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Queima prescrita no Parque Várzeas do Rio Ivinhema integra estratégia de prevenção a incêndios em Mato Grosso do Sul

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul realizou, de 1º a 4 de maio, uma operação de queima prescrita no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema, localizado na Bacia do Rio Paraná e distribuído pelos municípios de Taquarussu, Naviraí e Jateí. A ação faz parte do programa estadual de Manejo Integrado do Fogo (MIF), voltado à redução da biomassa acumulada nos biomas do estado e, consequentemente, à diminuição do risco de incêndios de grandes proporções durante o período de estiagem.

Com 73,3 mil hectares de área protegida, o parque recebeu equipes especializadas do Corpo de Bombeiros, viaturas de combate a incêndios e apoio técnico do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), órgão responsável pela administração da unidade de conservação. A operação foi planejada a partir de estudos climáticos que indicam aumento de temperatura e irregularidade das chuvas até 2026, em razão da influência do fenômeno El Niño, situação que eleva a vulnerabilidade de áreas naturais a queimadas.

Antes do início dos trabalhos, os militares mapearam os setores selecionados para a queima com o uso de geotecnologias. Drones equipados com câmeras térmicas e sensores infravermelhos permitiram o monitoramento contínuo, inclusive durante o período noturno, recurso essencial para identificar focos de calor, acompanhar o avanço das chamas e detectar a presença de fauna silvestre. Essa etapa foi complementada pela abertura de aceiros, faixas de solo sem vegetação que funcionam como barreiras físicas contra a propagação do fogo.

A execução do manejo ocorreu na parte mais quente do dia, quando a temperatura local ultrapassava 30 graus Celsius. O planejamento previu que, com a queda gradual da temperatura ao fim da tarde, o aumento da umidade relativa do ar e a formação de orvalho favoreceriam a perda de intensidade das chamas, que se extinguiram de forma natural sob supervisão constante das equipes em solo. Esse controle rigoroso visa eliminar o excedente de material combustível sem comprometer a vegetação nativa nem colocar em risco a fauna.

O Manejo Integrado do Fogo adotado pelo governo estadual foi reforçado em 2023 e inclui ações de prevenção, controle e supressão de incêndios em áreas de Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. A técnica de queima prescrita — fogo aplicado de maneira planejada, em condições ambientais específicas e dentro de áreas previamente delimitadas — também contribui para suprimir espécies vegetais exóticas, favorecer a regeneração de gramíneas e criar zonas tampão que dificultam a propagação de incêndios não controlados durante a temporada seca.

Responsável pela condução da operação, o capitão Samuel Pedrozo destacou que o uso estratégico do fogo fortalece a prevenção e amplia a capacidade de resposta em eventuais emergências. De acordo com o gerente de Unidades de Conservação do Imasul, Leonardo Tostes, o manejo periódico em unidades de conservação é ferramenta fundamental para manter o equilíbrio ecológico e proteger a biodiversidade. Guardas-parques que atuam nas Várzeas do Rio Ivinhema relatam ainda que a aplicação controlada do fogo cria condições para que animais se refugiem, reduz em larga escala a disponibilidade de combustível vegetal e impede a formação de incêndios de alta intensidade verificados em anos anteriores.

A experiência no parque sul-mato-grossense não é isolada. Em 2023, a primeira queima prescrita em área pantaneira do estado foi conduzida no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, unidade de 78,3 mil hectares situada entre os municípios de Aquidauana e Corumbá. O resultado positivo naquela ocasião reforçou a adoção da técnica em outras regiões, ampliando a política pública voltada à proteção de ecossistemas e propriedades rurais adjacentes às áreas de risco.

O subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Teixeira, explica que o objetivo do programa permanece centrado na redução dos impactos ambientais e na defesa de comunidades próximas. A antecipação das ações, aliada a tecnologias de monitoramento remoto e à capacitação contínua das equipes, busca assegurar maior eficiência tanto na prevenção como no combate a incêndios florestais que, durante a estação seca, podem atingir níveis críticos e ameaçar a integridade de unidades de conservação em todo o estado.

Com a conclusão da operação no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema, o Corpo de Bombeiros e o Imasul avaliam agora os resultados imediatos do manejo, como a área efetivamente tratada, a quantidade de biomassa removida e os reflexos sobre a fauna local. Esses dados serão incorporados ao planejamento das próximas ações submetidas ao Manejo Integrado do Fogo, que deverá abranger outras unidades de conservação antes do período crítico de estiagem em 2024.