Três Lagoas somou 586 acidentes de trânsito nos quatro primeiros meses de 2026, conforme levantamento do Departamento Municipal de Trânsito. O balanço, que engloba o período de janeiro a abril, aponta 318 ocorrências sem vítimas, 266 com vítimas não fatais e cinco registros de óbito. A média diária ficou em 4,877 ocorrências.
Os dados mostram ainda que a maior parte das mortes envolveu homens conduzindo motocicletas. Entre os cenários identificados constam colisões entre motocicleta e automóvel, entre motocicleta e carreta, choque de veículo contra poste e colisão envolvendo automóvel e ônibus. Em um dos casos fatais, o condutor de um carro não sobreviveu após bater em um coletivo.
A comparação com o mesmo quadrimestre de 2025 revela aumento na letalidade, embora o número total de acidentes tenha diminuído. Entre janeiro e abril do ano passado foram registrados 653 sinistros, sendo 402 sem vítimas, 250 com vítimas não fatais e uma morte. Ou seja, a quantidade de ocorrências caiu 10,27%, mas o número de vítimas fatais quintuplicou.
O levantamento também recorda o comportamento do trânsito ao longo de todo o ano de 2025. No fechamento daquele exercício, Três Lagoas contabilizava 1.995 acidentes, dos quais 1.148 sem vítimas, 839 com vítimas e oito com resultado fatal. A média diária, nesse recorte anual, foi de 5,536 registros.
Cenário atual exige reforço de medidas preventivas
Para o diretor do Departamento de Trânsito, José Aparecido de Moraes, a elevação nas mortes, mesmo diante da queda no total de ocorrências, reforça a necessidade de intensificar políticas de segurança viária. Entre as estratégias defendidas pelo gestor estão a ampliação de campanhas de educação no trânsito, o aperfeiçoamento da sinalização e ações integradas de fiscalização.
Moraes observa que os acidentes envolvendo motociclistas permanecem como um dos principais pontos de atenção. De acordo com o dirigente, a vulnerabilidade desses condutores, aliada a fatores como excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares e desrespeito às normas de circulação, contribui de forma significativa para os índices de gravidade.
Perfis de acidentes e horários críticos
O relatório do departamento identifica que colisões laterais e frontais entre veículos leves e motos estão entre as modalidades mais frequentes. Já nos casos de maior severidade, a incidência de impacto direto contra objetos fixos, como postes, também se destaca. A autarquia aponta que boa parte dos sinistros ocorre em trechos urbanos com fluxo intenso e em horários de pico, especialmente no início da manhã e no fim da tarde.
Além do fator humano, problemas de infraestrutura viária, como iluminação insuficiente e sinalização desgastada, são mencionados como elementos que potencializam o risco de acidentes. O órgão municipal estuda intervenções pontuais em cruzamentos considerados críticos, incluindo a instalação de semáforos, redutores de velocidade e reforço na pintura de faixas.
Ações planejadas para 2026
Entre as metas delineadas para o restante do ano estão programas de fiscalização educativa, parcerias com instituições de ensino para conscientização de novos condutores e campanhas específicas voltadas a motociclistas. A autarquia também pretende monitorar mensalmente os indicadores de sinistralidade, a fim de ajustar rapidamente as ações onde houver piora nos números.
O departamento destaca, ainda, a importância da participação da sociedade. Segundo a unidade, o engajamento de empresas de transporte, motofretistas, autoescolas e organizações da sociedade civil pode ampliar o alcance das iniciativas e favorecer mudanças de comportamento no trânsito.
Enquanto as medidas não produzem efeitos mensuráveis, Três Lagoas mantém atenção redobrada ao comportamento das estatísticas locais. Até que novo balanço seja divulgado, os dados do primeiro quadrimestre de 2026 servem como alerta para a urgência de ações conjuntas entre poder público e população, com o objetivo de reduzir a frequência e a gravidade dos acidentes nas vias do município.









