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Polícia investiga desavença como possível motivo para morte de empresário em Campo Grande

O Setor de Investigações Gerais da 3ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande apura se uma discussão ocorrida na véspera está ligada ao assassinato do empresário Matheus Luiz de Castro Vasconcelos, de 22 anos. Ele foi morto a tiros na manhã de quarta-feira, 22, no bairro Parque dos Novos Estados, região norte da capital sul-matogrossense.

De acordo com o boletim de ocorrência, o crime aconteceu por volta de 6h30, quando Matheus conversava com um amigo na varanda de sua residência, localizada na Rua Itapuã. Dois homens chegaram em uma motocicleta, e o passageiro desceu do veículo usando balaclava. Em seguida, efetuou vários disparos em direção às vítimas. O amigo conseguiu correr e não foi atingido, enquanto o empresário recebeu os tiros concentrados em seu corpo.

Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas constataram o óbito no local. A perícia recolheu 16 estojos de munição calibre 9 milímetros espalhados pelo quintal. A testemunha informou que ambos os autores usavam balaclavas para cobrir o rosto e relatou que o atirador vestia um casaco vermelho-escuro.

Durante as primeiras diligências, policiais descobriram que, na tarde anterior ao crime, Matheus teria discutido com um homem que alugava um veículo SUV em nome da própria vítima. O carro foi devolvido um dia antes do homicídio com avaria na tampa traseira. Ao vistoriar o automóvel, a equipe encontrou embalagens e etiquetas de balaclavas e luvas térmicas, itens compatíveis com os acessórios descritos pela testemunha.

Além das embalagens, os investigadores recolheram um ticket de estacionamento, possivelmente emitido pelo Shopping Bosque dos Ipês. As imagens do circuito interno de monitoramento do centro comercial deverão ser solicitadas para verificar se o suspeito aparece adquirindo os produtos ou em outro comportamento relevante para a apuração.

Conforme levantamentos preliminares, o homem que discutiu com a vítima já seria alvo de investigação por agiotagem. Há relatos de que ele utilizaria armas de fogo para intimidar devedores e estaria oferecendo à venda uma pistola calibre 9 milímetros, o mesmo calibre das cápsulas encontradas no local do homicídio. A Polícia Civil avalia se a arma anunciada é a mesma empregada no ataque.

O caso foi registrado como homicídio qualificado por motivo fútil e também por recurso que dificultou a defesa da vítima, já que o empresário foi surpreendido em um momento de vulnerabilidade. A delegacia responsável concentra esforços para identificar a dupla envolvida, localizar o possível mandante e elucidar a sequência exata dos fatos que levaram ao crime.

Investigadores coletaram informações junto a familiares, amigos e vizinhos, além de iniciar a análise de câmeras de segurança da região da Rua Itapuã. O trajeto percorrido pela motocicleta antes e depois dos disparos é considerado peça-chave para confirmar a autoria e reconstruir a dinâmica do ataque.

Em paralelo, serão realizadas perícias complementares no SUV devolvido pelo suspeito, com foco em impressões digitais, vestígios biológicos e eventuais marcas de disparo. A intenção é verificar se o veículo foi usado no planejamento do crime ou na compra dos materiais apontados como acessórios dos executores.

Até o momento, não há informações sobre prisão de envolvidos. A Polícia Civil solicita que eventuais testemunhas entrem em contato para repassar dados que possam contribuir com as investigações. O inquérito segue em sigilo enquanto a equipe busca esclarecer a motivação exata, identificar todos os participantes e reunir provas que sustentem o indiciamento dos autores.