Três Lagoas registrou 21 casos confirmados de dengue desde o início de 2026 até a 16ª semana epidemiológica, sem ocorrência de óbitos no período. As informações constam no boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde nesta quarta-feira, 30. No mesmo intervalo, o município notificou 212 suspeitas da doença, das quais 173 foram descartadas após investigação clínica e laboratorial.
Os dados oficiais indicam aumento recente na circulação do vírus. Somente nos últimos 30 dias, foram protocoladas 45 notificações de dengue, volume que reforça a tendência de crescimento identificada ao longo do primeiro quadrimestre. O pico semanal foi observado na semana 11, quando a pasta registrou 29 atendimentos suspeitos.
Exames laboratoriais e identificação do sorotipo DENV-3
Entre os exames realizados, 102 amostras passaram por teste de isolamento viral. Quatro delas apresentaram resultado positivo para o sorotipo DENV-3, enquanto 98 tiveram resultado negativo. A presença de DENV-3 em parte das amostras reforça a necessidade de monitoramento constante, pois cada sorotipo pode desencadear quadros clínicos de gravidade diferente e afetar a dinâmica de transmissão na comunidade.
Distribuição mensal das notificações
O boletim detalha o comportamento da doença mês a mês. Em janeiro, a Secretaria Municipal de Saúde recebeu 63 notificações de dengue. Fevereiro registrou leve recuo, com 36 ocorrências, mas março concentrou o maior volume até o momento: 81 registros. Em abril, até o fechamento do relatório, foram contabilizados 33 casos suspeitos. Esse recorte confirma a progressão gradual das notificações ao longo do período analisado.
Situação da chikungunya e do zika vírus
Além da dengue, Três Lagoas confirmou nove casos de chikungunya em 2026. Até a divulgação do boletim, não houve registro confirmado de zika vírus no município. As três doenças são transmitidas predominantemente pelo Aedes aegypti, vetor que se prolifera em ambientes com água parada, o que torna as medidas de prevenção semelhantes entre elas.
Orientações de prevenção e controle
A Secretaria Municipal de Saúde reforça que o combate ao mosquito é a principal estratégia para reduzir a transmissão. Entre as recomendações destacadas estão:
- Eliminar recipientes que possam acumular água, como vasos, pneus e garrafas;
- Manter caixas-d’água, tonéis e tambores devidamente vedados;
- Limpar calhas e ralos com frequência para evitar o acúmulo de detritos;
- Descarte adequado de lixo doméstico, impedindo o armazenamento de materiais expostos à chuva;
- Manter quintais limpos e livres de objetos que favoreçam a criação do vetor.
O órgão municipal também orienta a população a procurar a unidade de saúde mais próxima ao apresentar sintomas compatíveis com dengue ou chikungunya, como febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares intensas, cansaço, manchas avermelhadas na pele e dores articulares. O diagnóstico precoce possibilita tratamento adequado, reduz complicações e contribui para a notificação imediata, essencial para o acompanhamento da evolução epidemiológica da cidade.
Panorama sem óbitos e importância da vigilância
A ausência de mortes por dengue até a semana epidemiológica 16 confirma, por enquanto, a efetividade das ações de vigilância e assistência oferecidas no município. Entretanto, o crescimento recente das suspeitas e a confirmação de casos do sorotipo DENV-3 ressaltam a necessidade de manutenção das práticas preventivas e da participação ativa da população.
A Secretaria Municipal de Saúde segue monitorando os indicadores, atualizando semanalmente os boletins e orientando profissionais de saúde sobre protocolos de atendimento, notificação e classificação de risco. Agentes de endemias realizam vistorias domiciliares, verificam possíveis focos do Aedes aegypti e promovem ações educativas em escolas, unidades de saúde e espaços públicos.
O município mantém aberto canal de atendimento para denúncias de locais com acúmulo de água ou presença de criadouros. A população pode relatar irregularidades pelo telefone da Vigilância em Saúde ou por meio de aplicativo disponibilizado pela prefeitura. As informações coletadas orientam ações de bloqueio e fiscalização em áreas com maior incidência de notificações.
Com a chegada do período de estiagem, a Secretaria de Saúde ressalta que o risco de proliferação do vetor não desaparece e que recipientes internos nas residências continuam sendo os principais pontos de desenvolvimento das larvas. Por isso, o órgão municipal mantém campanhas de conscientização, distribuindo material informativo e reforçando visitas periódicas para conter a propagação do mosquito e evitar a expansão dos casos de dengue e chikungunya ao longo do ano.








