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Projeto MIT Agro leva Mitsubishi às fazendas e adapta picapes às necessidades do campo

No Showtec 2026, em Maracaju (MS), a Mitsubishi do Brasil apresentou os resultados do MIT Agro, iniciativa criada para compreender as exigências do trabalho rural e, a partir delas, ajustar suas picapes. O programa, liderado por Ricardo Sufi, foi lançado há quase três anos com a proposta de acompanhar de perto a rotina de agricultores e pecuaristas em diferentes regiões do país.

Desde o início, a equipe responsável percorreu cerca de 70 propriedades, distribuídas por vários estados. As visitas incluem fazendas de grãos, propriedades dedicadas à pecuária e unidades que combinam as duas atividades. Segundo Sufi, essa abordagem ampla evita restringir a escuta a uma cultura agrícola específica e amplia o diagnóstico das demandas no campo.

O trabalho segue um roteiro prático. A marca envia técnicos e representantes comerciais para passar o dia nas propriedades, acompanhando as operações de transporte de insumos, deslocamento em estradas de terra e uso diário dos veículos. Nesse ambiente, são avaliados itens como capacidade de carga, desempenho fora de estrada, consumo de combustível, conforto da cabine e recursos de tecnologia embarcada. As observações e as conversas com os produtores alimentam relatórios que chegam ao centro de desenvolvimento da montadora.

A partir desse processo, a Mitsubishi identifica pontos que podem ser aprimorados ou incorporados nas próximas versões de seus modelos. Embora o foco seja a picape L200 Triton, outros veículos também entram na análise quando surgem demandas relacionadas a conforto ou conectividade. A montadora considera quesitos como ergonomia dos bancos, facilidade de limpeza interna, resistência de componentes externos e oferta de acessórios úteis à atividade agropecuária.

Em 2024, a agenda de campo contemplou regiões do Sul, com visitas a Santa Catarina e Uruguaiana (RS), além de Dourados e Maracaju (MS). Para os próximos meses, o grupo planeja deslocamentos a fazendas no Mato Grosso, em Porto Velho (RO), em Rio Verde (GO) e em municípios de Minas Gerais, ampliando o raio de atuação para diferentes biomas e realidades produtivas.

Um resultado direto da escuta foi o desenvolvimento da versão Triton Terra. O modelo recebeu itens solicitados pelos produtores, como protetores adicionais, ajustes na suspensão e soluções orientadas à praticidade no dia a dia rural. De acordo com Sufi, a configuração representa um “raio-x” das demandas coletadas durante as visitas, traduzindo em produto as recomendações apresentadas pelos usuários.

A L200 Triton tem projeto japonês, mas é fabricada no Brasil, na planta de Catalão (GO). Essa característica permite à filial realizar adaptações voltadas ao mercado local sem alterações estruturais que dependem da matriz. Segundo o líder do MIT Agro, a montagem nacional oferece flexibilidade para incorporar detalhes identificados nas fazendas, ainda que grandes mudanças continuem sujeitas ao cronograma global de engenharia.

Além da robustez para enfrentar estradas irregulares, a montadora passou a considerar aspectos antes vistos como secundários no segmento. Conforto nos longos deslocamentos, sistemas de infotainment compatíveis com áreas de sinal limitado e facilidade de manutenção ganharam espaço nas discussões internas. A meta é criar um pacote capaz de equilibrar desempenho, durabilidade e conveniência, atendendo tanto o produtor que roda dentro da fazenda quanto o que percorre rodovias para transportar insumos ou animais.

Os produtores entrevistados, segundo Sufi, valorizam a iniciativa pela sensação de parceria. O líder do projeto afirma que, ao perceber uma montadora disposta a ouvir e retornar às propriedades com soluções concretas, o cliente rural passa a enxergar a marca como aliada. Esse efeito, avalia ele, favorece a fidelização em um mercado tradicionalmente exigente e sensível a custos operacionais.

O MIT Agro não possui prazo para encerrar as atividades. A intenção declarada é manter a presença contínua nas fazendas, atualizando o entendimento sobre a evolução do agronegócio nacional. A equipe planeja revisitar algumas propriedades para acompanhar mudanças na infraestrutura e verificar se os ajustes feitos nos veículos resultaram em ganhos práticos.

Para a Mitsubishi, o programa atua como um canal de feedback direto, complementando pesquisas de mercado e testes de laboratório. A convivência com quem usa a caminhonete diariamente orienta decisões sobre novas séries, acessórios e pacotes de serviços pós-venda. Na avaliação da empresa, a proximidade com o usuário final se converte em vantagem competitiva na hora de lançar atualizações ou definir estratégias comerciais.

Durante o Showtec 2026, a mensagem principal compartilhada pela marca foi que o avanço da tecnologia automotiva para o agronegócio depende de uma escuta ativa e permanente. Ao transformar a fazenda em espaço de desenvolvimento, a Mitsubishi busca alinhar seus veículos às condições reais de uso e fortalecer sua posição em um segmento que exige resistência, adaptação e assistência constante.

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