Um homem de 68 anos, residente em Paranaíba, no leste de Mato Grosso do Sul, procurou a 1ª Delegacia de Polícia Civil do município para denunciar um golpe de estelionato cometido durante a tentativa de compra de uma sela de montaria anunciada em uma página do Facebook. A transação, que parecia segura à primeira vista, resultou em um prejuízo de R$ 469,00 após o pagamento via PIX sem a entrega do produto.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima se deparou com o anúncio enquanto navegava pela rede social. A oferta apresentava uma sela nova, supostamente comercializada pela empresa Selaria Nossa Senhora Aparecida, que, segundo o texto promocional, funcionaria na cidade de Aragarças, em Mato Grosso. O comprador afirmou ter pesquisado o nome do estabelecimento e confirmado a existência física da loja, o que reforçou a credibilidade do vendedor e motivou a continuidade da negociação.
Após fazer contato com o anunciante por meio do aplicativo de mensagens da própria rede social, o morador de Paranaíba recebeu orientações para efetuar o pagamento do valor combinado. Conforme o relato aos policiais, foi fornecida uma chave PIX vinculada a uma conta bancária que, em princípio, estaria associada ao comércio citado no anúncio. Confiando nas informações obtidas e no fato de a empresa constar em cadastros públicos, o comprador realizou a transferência de R$ 469,00 em uma única parcela.
A operação financeira foi concluída sem intercorrências técnicas, e o comprovante digital foi imediatamente encaminhado ao suposto vendedor, conforme exigido na conversa. O anúncio previa o envio da sela por serviço de transporte terrestre, com prazo estimado para entrega que variava entre três e sete dias úteis, segundo a troca de mensagens registrada no aparelho da vítima. Contudo, passados os dias acordados, o produto não chegou ao destino indicado.
Ainda segundo o boletim, após constatar o atraso, o homem tentou retomar contato com o anunciante. Inicialmente, recebeu respostas evasivas que atribuíam o problema a “dificuldades logísticas”. Em seguida, as mensagens deixaram de ser visualizadas, e o perfil passou a exibir status offline. Diante da ausência de retorno, o comprador suspeitou de fraude eletrônica e decidiu buscar as autoridades competentes.
Na delegacia, os policiais registraram o caso como estelionato praticado por meio eletrônico, enquadrado nos artigos correspondentes do Código Penal. O registro formal inclui dados da transação, horário da transferência, chave PIX utilizada, prints das conversas mantidas na rede social e endereço virtual do anúncio. Todo o material foi anexado ao inquérito para subsidiar eventual rastreamento de contas e identificação dos responsáveis.
O procedimento investigativo seguirá, segundo a Polícia Civil, com pedidos de quebra de sigilo bancário e diligências junto à plataforma digital que hospedou o anúncio. A intenção é levantar informações sobre o titular da conta receptora, movimentações financeiras atípicas e possíveis conexões com outras ocorrências de mesma natureza. A corporação não divulgou prazo para conclusão das primeiras etapas, mas informou que o inquérito tramita na unidade policial de Paranaíba.
O caso evidencia uma prática criminosa que tem se tornado recorrente: o uso de redes sociais para veicular anúncios falsos de produtos muito demandados em regiões rurais, como selas, arreios e equipamentos agropecuários. Criminosos se valem da facilidade de criação de perfis e da oferta de preços competitivos para atrair compradores, que, ao efetuarem pagamentos instantâneos, ficam vulneráveis à falta de mecanismos imediatos de estorno.
A Polícia Civil orienta vítimas a registrar boletim de ocorrência sempre que identificarem indícios de golpe, pois o contato oficial possibilita o rastreamento de transações bancárias e colabora para ligações com outras fraudes em andamento. No caso em questão, a vítima forneceu dados completos que podem contribuir para localizar o autor ou a quadrilha responsável pelo perfil falso.
Até o momento, o dinheiro transferido não foi recuperado, e o morador de Paranaíba aguarda o desenrolar das investigações. O inquérito permanece ativo, e novas informações poderão ser acrescentadas conforme a corporação receba respostas de instituições financeiras e da administração da rede social onde a venda foi anunciada.








