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Queda de 8% no preço da ureia em três semanas não destrava mercado de fertilizantes no Brasil

O mercado brasileiro de fertilizantes nitrogenados mantém tendência de baixa, mas a retração ainda não se converte em maior volume de negócios. Nas últimas três semanas, o preço da ureia acumulou recuo de aproximadamente 8%, segundo levantamento da área de Inteligência de Mercado da StoneX. Apesar da correção, distribuidores e produtores seguem cautelosos, evitando aumentar estoques em meio à possibilidade de novas desvalorizações.

Panorama de preços

A queda observada na ureia acompanha movimento semelhante em outros nitrogênios, como nitrato de amônio e sulfato de amônio. Mesmo assim, a cotação da ureia continua cerca de 53% acima dos níveis registrados antes do agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, fator que elevou custos logísticos e restringiu parte da oferta global. Esse diferencial mantém a relação de troca entre fertilizante e commodities agrícolas em patamar desfavorável ao produtor, o que ajuda a explicar a ausência de demanda mais firme.

No mercado interno, o produto chega ao consumidor final com valores considerados elevados para esta época do ano. Tradicionalmente, o início do segundo trimestre apresenta menor movimentação comercial, mas a combinação entre preços ainda altos e incerteza cambial amplia a aversão ao risco. Com isso, operações pontuais substituem contratos de maior porte, limitando a liquidez.

Fatores que influenciam a demanda

O enfraquecimento do consumo global de nitrogênio, citado pela StoneX, reduz a sustentação dos preços nos principais polos de produção. Entretanto, essa menor demanda externa não tem sido suficiente para destravar o mercado brasileiro. Os produtores rurais preferem postergar compras, na expectativa de condições mais favoráveis de troca com soja, milho e outros grãos.

A relação de troca é considerada uma das piores dos últimos anos. Mesmo com a queda recente, a receita obtida com a venda de uma tonelada de soja ou de milho ainda compra menos fertilizante do que em safras anteriores. Esse cenário diminui o incentivo à antecipação de compras, normalmente realizada por produtores que buscam garantir a adubação antes do início do plantio principal.

Distribuidores locais também adotam postura defensiva. A possibilidade de novas reduções de preço eleva o risco de desvalorização do estoque, reação que leva muitas empresas a operar com volumes mínimos. Em ambiente de volatilidade, a gestão de caixa ganha importância, influenciando decisões de compra parcimoniosas e, por consequência, reduzindo ainda mais a liquidez geral.

Oferta pressionada por gargalos logísticos

Embora a demanda global esteja mais fraca, alguns entraves logísticos continuam limitando a oferta no curto prazo. O fechamento parcial do Estreito de Ormuz, rota estratégica para exportação de fertilizantes produzidos no Oriente Médio, mantém incertezas sobre a disponibilidade de carga. Esse risco de restrição sustenta prêmios de segurança no frete e impede quedas mais acentuadas nos preços internacionais, servindo como contrapeso à pressão baixista da demanda menor.

No Brasil, a maior parte da ureia é importada. Qualquer dificuldade adicional no transporte marítimo impacta diretamente o custo de internalização do produto. Assim, mesmo quando a matéria-prima no exterior apresenta recuo, parte desse movimento pode ser neutralizada por aumento no frete ou pelo câmbio desfavorável, fatores constantemente monitorados pelos participantes do mercado.

Perspectivas para o curto prazo

A expectativa predominante é de que o segmento permaneça travado enquanto não houver melhora significativa na rentabilidade das atividades agrícolas ou acomodação mais firme dos preços do fertilizante em patamar considerado atrativo. A evolução das cotações das principais commodities, a oscilação do real frente ao dólar e os desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio formam o conjunto de variáveis determinantes para a definição de estratégias de compra.

Outro ponto de atenção é o calendário de plantio da próxima safra de verão. Caso as relações de troca não apresentem recuperação até próximos meses, existe a possibilidade de parte dos produtores reduzir doses de adubação, prática que já foi observada em ciclos anteriores sob cenários semelhantes. Essa escolha, entretanto, pode afetar o potencial produtivo, adicionando risco à safra e, por extensão, ao suprimento interno de grãos.

Enquanto isso, os analistas continuam avaliando a possibilidade de novas correções negativas. A ocorrência de um eventual afrouxamento logístico ou a queda adicional no preço do gás natural – principal insumo da ureia – pode direcionar cotações internacionais para patamares mais baixos. Por outro lado, qualquer escalada de tensões no Oriente Médio, ou mesmo dificuldades no transporte marítimo, tende a manter o mercado sustentado.

Diante dessas variáveis, agentes do setor indicam que o ritmo de negócios deve seguir abaixo do potencial histórico. Somente quando o equilíbrio entre custo do fertilizante e retorno esperado da lavoura apresentar sinais claros de melhora, a reposição de estoques pode ganhar fôlego. Até lá, a prudência continua norteando a tomada de decisão de produtores e distribuidores, prolongando a fase de baixo volume negociado, mesmo em um ambiente de preços em queda.

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