseguem, a polícia recomenda que quem identificar atividades suspeitas em aplicativos de pagamento procure imediatamente a instituição financeira, cancele senhas comprometidas e registre boletim de ocorrência. A orientação vale também para pessoas que recebam ligações, mensagens de texto ou vídeos prometendo premiações em dinheiro sem que tenham participado de sorteios oficiais.

O motorista de Paranaíba aguarda o resultado das investigações e declarou, no depoimento, que pretende recorrer ao banco para contestar as transações e tentar recuperar parte do valor perdido. Até o momento, não houve prisões relacionadas ao caso.

A Polícia Civil mantém o inquérito aberto e reforça que denúncias de crimes virtuais podem ser feitas pessoalmente nas delegacias ou pelos canais de atendimento on-line disponíveis no site da corporação.