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Rodrigo Patussi defende gestão profissional e união do setor para ampliar rentabilidade no campo

O agronegócio brasileiro vive um momento de transição em que a fazenda deixa de ser guiada apenas pela intuição familiar e passa a exigir planejamento rigoroso, metas claras e controle de resultados. A avaliação é de Rodrigo Patussi, diretor da Terra Desenvolvimento Agropecuário, empresa responsável pelo Encontro de Gestores realizado no Bosque Expo e entrevistado pelo RCNmob.

Segundo o executivo, a sustentabilidade financeira das propriedades depende de método, sucessão bem estruturada e conhecimento técnico aplicado no dia a dia. Ele aponta que a rentabilidade está cada vez mais vinculada à capacidade de transformar objetivos em indicadores mensuráveis e acompanhar a execução de cada etapa da produção.

Evento focado em conteúdo técnico

Patussi relaciona o crescimento do Encontro de Gestores à proposta de concentrar especialistas e produtores em um ambiente dedicado à troca de experiências práticas. A intenção, afirma, não foi ampliar o público apenas em número, mas garantir participantes dispostos a compartilhar soluções que já funcionam no campo. Essa abordagem, acrescenta, fortaleceu o formato do evento e atraiu agentes que influenciam diretamente os resultados das fazendas.

Assessoria continuada

A Terra Desenvolvimento Agropecuário, organizadora do encontro, oferece acompanhamento permanente às propriedades, diferentemente de consultorias pontuais. O trabalho envolve definição de propósitos, conversão de metas em números e implantação de sistemas de gestão capazes de acompanhar custos, produtividade e desempenho de equipes. Patussi ressalta que a presença prática junto ao produtor facilita o ajuste de processos e consolida uma cultura corporativa focada em eficiência.

Mudança de mentalidade

Para o diretor, a principal virada do agro brasileiro está em enxergar a propriedade rural como um negócio estruturado, mesmo quando continua sob comando familiar. Ele observa que grande parte das empresas permanece nas mãos de pais e filhos, o que considera natural. A diferença é que agora se exige profissionalismo: departamentos definidos, responsabilidades distribuídas e decisões balizadas por dados. Na visão de Patussi, esse movimento já é perceptível no campo e tende a se intensificar.

Desafio da eficiência

Apesar dos avanços, o setor enfrenta gargalos relevantes. O mais urgente, de acordo com Patussi, é produzir o mesmo volume com menor desembolso financeiro. O foco recai sobre ganho de eficiência, busca por tecnologia adequada e melhoria da capacidade de transformar dados em decisões. O executivo entende que, diante da pressão de custos e da volatilidade de preços, somente a gestão criteriosa garante margens positivas.

Sucessão e mão de obra

A continuidade do negócio também depende de uma transição harmoniosa entre gerações. Patussi observa que não basta preparar herdeiros; é necessário formar equipes de campo prontas para assumir funções cada vez mais técnicas. Ele avalia que o setor já conta com profissionais qualificados, mas precisa ampliar treinamentos e atualizar rotinas de trabalho para manter a competitividade ao longo do tempo.

Dependência externa e industrialização

Outro ponto destacado é a vulnerabilidade do Brasil a insumos importados, especialmente fertilizantes. Patussi cita o avanço de Três Lagoas na atração de uma indústria do segmento como exemplo de iniciativa que reduz riscos associados a crises internacionais. Para ele, políticas públicas voltadas à expansão da base industrial são decisivas para baixar custos de produção e diminuir oscilações no planejamento das fazendas.

Articulação coletiva

Na avaliação do diretor, os produtores não conseguirão superar esses desafios de forma isolada. Ele defende maior união das entidades representativas para pleitear mudanças estruturais, como infraestrutura logística, crédito competitivo e incentivos à inovação. A combinação de gestão interna eficiente e articulação externa fortalecida, sustenta Patussi, criará condições para que o agronegócio alcance escala ainda maior sem comprometer a rentabilidade.

Papel do Encontro de Gestores

Diante desse contexto, o Encontro de Gestores se posiciona como espaço voltado a conteúdo aplicado, intercâmbio de experiências e disseminação de práticas empresariais. Patussi acredita que a soma de conhecimento, método e cooperação delineia o caminho para o próximo salto de produtividade do campo brasileiro. Ele reforça que, ao profissionalizar a administração das fazendas e ampliar a capacidade de diálogo do setor, o agro pode consolidar um modelo de negócio mais resiliente e competitivo.