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OAB solicita ao STF que Flávio Bolsonaro mantenha contato com Jair Bolsonaro na condição de advogado

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) protocolou nesta terça-feira (14) um ofício no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) possa continuar se comunicando com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, estritamente para fins de defesa técnica. O pedido foi apresentado um dia após o ministro Alexandre de Moraes determinar a suspensão das visitas de Flávio ao pai por 90 dias, medida que vigorará até 11 de outubro.

O impedimento foi aplicado depois de o senador ter divulgado, em suas redes sociais, a leitura de uma carta redigida por Jair Bolsonaro. Para Moraes, o episódio configurou violação da medida cautelar que proíbe o ex-presidente de utilizar plataformas digitais, direta ou indiretamente. Além da restrição às visitas, o ministro enviou cópia dos autos ao Ministério Público Eleitoral para apurar eventual propaganda antecipada e fixou prazo de 48 horas para que a defesa do ex-mandatário apresente esclarecimentos.

Argumentação da OAB

No documento assinado pelo presidente em exercício da entidade, Délio Lins e Silva Júnior, e pelo procurador Alex Sarkis, a OAB sustenta que prerrogativas profissionais não podem ser anuladas por restrições de natureza pessoal ou familiar. O ofício lembra que Flávio Bolsonaro está formalmente inscrito, desde março, como um dos advogados do pai, condição que lhe confere o direito de manter comunicação reservada com o cliente.

“O requerente não se apresenta apenas como visitante ou familiar, mas também como advogado constituído”, destaca o texto. A entidade solicita que o STF assegure o contato presencial em caráter estritamente profissional, admitindo que o Tribunal imponha as condições que julgar apropriadas para preservar a decisão cautelar vigente.

Contexto político e eleitoral

A suspensão das visitas ocorre em período considerado estratégico para a campanha do primeiro turno das eleições gerais de 2026, marcado para 4 de outubro. Pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro ficará impossibilitado de reuniões presenciais com Jair Bolsonaro durante todo o intervalo de 90 dias. Aliados do senador veem a medida como interferência no debate eleitoral; opositores interpretam o episódio como resultado de uma escolha deliberada da família para explorar narrativa de perseguição.

Mesmo com o impedimento, não há restrição formal à atuação do parlamentar em atos de campanha próprios. A decisão, porém, limita a participação direta do ex-presidente em eventuais estratégias construídas em conjunto, já que qualquer contato fora dos parâmetros estabelecidos pelo STF pode ensejar novas sanções.

Situação jurídica de Jair Bolsonaro

O ex-chefe do Executivo cumpre prisão domiciliar em sua residência em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses pelos crimes relacionados a tentativa de golpe de Estado. Uma das condições fixadas por Moraes é a proibição do uso de redes sociais, estendida a terceiros que possam falar em seu nome, medida considerada fundamental para evitar disseminação de conteúdo político nas plataformas.

Ao avaliar a divulgação da carta, Moraes observou que o texto apresentava termos equivalentes a pedidos de voto, caracterizando potencial propaganda. O magistrado entendeu que a leitura pública feita pelo filho transformou a mensagem em instrumento de promoção política, o que, segundo ele, viola a determinação imposta ao ex-presidente.

Próximos passos judiciais

Caberá agora ao STF apreciar o ofício da OAB e decidir se Flávio Bolsonaro poderá retomar as visitas, desde que limitadas à atuação como advogado. O ministro relator pode deferir integralmente, parcialmente ou rejeitar a solicitação. Não há prazo legal explícito para essa deliberação, mas, em razão da relevância institucional apontada pela entidade, a expectativa é de análise célere.

Paralelamente, o Ministério Público Eleitoral deverá concluir a investigação preliminar sobre possível propaganda antecipada. Se constatar indícios concretos, o órgão poderá ingressar com ação específica na Justiça Eleitoral, incluindo pedido de multa ou outras penalidades previstas na legislação.

Reações sobre o ofício

Integrantes da defesa de Jair Bolsonaro consideram a manifestação da OAB um reforço às garantias constitucionais da ampla defesa. Parlamentares da base governista, por outro lado, avaliam que a iniciativa não muda o cerne da decisão de Moraes, que, segundo eles, visa impedir uso político de mensagens do ex-presidente durante o período de restrição.

Até o momento, não houve manifestação pública de Flávio Bolsonaro sobre o pedido da OAB. O senador permanece sujeito à proibição de comparecer à residência do pai e de estabelecer contato que não seja estritamente profissional ou mediado por seus advogados habilitados. Qualquer tentativa de comunicação fora desses parâmetros poderá resultar em novas medidas cautelares.

Com a disputa jurídica em curso, a última palavra caberá ao Supremo. Enquanto isso, a defesa de Jair Bolsonaro deverá se pronunciar dentro do prazo de 48 horas, conforme determinado por Moraes, apresentando argumentos sobre a divulgação da carta e esclarecendo se houve, de fato, intenção de realizar propaganda eleitoral antecipada.