Laboratórios do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) em Três Lagoas lideram a criação de ferramentas tecnológicas que buscam modernizar o atendimento público de saúde. As iniciativas integram o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde): Informação e Saúde Digital, projeto que reúne instituições de ensino superior e a Secretaria Municipal de Saúde para atender demandas do Sistema Único de Saúde (SUS) no município.
Coordenado pelo docente Alisson Oliveira dos Santos, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Câmpus de Três Lagoas (UFMS-CPTL), o projeto foi classificado entre os dez melhores em edital do Ministério da Saúde. O reconhecimento garantiu financiamento de bolsas para estudantes e pesquisadores envolvidos. Ao todo, 150 profissionais e acadêmicos de áreas como Medicina, Direito, Enfermagem e Psicologia participam da força-tarefa, unindo conhecimento multidisciplinar à infraestrutura tecnológica instalada no IFMS.
Dentro dessa rede colaborativa, o IFMS atua com quatro professores e 35 estudantes bolsistas dos cursos de Engenharia de Computação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas. O grupo é responsável por transformar necessidades apontadas pela gestão pública em plataformas funcionais, capazes de agilizar rotinas de pacientes e servidores do SUS. Todo o suporte técnico ocorre nos laboratórios de computação do câmpus: Lab de Software IF5, Laboratório de Sistemas Inteligentes, Magic IT Lab e IRIS.
O trabalho inicia pelo mapeamento de processos da Secretaria Municipal de Saúde. A partir desse diagnóstico, as equipes definem fluxos, desenvolvem códigos, testam protótipos e validam as ferramentas junto aos profissionais que atuam nas unidades de saúde. Esse procedimento garante que os sistemas atendam às exigências operacionais e legais, incluindo requisitos de segurança da informação estabelecidos pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
O primeiro resultado efetivo da parceria é o Portal da Transparência da Regulação em Saúde. A plataforma permite que cidadãos consultem, por meio do número de CPF, a posição nas filas de exames e consultas especializadas. Dessa forma, o paciente deixa de se deslocar até a unidade apenas para solicitar dados sobre agendamentos, o que reduz custos individuais e a sobrecarga nos balcões de atendimento.
Para viabilizar o portal, as equipes de desenvolvimento precisaram adaptar sistemas governamentais complexos a uma interface simples. O processo envolveu a criação de rotinas de processamento que reúnem informações de diferentes bases e as apresentam em formato organizado. O resultado é uma página de navegação intuitiva, acessível em computadores e dispositivos móveis, com linguagem direta e campos de busca enxutos.
Além da usabilidade, a arquitetura do sistema contempla camadas de segurança que evitam o vazamento de dados sensíveis. Credenciais de acesso, criptografia de ponta a ponta e protocolos de validação reforçam a privacidade dos usuários, atendendo integralmente às normas vigentes. A solução combina transparência com proteção, atributo considerado essencial pelos integrantes do projeto.
Na gestão pública, o impacto imediato do portal recai sobre o índice de absenteísmo. Quando as informações chegam em tempo hábil, o paciente tende a comparecer ao exame ou consulta agendados, reduzindo remarcações que afetam a capacidade de atendimento do SUS. A diminuição de lacunas na agenda melhora o fluxo interno, otimiza a utilização de equipamentos e libera vagas para outros usuários.
O financiamento obtido a partir do edital do Ministério da Saúde cobre bolsas para os estudantes do IFMS, incentiva a produção científica local e consolida a cultura de inovação no câmpus de Três Lagoas. A experiência prática em projetos de impacto social fortalece a formação acadêmica, enquanto o município se beneficia de soluções voltadas às suas necessidades específicas.
Com o Portal da Transparência em fase de operação, as equipes já planejam novas ferramentas. Entre as prioridades estão sistemas de gestão de estoque de medicamentos, painéis de indicadores epidemiológicos e aplicativos de apoio à atenção básica. Todos eles seguem o mesmo modelo de desenvolvimento: identificação da demanda, concepção colaborativa e entrega de produtos que ampliem a eficiência do SUS.
Ao alinhar conhecimento acadêmico e demandas da saúde pública, o PET-Saúde: Informação e Saúde Digital estabelece um ecossistema de inovação em Três Lagoas. O envolvimento direto de professores, estudantes e profissionais do setor resulta em soluções concretas, que reforçam a transparência, reduzem custos operacionais e melhoram a experiência do usuário no atendimento do SUS.









