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Justiça mantém prisão preventiva de acusado de matar namorada a facadas em Fátima do Sul

A Justiça de Mato Grosso do Sul converteu em preventiva a prisão em flagrante de Vagner dos Santos Ferreira, 25 anos, suspeito de matar a namorada Paula Souza Conceição, 29 anos, na madrugada de sábado, 11 de novembro, em Fátima do Sul. A decisão ocorreu durante audiência de custódia na segunda-feira, 13, e resultou na transferência do investigado para a Penitenciária Estadual de Dourados (PED), onde permanece à disposição do Judiciário.

O crime foi registrado na residência da vítima, situada no bairro Jardim Pioneiro. Segundo informações do boletim de ocorrência e do inquérito conduzido pela Polícia Civil, o casal consumia bebida alcoólica quando iniciou uma discussão que evoluiu para agressões físicas. Em determinado momento, o suspeito teria desferido um golpe de faca no abdômen de Paula.

Uma segunda mulher, que também se encontrava na casa, relatou ter sido ameaçada pelo investigado. De acordo com o depoimento, ela conseguiu fugir quando percebeu que Vagner avançava em sua direção com a faca, e buscou ajuda na vizinhança. A testemunha será ouvida novamente para complementar o relato.

Após a agressão, Paula recebeu atendimento inicial no hospital da Sociedade Integrada de Assistência Social (SIAS) em Fátima do Sul. Em razão da gravidade do ferimento, ela foi encaminhada ao Hospital da Vida, em Dourados, onde passou por cirurgia de emergência. A vítima sofreu paradas cardiorrespiratórias durante o procedimento e não resistiu aos ferimentos.

Em depoimento à Polícia Civil, Vagner afirmou que o desentendimento começou por ciúmes. Segundo sua versão, Paula teria se irritado ao vê-lo conversando com outra mulher, o que teria levado à discussão. O investigado declarou que pretendia “apenas dar um susto” na companheira para encerrar as agressões, mas reconheceu ter golpeado a vítima. A polícia informou que o relato será confrontado com elementos periciais e demais provas colhidas ao longo do inquérito.

Os investigadores apuraram ainda que, logo após o ataque, o suspeito teria lavado a faca utilizada no crime e guardado o objeto em uma gaveta da cozinha. Durante a perícia na residência, a arma foi localizada e apreendida, compondo parte do conjunto probatório.

A conversão da prisão em flagrante para preventiva foi solicitada pelo Ministério Público e acatada pelo Poder Judiciário. Na decisão, o juiz competente considerou a gravidade dos fatos, a necessidade de garantir a ordem pública e a conveniência da instrução criminal. Com a medida, não há prazo definido para a permanência de Vagner no sistema prisional enquanto o processo estiver em andamento.

O inquérito policial foi instaurado sob a tipificação de feminicídio, qualificadora prevista quando o homicídio é praticado contra mulher em contexto de violência doméstica ou em razão de menosprezo ou discriminação de gênero. A Polícia Civil ainda colhe depoimentos de vizinhos, familiares e profissionais de saúde que prestaram atendimento à vítima, além de aguardar laudos periciais sobre a arma branca e sobre o local do crime.

Os investigadores também analisam imagens de câmeras de segurança próximas ao endereço, com o objetivo de identificar a sequência de eventos antes e depois da agressão, bem como a rota de fuga do suspeito até sua prisão em flagrante, ocorrida pouco tempo após o crime. A apuração deverá esclarecer a dinâmica exata dos fatos e a eventual participação de terceiros.

Com a prisão preventiva decretada, Vagner dos Santos Ferreira permanecerá custodiado na PED, unidade de segurança localizada em Dourados. A defesa poderá solicitar nova análise da medida cautelar, mas, até o momento, não foram apresentados pedidos de relaxamento ou de substituição por medidas alternativas.

O prazo legal para conclusão do inquérito é de 30 dias, podendo ser prorrogado mediante autorização judicial. Encerrada a investigação, o Ministério Público decidirá sobre a formalização da denúncia, dando início à fase processual em que serão analisadas provas, depoimentos e eventuais contraprovas apresentadas pela defesa. Enquanto isso, o acusado segue respondendo pelo delito de feminicídio e permanece detido preventivamente.

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