Um homem identificado pelo apelido de Matadinha morreu na noite de 30 de maio durante uma ação da Polícia Civil no bairro Vila Dourado, em Aparecida do Taboado, Mato Grosso do Sul. A operação, batizada de Argos 3, foi deflagrada para conter a expansão de facções criminosas no município e apurar a autoria de um atentado ocorrido no Bar do Nono, onde duas pessoas foram alvejadas por 13 disparos de arma de fogo.
Segundo o boletim de ocorrência, as investigações que levaram ao endereço de Matadinha começaram logo após o ataque no bar. A linha de apuração ganhou força quando um suspeito preso em Paranaíba confessou participação no crime e indicou a existência de uma célula criminosa na região. Durante o depoimento, ele apontou Matadinha como responsável por prestar apoio logístico ao grupo e por ocultar a arma utilizada no atentado.
Com essas informações, agentes da Polícia Civil passaram a monitorar o suspeito e obtiveram indícios de que ele continuava atuando dentro da organização. De acordo com a investigação, o homem exercia função de guarda de armamento e mantinha contato direto com integrantes que planejavam novos ataques contra rivais. O cerco foi montado após a confirmação de que o suspeito permanecia em um imóvel na Vila Dourado, local considerado estratégico para a facção.
Quando as equipes chegaram ao endereço, por volta das 20h, os agentes anunciaram a abordagem. Conforme o relato policial, Matadinha correu para o interior da residência ao perceber a presença das viaturas. Na sequência, os investigadores entraram no imóvel e localizaram o homem ainda armado com um revólver. Os policiais afirmam ter ordenado que ele largasse o armamento, mas o suspeito teria feito menção de apontar a arma na direção da equipe.
Diante da ameaça, os agentes efetuaram disparos. O suspeito foi atingido e morreu no local antes da chegada do socorro. A perícia foi acionada para os procedimentos de levantamento de vestígios, e o corpo encaminhado para exame necroscópico. Nenhum policial ficou ferido na operação.
Durante a busca no imóvel, os agentes recolheram o revólver que estaria nas mãos do suspeito e apreenderam duas motocicletas. Uma delas, segundo a Polícia Civil, foi utilizada no atentado ao Bar do Nono. A outra, uma Honda Biz prata, não tinha restrição de furto ou roubo, mas será periciada para verificar possível utilização em atividades criminosas.
Os policiais também encontraram aproximadamente 400 gramas de maconha e porções menores já fracionadas para venda. A descoberta reforçou a suspeita de que o local servia de ponto de armazenamento de drogas e de apoio logístico à facção que atua em Aparecida do Taboado e cidades vizinhas. Com isso, a investigação passou a abranger, além da tentativa de homicídio, crimes de tráfico de entorpecentes e associação criminosa.
O registro da ocorrência incluiu ainda os crimes de resistência, porte ilegal de arma de fogo e tentativa de homicídio contra agente de segurança pública, uma vez que, segundo o boletim, o suspeito apontou o revólver na direção dos policiais. Todos os materiais recolhidos foram encaminhados para análise técnica no Instituto de Criminalística de Três Lagoas.
A Operação Argos 3 é uma das frentes montadas pela Polícia Civil para responder à série de episódios violentos atribuídos a facções que disputam território em Mato Grosso do Sul. De acordo com a corporação, a força-tarefa reúne delegacias especializadas e tem como objetivo desarticular lideranças, apreender armas e reduzir a incidência de ataques na região de fronteira do estado.
Enquanto a perícia finaliza os laudos e a necropsia, investigadores prosseguem na identificação de outros envolvidos no atentado ao Bar do Nono e na rede de apoio que, conforme a polícia, fornecia logística, armas e drogas ao grupo. Novas diligências e possíveis mandados de prisão poderão ser cumpridos nos próximos dias, a depender do avanço das análises de dados telefônicos e digitais apreendidos durante a ação.









