Pesquisar

Preços de fertilizantes fosfatados caem após fim das compras brasileiras

Insumos essenciais como o Superfosfato Simples chegam a recuar 30% - Foto: Reprodução/Internet

Os preços internacionais de fertilizantes fosfatados despencaram nas últimas semanas, depois de meses de alta impulsionada pela instabilidade no Oriente Médio. A queda foi impulsionada principalmente pelo esvaziamento da demanda brasileira, que encerrou o calendário de importações para a safra de soja.

Como um dos maiores compradores globais de insumos agrícolas, o Brasil dita o ritmo dos preços nas praças externas. Segundo levantamento da consultoria StoneX, a saída sazonal dos importadores brasileiros retirou a sustentação que mantinha os valores em patamares elevados.

O Superfosfato Simples (SSP) lidera a retração, registrando queda acumulada de aproximadamente 30% entre o início de maio e a última semana de agosto, depois de ter saltado cerca de 35% logo após o início do conflito no Oriente Médio. O Fosfato Monoamônico (MAP) apresenta recuo de cerca de 6% em comparação aos picos de maio, e o Superfosfato Triplo (TSP) acompanha a mesma trajetória descendente.

“Com a aproximação do plantio da soja, a maior parte das importações brasileiras destinadas à safra já foi realizada. Essa diminuição sazonal da demanda tende a reduzir a pressão compradora e contribui para a acomodação dos preços dos fosfatados”, explica Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Para o agricultor brasileiro, a desvalorização dos fertilizantes fosfatados representa um alívio após um período desafiador, marcado por custos elevados de produção, aperto nas linhas de crédito e margens estreitas para grãos como soja e milho. Contudo, o impacto prático da queda é limitado, pois a maioria dos produtores já adquiriu e recebeu os insumos antes do início dos trabalhos no campo.

Apesar do recuo recente, analistas da StoneX avaliam que o espaço para novas baixas expressivas permanece estreito. O principal fator de resistência é o enxofre, insumo fundamental para a fabricação dos adubos fosfatados, que segue negociado em patamares elevados no mercado global. Além dos custos com matérias-primas, o cenário logístico e produtivo global continua adicionando incertezas à cadeia de suprimentos.

“Embora a demanda brasileira esteja enfraquecendo, outros fatores seguem sustentando os custos da cadeia produtiva. A redução da produção de fosfatados em alguns países, os desafios logísticos no Oriente Médio e as perspectivas pouco favoráveis para os compradores de enxofre dificultam a consolidação de uma visão mais baixista para os consumidores globais de fosfatados neste momento”, pontua Pernías.

Para os próximos meses, o setor agrícola continuará atento ao ritmo da oferta global, à volatilidade dos preços do enxofre e aos desdobramentos geopolíticos externos, variáveis que ditarão os custos das próximas etapas do calendário agrícola.