Na noite de 24 de outubro, em Bonito, Mato Grosso do Sul, um adolescente de 16 anos foi apontado como autor dos disparos que mataram Ewerton Rodrigues da Silva, 34, e feriram outro homem. O pai do jovem, de 47 anos, admitiu à Polícia Civil ser proprietário do revólver usado, que não possuía registro e estava carregado no porta‑luvas da caminhonete. A declaração amplia a investigação sobre a responsabilidade criminal dos adultos envolvidos.
A Polícia Civil instaurou um inquérito na sexta‑feira, 30 de outubro, dois dias após a apreensão do adolescente, para apurar a possível responsabilidade criminal do pai e esclarecer como a arma ficou acessível ao menor. Até o momento, cerca de 13 pessoas foram ouvidas, entre elas o próprio pai, que prestou depoimento acompanhado de advogado. O inquérito também avalia se o pai pode ser responsabilizado por homicídio qualificado, já que a arma foi utilizada no crime.
Segundo o relato do homem, ele comprou o revólver há cerca de dois anos, sem registro, e o mantinha no porta‑luvas da caminhonete. O pai afirmou que o filho sabia onde a arma era guardada, informação que passou a integrar as linhas de investigação sobre a aquisição, a guarda e o porte do armamento. Ele informou que a compra ocorreu de forma informal, sem nota fiscal ou qualquer documentação que comprovasse a legalidade da transação.
Durante o interrogatório, o pai declarou que, após o crime, descartou a arma jogando‑a no Rio Miranda, na região do distrito de Águas do Miranda, entre Bonito e Aquidauana. Equipes da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros realizaram buscas nas proximidades de uma ponte na quinta‑feira, 29 de outubro, mas não localizaram o revólver.
Busca no rio
A operação de busca incluiu mergulhadores e equipamentos de detecção subaquática, mas a correnteza do Rio Miranda dificultou a localização do objeto. Até a publicação desta matéria, a polícia não informou se novas tentativas de recuperação da arma seriam realizadas. Os agentes empregaram sonar e câmeras submersas para ampliar a área de varredura.
O adolescente foi apreendido na quarta‑feira, 28 de outubro, em uma residência no bairro Cidade Nova, em Aquidauana. No dia seguinte, foi transferido para a cidade de Jardim, onde passou por procedimentos investigativos, e, na sexta‑feira, 30 de outubro, foi encaminhado a uma Unidade Educacional de Internação (Unei). A Unei tem como objetivo garantir a internação e acompanhamento psicossocial de menores em conflito com a lei.
De acordo com a investigação, a discussão que culminou nos disparos iniciou‑se nas proximidades do Posto Aroeira, em Bonito, envolvendo o pai do adolescente e outro homem. Durante a briga, o jovem teria corrido até a caminhonete do pai, tomado o revólver carregado e retornado ao local, onde efetuou os tiros. Ewerton Rodrigues da Silva foi atingido e morreu após socorro; o segundo homem ficou ferido, mas sobreviveu.
A Polícia Civil continua a apurar as circunstâncias do crime, a origem da arma e a conduta dos envolvidos antes e depois dos disparos. O inquérito ainda não definiu se haverá indiciamento do pai por posse de arma ilegal ou por eventual responsabilidade no homicídio. As autoridades aguardam novos depoimentos e possíveis resultados das buscas no Rio Miranda, que podem influenciar a decisão judicial. O caso tem mobilizado as forças de segurança pública da região, que reforçam a vigilância e o controle de armas.







