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Discussão entre famílias termina em disparos e prisão no bairro Vila Haro, em Três Lagoas

A noite de sexta-feira (2) terminou com a prisão de um morador do bairro Vila Haro, em Três Lagoas (MS), após a realização de disparos de arma de fogo durante um conflito entre vizinhos. A ação da Força Tática da Polícia Militar ocorreu depois de uma sequência de desentendimentos que começou com uma discussão entre dois adolescentes e evoluiu para um confronto envolvendo seus pais.

De acordo com as informações apuradas pelos policiais no local, os adolescentes, filhos das famílias vizinhas, entraram em um conflito inicial cuja motivação não foi divulgada. Pouco depois, os responsáveis pelos jovens foram chamados ao local e passaram a discutir de maneira cada vez mais acalorada. Testemunhas relataram à equipe policial que a troca de acusações ganhou intensidade a ponto de atrair a atenção de outros moradores da região.

No auge da confusão, o pai de uma das adolescentes sacou uma arma de fogo artesanal, conhecida popularmente como trabuco, e efetuou dois disparos para o alto. Segundo o próprio autor, a intenção seria “apartar as mulheres” que se encontravam envolvidas na discussão, mas nenhum dos presentes ficou ferido. Apesar de não ter atingido ninguém, o ato gerou pânico entre os vizinhos e fez com que alguns residentes chamassem imediatamente a Polícia Militar.

A Força Tática chegou poucos minutos depois dos disparos, encontrando as partes ainda exaltadas e trocando recriminações. Os militares realizaram a revista inicial, confirmaram a presença da arma artesanal e constataram que o autor dos tiros não possuía autorização para porte ou posse do artefato. Diante da situação, o homem foi detido em flagrante por disparo de arma de fogo em via pública e por porte ilegal.

Além do proprietário do trabuco, os policiais também conduziram à delegacia a esposa dele e a mãe do segundo adolescente envolvido, devido ao envolvimento direto na briga e à necessidade de prestar depoimento. O trio foi encaminhado para a unidade policial de plantão em Três Lagoas, onde passou por registro de ocorrência e foi ouvido pela autoridade responsável. A arma foi apreendida e encaminhada para perícia.

Segundo o relato inicial, nenhum dos participantes do confronto apresentou ferimentos, e não houve necessidade de atendimento médico. Ainda assim, os militares adotaram os procedimentos padrões em eventos que envolvem disparos de arma de fogo, recolhendo cápsulas deflagradas e ouvindo testemunhas no local para esclarecer a dinâmica do conflito.

A legislação brasileira prevê punições para disparo de arma em local habitado ou em via pública, mesmo que não haja vítimas. O crime é classificado como de perigo comum e pode resultar em pena de reclusão. No caso específico, a utilização de uma arma de fabricação artesanal agrava a situação, pois reforça o caráter ilegal do armamento.

Após a elaboração do boletim de ocorrência, a Polícia Militar encaminhou as partes envolvidas para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) da cidade. Lá, o homem permaneceu à disposição da autoridade policial para as providências cabíveis, enquanto as mulheres foram liberadas após prestarem esclarecimentos. O desdobramento do caso, incluindo eventual arbitramento de fiança ou instauração de inquérito, deverá ocorrer nos próximos dias, conforme previsto no Código de Processo Penal.

Moradores do entorno relataram que o bairro costuma ser tranquilo, mas reclamaram do susto provocado pelos tiros. A Polícia Militar reforçou que denúncias sobre uso irregular de armas devem ser feitas imediatamente pelo telefone 190, para que equipes sejam acionadas e possam conter possíveis ameaças à segurança dos cidadãos.

Com o encerramento da ocorrência, a arma artesanal permanece apreendida e as autoridades policiais irão analisar se houve outras infrações, como posse irregular ou fabricação de armamento sem autorização. Enquanto isso, o caso segue sob investigação para esclarecer os motivos que levaram o conflito entre os adolescentes a evoluir para um episódio de violência e para definir eventuais responsabilidades penais dos envolvidos.