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MS deve elevar cobertura de esgoto de 86% para 90% até 2028, aponta diretor da AEGEA

Expansão das cidades e novos projetos industriais aumentam a necessidade de planejamento dos sistemas de água e esgoto em Mato Grosso do Sul. Foto: Adriano Hany

Mato Grosso do Sul precisa ampliar a cobertura de esgotamento sanitário de 86% para 90% até 2028, segundo Gabriel Buim, diretor‑presidente da AEGEA, em entrevista ao RCN MOB na sexta‑feira (28) após participação na 8ª edição do RCN em Ação e Amcham Avança, realizada no Espaço Corpal.

Buim informou que a maior parte das obras necessárias para alcançar a nova meta já está contratada, porém o desafio principal será executá‑las nas áreas que ainda não possuem atendimento, onde a complexidade técnica costuma ser maior.

“As últimas ligações geralmente são as mais complexas. São cidades com maiores dificuldades de construção e que têm um corpo receptor um pouco mais distante”, explicou o dirigente da AEGEA.

O avanço da cobertura ocorre simultaneamente ao crescimento econômico do estado, impulsionado pelo agronegócio, pelos investimentos na indústria de celulose e pela expansão da citricultura, que atraem trabalhadores e aumentam a demanda por infraestrutura.

Em Campo Grande, a taxa de crescimento de imóveis (entre 3% e 3,5% ao ano) supera a da população (cerca de 1% ao ano), segundo Buim, o que altera o perfil de consumo e exige planejamento das redes de água e esgoto mesmo com crescimento demográfico mais lento.

No interior, municípios como Água Clara e Inocência foram citados como exemplos de localidades que deverão receber atenção especial para a expansão da infraestrutura, em razão de grandes empreendimentos industriais.

O diretor‑presidente ressaltou que o planejamento de longo prazo deve iniciar antes da operação de novas fábricas, considerando projeções de população, habitação, escolas, comércio e, sobretudo, saneamento.

Estudos do Instituto Trata Brasil apontam que a ampliação do acesso ao saneamento pode gerar ganhos de bilhões de reais nos próximos 15 anos, ao melhorar saúde e produtividade, destacou Buim.

Quanto à segurança hídrica, Buim alertou que, embora o estado conte atualmente com recursos abundantes, como os rios Paraguai e Paraná e o Aquífero Guarani, mudanças climáticas podem reduzir as chuvas nos próximos dez anos, tornando necessário desenvolver projetos de reúso de água para a indústria.

Ele ainda mencionou a possibilidade de transformar resíduos do tratamento de esgoto em energia ou fertilizante, prática observada na Espanha e considerada viável diante do aumento do preço do gás.

Segundo Buim, o próximo passo para o saneamento em Mato Grosso do Sul envolve combinar a expansão da cobertura, o planejamento urbano integrado e o reaproveitamento de recursos, a fim de garantir segurança hídrica e apoio ao desenvolvimento econômico.

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