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Safra recorde no Brasil deve derrubar preços do café a partir do 3º trimestre de 2026, indica estudo

O mercado internacional de café projeta redução consistente nos preços a partir do terceiro trimestre de 2026. A principal razão para a tendência de recuo é a colheita recorde prevista para o Brasil na temporada 2026/27, estimada em 75,3 milhões de sacas, volume 20,8% superior ao da safra anterior, segundo a 36ª edição do relatório de commodities da consultoria StoneX.

Com essa oferta, analistas calculam um excedente global em torno de 10 milhões de sacas no segundo semestre de 2026, revertendo o déficit que sustentou as cotações elevadas nos últimos anos. A perspectiva de abundância já se reflete nos contratos futuros: o arábica renovou as mínimas de dezoito meses e o robusta atingiu patamares não vistos em quase um ano.

O levantamento detalha a contribuição das duas principais variedades brasileiras. Para o arábica, a expectativa é de 50,2 milhões de sacas, avanço de 37,5% em relação ao ciclo 2025/26. No caso do conilon (robusta), a produção deve alcançar 25,1 milhões de sacas, consolidando a expansão da cultura em estados como Espírito Santo, Rondônia e Bahia.

Além do desempenho brasileiro, o Vietnã — maior produtor mundial de robusta — prevê colher 32,5 milhões de sacas no mesmo período. A combinação dos dois fornecedores eleva o potencial de oferta e reforça a projeção de recuo dos preços internacionais.

Embora os contratos futuros tenham cedido, os valores praticados no varejo e nos negócios físicos ainda apresentam ritmo de queda lento. Estoques de curto prazo permanecem reduzidos e parte dos produtores optou por postergar vendas para tentar capturar margens melhores. Chuvas pontuais no início do inverno também atrasaram a colheita nacional, conferindo sustentação temporária às cotações internas.

A StoneX observa que a liberação gradual de estoques por cooperativas, exportadores e agricultores deve limitar movimentos de alta expressiva durante o trimestre de colheita. Esses volumes foram armazenados nos picos de preço de 2024 e 2025 e começaram a retornar ao mercado justamente quando a oferta aumenta.

Do lado da demanda, o consumo global segue resiliente apesar da inflação observada em diversos países. Entre os destaques, a consultoria menciona o próprio Vietnã, onde a expansão de cafeterias impulsiona o consumo doméstico. A expectativa é que o mercado interno vietnamita alcance 5 milhões de sacas em 2026/27, novo recorde para o país.

Mesmo com a recuperação do balanço entre oferta e demanda, a consultoria chama atenção para fatores de volatilidade. Modelos meteorológicos apontam probabilidade superior a 80% de manutenção do fenômeno El Niño no segundo semestre deste ano. Caso persista com forte intensidade, o evento climático pode trazer seca e temperaturas elevadas a importantes áreas produtoras brasileiras, especialmente em Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.

O impacto do clima adverso não deve comprometer a safra recorde de 2026/27, mas pode afetar a florada que define a produção de 2027/28, prevista para ocorrer entre setembro e outubro. Problemas nesse período sensível podem reduzir a produtividade futura e, consequentemente, reverter o alívio nos preços a partir do ano seguinte.

Até lá, o mercado opera em transição: a escassez que marcou as últimas temporadas dá lugar a um cenário de maior disponibilidade, mas sujeito a ajustes conforme o andamento da colheita, o ritmo de liberação de estoques e as condições climáticas. A expectativa predominante entre operadores é de que os valores venham a se acomodar em patamares mais baixos no segundo semestre de 2026, beneficiando torrefadoras, indústrias de bebidas e consumidores finais.

Em síntese, a projeção de 75,3 milhões de sacas produzidas pelo Brasil, somada à safra robusta do Vietnã, aponta para um excedente histórico de grãos no mercado internacional. A oferta ampla tende a pressionar as cotações, mas o efeito pleno sobre os preços ao consumidor dependerá da velocidade de comercialização da safra, do comportamento da demanda e da evolução do clima nos próximos ciclos agrícolas.