A Petrobras assinou nesta quinta-feira (25) os contratos que viabilizam a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), em Três Lagoas (MS), oficializando a retomada de um projeto considerado estratégico para a produção nacional de insumos agrícolas. A cerimônia contou com a participação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que visitou o canteiro de obras, conversou com trabalhadores e acompanhou a formalização dos acordos comerciais.
Os contratos foram distribuídos em 11 lotes, modelo adotado para ampliar a concorrência e reduzir custos. Foram selecionadas a ETC Empreendimentos e Tecnologia em Construção, a Engeko Engenharia, o consórcio Enfil/Carioca, a Nova Engevix Engenharia e Projetos, o consórcio Monto Industrial/Mendes Júnior e a parceria Nova Engevix/PowerChina. Segundo a Petrobras, o formato resultou em economia estimada em R$ 620 milhões em relação ao orçamento inicial.
O Conselho de Administração da companhia havia aprovado, em abril de 2026, a continuidade do empreendimento após revisar a viabilidade econômica. A estatal projeta investir cerca de R$ 5 bilhões para finalizar a planta, com entrada em operação prevista para 2029, embora trabalhe para antecipar o início das atividades para 2028.
Iniciada em 2008, a construção da UFN-3 havia alcançado aproximadamente 81% de execução quando foi interrompida em 2014. Para a conclusão, serão necessários serviços de inspeção, revisão e recuperação de equipamentos, válvulas e sistemas que permaneceram inativos por quase uma década.
Quando estiver operando, a unidade terá capacidade de produzir 3.600 toneladas diárias de ureia granulada e 2.200 toneladas de amônia, o que representa cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano. Esse volume corresponde a cerca de 15% da demanda nacional do fertilizante, utilizado em culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão.
A retomada integra a estratégia do governo federal de fortalecer a indústria de fertilizantes e reduzir a dependência externa do insumo. Em discurso, o presidente Lula reforçou a meta de ampliar a produção interna para mais de 70% do consumo nacional, classificando a autossuficiência como elemento essencial de soberania alimentar.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que a UFN-3 simboliza a reconstrução da capacidade produtiva e da engenharia brasileira. Na ocasião, ela anunciou o programa Autonomia e Renda Três Lagoas, que oferecerá 1.400 vagas em cursos de formação e qualificação profissional em parceria com o Sesi, Senai e institutos federais, visando suprir a demanda de mão de obra da fábrica.
Segundo a estatal, a fase de construção deve gerar aproximadamente 8 mil postos de trabalho diretos e indiretos, com impactos positivos nos setores de comércio, transporte, hotelaria e alimentação do município e região. Além disso, a planta deverá utilizar gás natural proveniente da Bolívia combinado à produção própria da Petrobras para garantir o suprimento energético.
A ex-ministra do Planejamento e ex-prefeita de Três Lagoas, Simone Tebet, recordou a negociação da área destinada à implementação da fábrica e ressaltou a importância da integração do gás boliviano ao sistema nacional. Já o prefeito Cassiano Maia elogiou o trabalho de preservação das estruturas ao longo dos últimos 12 anos, o que permitiu a retomada imediata das intervenções civis e mecânicas.
A solenidade reuniu, além do presidente da República e da cúpula da Petrobras, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira; a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior; o vice-governador de Mato Grosso do Sul, José Carlos Barbosa; parlamentares federais e estaduais; representantes do poder municipal e dirigentes sindicais.
Com a UFN-3 em funcionamento, a Petrobras pretende ampliar sua participação no mercado de fertilizantes e, somada a outras unidades da empresa, alcançar cerca de 35% do consumo interno de ureia, contribuindo para maior segurança no abastecimento do agronegócio brasileiro.
A retomada da obra, diferenciada pelo fracionamento em lotes de execução e pela revisão completa de equipamentos, marca um novo ciclo de investimentos da companhia no segmento de fertilizantes, considerado fundamental para consolidar a competitividade do país no setor de alimentos.
As frentes de trabalho devem ser intensificadas nas próximas semanas, com inspeção detalhada de estruturas metálicas, sistemas elétricos, tubulações e reatores químicos. Parte do cronograma inclui atualização tecnológica para adequar a planta a padrões atuais de eficiência energética e segurança operacional.
Concluída a etapa de recuperação, a UFN-3 avançará para comissionamento, testes operacionais e, por fim, início da produção comercial. A expectativa da estatal é que a unidade contribua para diversificar sua carteira de produtos, gerar receita adicional e apoiar políticas públicas voltadas à redução da dependência externa de fertilizantes.









