Cassilândia (MS) – Um homem de 49 anos foi detido em flagrante na manhã de terça-feira, 14 de maio, sob a acusação de armazenar e compartilhar material de abuso sexual infantil. A prisão integra mais uma etapa da Operação Sentinela, força-tarefa da Polícia Civil voltada ao combate de crimes virtuais que envolvem crianças e adolescentes.
A ação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), com apoio das delegacias de Cassilândia e Inocência. Os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do suspeito, localizada na área urbana do município, na região leste de Mato Grosso do Sul. Durante a vistoria, investigadores recolheram telefones celulares, computadores e mídias de armazenamento para análise pericial.
Segundo informações preliminares, a verificação imediata de um dos aparelhos celulares revelou diversos vídeos e fotografias classificados como CSAM (Child Sexual Abuse Material – Material de Abuso Sexual Infantil). Diante da constatação, o morador foi conduzido à delegacia local e autuado com base no artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê pena de um a quatro anos de reclusão, além de multa, para quem guarda ou possui esse tipo de conteúdo.
A sigla CSAM é adotada internacionalmente para substituir a expressão “pornografia infantil” e ressaltar que cada registro representa, de fato, um ato de violência e exploração praticado contra vítimas reais. No Brasil, a mera posse dos arquivos já configura crime, independentemente de o investigado ter produzido, vendido ou distribuído as imagens originais. A legislação também agrava a punição quando há compartilhamento em redes abertas, fechadas ou criptografadas.
A Operação Sentinela foi criada para neutralizar redes virtuais dedicadas ao abuso e à exploração sexual de menores. As equipes rastreiam conexões em fóruns, aplicativos de mensagens e serviços em nuvem, inclusive aqueles que utilizam camadas de criptografia. O objetivo é identificar e responsabilizar todas as pontas da cadeia criminosa: produtores, distribuidores e consumidores finais.
Nesta fase, além da prisão em Cassilândia, dispositivos eletrônicos foram apreendidos para perícia aprofundada. O material será encaminhado a laboratórios forenses da Polícia Civil, onde programas especializados recuperam arquivos deletados, analisam metadados e rastreiam possíveis contatos do suspeito com outros usuários. Caso sejam encontradas evidências de produção ou compartilhamento em larga escala, novos indiciamentos poderão ser feitos.
De acordo com a DEPCA, a cooperação entre delegacias é essencial para acelerar a identificação dos envolvidos e evitar a revitimização das crianças retratadas. Informações reunidas no interior do Estado costumam ser encaminhadas a delegacias de outros entes federativos e a organismos internacionais, sempre que há indícios de transnacionalidade no fluxo dos arquivos.

Imagem: Divulgação
O preso permanece à disposição da Justiça e deverá passar por audiência de custódia nas próximas horas. Se confirmada a manutenção da prisão preventiva, ele será transferido para unidade do sistema prisional de Mato Grosso do Sul até o encerramento das investigações e eventual julgamento.
Denúncias podem ser feitas de forma anônima
A Polícia Civil reforça que denúncias de abuso, exploração sexual ou circulação de material envolvendo menores podem ser registradas de maneira sigilosa pelos seguintes canais:
- Disque 100 – Central nacional para violações de direitos humanos.
- Delegacias de Polícia – Atendimento presencial em qualquer unidade do Estado.
- Plataformas virtuais – Formulários online disponíveis nos portais oficiais da segurança pública.
As informações recebidas são checadas por equipes especializadas, que podem solicitar ordens judiciais para quebrar sigilo de dados de provedores, acessar registros de IP e localizar suspeitos. O anonimato do denunciante é garantido, e cada relato contribui para ampliar o mapeamento de grupos que atuam na internet.
Com a continuidade da Operação Sentinela, a DEPCA mantém ações ostensivas e de inteligência em todo o Mato Grosso do Sul. Investigações recentes apontam que a disseminação de CSAM ocorre tanto em grandes centros quanto em cidades de menor porte, exigindo atuação permanente das forças de segurança para reduzir a circulação desse conteúdo e proteger crianças e adolescentes.








