Uma mulher de 32 anos conseguiu escapar, na manhã desta segunda-feira (13), de um cárcere privado mantido pelo companheiro em Ponta Porã, cidade sul-mato-grossense localizada na fronteira com o Paraguai. A vítima pulou o portão trancado da residência, no bairro Jardim Primavera, e buscou ajuda junto a vizinhos depois de permanecer quatro dias em isolamento forçado e sob violência física e psicológica.
De acordo com o registro policial, o confinamento começou na sexta-feira (10). Desde então, o suspeito, usuário de drogas, impedia qualquer contato da mulher com familiares ou autoridades. Para isso, quebrara o telefone celular da companheira, trancara o portão com cadeado pelo lado de fora e ameaçava matar tanto a vítima quanto o irmão dela caso houvesse tentativa de fuga ou pedido de socorro.
A oportunidade para escapar surgiu quando o agressor adormeceu no início da manhã. A mulher escalou a estrutura metálica, saltou para a rua e correu até a casa mais próxima. Os moradores a acolheram e acionaram a Polícia Militar pelo número de emergência 190. Enquanto aguardava a chegada da equipe, a vítima relatou sucessivas agressões, apresentando hematomas visíveis no peito, rosto, costas, pernas e braços. Ela informou ter sido alvo de socos, chutes, golpes com cabo de vassoura e ter a cabeça repetidamente batida contra a parede.
Com base nas informações repassadas pela testemunha, policiais militares se dirigiram ao endereço indicado. O suspeito, de 36 anos, foi encontrado dormindo em um dos quartos. Ao ser acordado e receber voz de prisão em flagrante pelo crime de cárcere privado e lesão corporal, reagiu com agitação, apresentando sinais de embriaguez. Para resguardar a integridade da equipe e assegurar o cumprimento da ordem, os agentes utilizaram algemas durante o procedimento de detenção.
Depois da prisão, vítima e agressor foram conduzidos à 1ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã, onde a ocorrência foi formalizada. No local, a mulher prestou depoimento detalhando o ciclo de violência iniciado no final da semana anterior. Ela reforçou que as agressões se intensificavam sempre que o companheiro retornava para casa sob efeito de entorpecentes, cenário que culminou no rompimento total de sua comunicação com o exterior.
Diante da autoridade policial, o homem permaneceu em silêncio sobre os fatos. A mulher aproveitou para requerer Medidas Protetivas de Urgência com base na Lei Maria da Penha, solicitando, entre outras providências, o afastamento imediato do agressor e a proibição de qualquer tentativa de contato. A solicitação foi encaminhada ao Poder Judiciário para análise.
Segundo a Polícia Militar, o preso não apresentava ferimentos no momento da condução. Já a vítima foi orientada a realizar exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal, a fim de documentar oficialmente as lesões. Ela também recebeu encaminhamento para atendimento psicológico e assistência social oferecidos pela rede de proteção a mulheres em situação de violência no município.

Imagem: Reprodução
O caso foi classificado inicialmente como cárcere privado, lesão corporal dolosa e ameaça, crimes previstos no Código Penal e na legislação específica de proteção à mulher. Se condenado, o suspeito poderá cumprir pena de reclusão, além de outras sanções definidas em juízo.
A Polícia Civil prossegue com a investigação para esclarecer a extensão das agressões, verificar possíveis ocorrências anteriores e identificar eventuais testemunhas. Vizinhos que acolheram a vítima foram convidados a prestar depoimento, assim como familiares que teriam recebido ameaças.
Ponta Porã mantém fronteira direta com a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, região que registra elevado índice de violência doméstica, segundo dados das forças de segurança estaduais. Autoridades locais reforçam a importância de denúncias anônimas por meio do telefone 190 da Polícia Militar ou do Disque-Denúncia 181, além de orientar mulheres em situação de risco a buscarem apoio nos centros de referência especializados.
Até o fim da tarde desta segunda-feira, o suspeito permanecia custodiado à disposição da Justiça, aguardando audiência de custódia. A vítima, por sua vez, seguiu para local seguro, acompanhada por familiares, enquanto aguarda a decisão judicial sobre as medidas protetivas solicitadas.








