O Governo de Mato Grosso do Sul renovou o acordo de cooperação técnica com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e garantiu a continuidade dos estudos ambientais e urbanísticos que irão fundamentar o novo Plano Diretor de Bonito. A prorrogação estende as pesquisas, que venceriam no domingo, 26, até maio de 2027.
Com investimento de R$ 3,1 milhões, o trabalho é conduzido por especialistas da Coppe, centro de pós-graduação e pesquisa em engenharia da UFRJ. O objetivo central é avaliar a capacidade de suporte do ecossistema local, produzir um diagnóstico completo do Rio Formoso e, a partir desses dados, indicar medidas para que o município mantenha o crescimento turístico e econômico em bases sustentáveis.
Motivos para a ampliação do prazo
A equipe técnica precisava de mais tempo para observar o comportamento do ambiente em diferentes estações do ano. Em Bonito, fatores como intensidade de chuvas, período de seca e fluxo de visitantes variam consideravelmente entre os meses, influenciando diretamente a transparência dos rios de águas cristalinas que caracterizam a região. A coleta seriada de informações durante ciclos climáticos completos foi considerada essencial para registrar oscilações naturais e impactos gerados por atividades humanas.
Três frentes de monitoramento
Os pesquisadores atuam em três linhas principais de investigação:
1. Proteção das nascentes — mapeamento de banhados e pontos de água subterrânea que alimentam o Rio Formoso, identificando áreas sensíveis e eventuais pressões antrópicas.
2. Qualidade da água — realização de análises periódicas para medir transparência, presença de sedimentos e capacidade de diluição de resíduos, de modo a verificar o limite de alterações sem perda das características naturais.
3. Limite do turismo — estudos de capacidade de carga de cada atrativo, com contagem de visitantes e avaliação dos efeitos de pisoteio, movimentação de embarcações e geração de resíduos sólidos nas margens e nos leitos dos cursos d’água.

Imagem: Reprodução
Aplicação dos resultados
As informações coletadas subsidiarão a atualização do Plano Diretor de Bonito, documento legal que define zonas de ocupação e uso do solo. Com base nas conclusões científicas, a prefeitura deverá estabelecer:
- Áreas aptas à expansão urbana, com parâmetros para edificações;
- Regiões agrícolas sujeitas a restrições quanto a insumos e práticas de manejo;
- Porções de vegetação nativa que exigem proteção integral.
A expectativa é que o plano atualizado concilie demanda por infraestrutura, preservação do patrimônio natural e segurança hídrica, aspectos considerados decisivos para a manutenção da atividade turística local.
Pressão por respostas ao Rio Formoso
O avanço dos estudos atende a cobranças do Grupo de Trabalho do Rio Formoso, criado para prevenir episódios de turbidez e deposição de lama nas águas que abastecem balneários, sistemas de abastecimento e propriedades rurais. O GT solicitava análises mais longas para compreender o efeito acumulado de chuvas fortes, desmatamento de encostas e intensificação do turismo em áreas sensíveis.
Próximos passos
Durante o período adicional de três anos, os pesquisadores continuarão realizando medições de campo, processamento de dados laboratoriais e atualização de mapas temáticos. A cada ciclo avaliado, relatórios parciais serão enviados à administração municipal, à Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul e a órgãos de controle ambiental estaduais e federais. A versão final do estudo, prevista para o primeiro semestre de 2027, servirá de base técnica para as audiências públicas que antecedem a votação do novo Plano Diretor na Câmara Municipal.
Segundo a projeção do governo estadual, a consolidação das diretrizes de uso do solo contribuirá para minimizar conflitos fundiários, orientar investimentos em infraestrutura turística e reduzir o risco de episódios de degradação que possam comprometer a principal fonte de renda de Bonito. A renovação do acordo entre o Estado e a UFRJ assegura os recursos necessários para completar o monitoramento em longo prazo e viabilizar a entrega do diagnóstico ambiental abrangente exigido pelo município.






