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MSGás pretende concluir gasoduto da Arauco em junho de 2027, dois meses antes do previsto

Obra do gasoduto da Arauco avança em Mato Grosso do Sul com previsão de entrega antecipada para junho de 2027.

A MSGás anunciou que pretende entregar o gasoduto que abastecerá a fábrica de celulose da Arauco em Inocência já em junho de 2027, antecipando em quase dois meses o prazo estabelecido no contrato, que apontava agosto do mesmo ano. A mudança foi solicitada pela própria Arauco e pode acelerar a disponibilidade de gás natural para a nova planta, que representa um investimento de US$ 4,6 bilhões, cerca de R$ 25 bilhões.

Segundo Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt, diretora‑presidente da MSGás, o contrato original fixa agosto como data final, mas o cliente pediu que o fornecimento de gás ocorra em junho. “Reorganizamos o cronograma de execução para tentar cumprir a nova data”, afirmou a executiva, que destacou que a obra segue dentro do planejamento geral.

O trecho a ser concluído tem 125 quilômetros e custo estimado em R$ 160 milhões. Ele liga o ponto de extração de gás natural do Gasbol, na região de Três Lagoas, ao complexo industrial da Arauco, localizado no município de Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul. A fábrica, projetada para ser a maior de celulose em linha única do mundo, terá capacidade de produção de 3,5 milhões de toneladas por ano.

Até o momento, cerca de 60 quilômetros da faixa de obras já foram abertos, o que corresponde a 48% do traçado total. Os tubos foram distribuídos ao longo de 50 quilômetros e a soldagem já alcançou 42 quilômetros. No solo, 20 quilômetros de tubulação já foram assentados, representando 16% da extensão total. A mobilização da obra envolve aproximadamente 300 pessoas, entre funcionários próprios e terceirizados.

Avanço da obra

A rede de distribuição da MSGás conta atualmente com cerca de 540 quilômetros de gasodutos. O novo segmento acrescenta 23,1% a essa extensão, reforçando a presença da distribuidora na região. Em 2026, a empresa prevê investir R$ 130 milhões no projeto, dos quais R$ 100 milhões serão destinados exclusivamente ao gasoduto de Inocência. Os R$ 60 milhões restantes estão programados para 2027. Parte desses recursos provém de financiamento do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro‑Oeste (FCO).

Quanto à demanda, a fábrica da Arauco pode consumir até 300 mil metros cúbicos de gás natural por dia nos primeiros meses de operação, quando a produção ainda está sendo estabilizada. Conforme a planta entra em fase plena, o consumo deve cair gradualmente para 200 mil, depois 100 mil metros cúbicos diários, estabilizando em torno de 50 mil metros cúbicos por dia. A redução se deve ao uso de gás de síntese produzido internamente, que complementa o gás natural para garantir a continuidade da produção.

A MSGás vê o gasoduto da Arauco como ponto de partida para ampliar o fornecimento de gás natural a outros consumidores da região de Inocência. O plano inclui o mapeamento de potenciais clientes industriais, comerciais e residenciais, além da elaboração de projetos de ramais que dependem da confirmação da demanda.

Próximos ramais

Um modelo semelhante pode ser replicado em Bataguassu, onde está prevista a construção de uma fábrica de celulose da Bracell. A distribuidora já negocia o fornecimento de gás ao empreendimento e, caso o acordo seja fechado, pretende construir um novo ramal de cerca de 125 quilômetros a partir da região de Três Lagoas, seguindo a mesma lógica de atender um grande cliente industrial antes de expandir a rede para demais usuários.

O próximo passo da MSGás é concluir as obras de assentamento e soldagem necessárias para cumprir o novo prazo de junho de 2027. A empresa continuará monitorando o avanço das obras, ajustando recursos conforme necessário e mantendo o diálogo com a Arauco para garantir que o fornecimento de gás esteja pronto para o início das operações da fábrica. Caso a expansão para Bataguassu avance, novos investimentos e financiamentos deverão ser anunciados nos próximos meses, ampliando ainda mais a infraestrutura de gás natural no Centro‑Oeste.

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