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Ministério da Saúde apresenta nova versão da Caderneta da Pessoa Idosa com índice de vulnerabilidade e foco em saúde mental

Brasília — O Ministério da Saúde divulgou nesta sexta-feira (2) a versão revisada da Caderneta da Pessoa Idosa, instrumento de acompanhamento clínico destinado a mais de 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais. O documento passou por ampla reformulação para ampliar o registro de informações e facilitar o acesso de profissionais e usuários a dados relevantes sobre o envelhecimento.

A nova edição incorpora tópicos sobre saúde mental, prevenção à violência, cuidados paliativos e seguridade social, temas que não estavam contemplados de forma detalhada na versão anterior. Com essas adições, a pasta pretende fortalecer o cuidado integral e reforçar a detecção precoce de situações de risco que afetam parte significativa da população idosa.

A caderneta já pode ser consultada em formato digital no site do Ministério da Saúde. Além disso, uma versão impressa será distribuída gradualmente às unidades de saúde de todo o país. O cronograma da pasta prevê que, a partir de 2026, o material digital também esteja disponível no aplicativo Meu SUS Digital, o que permitirá acesso direto via dispositivos móveis.

Entre as principais novidades, destaca-se o Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional. A ferramenta viabiliza a avaliação sistemática de fragilidade, mobilidade, cognição e apoio social, possibilitando aos profissionais identificar prioridades de atendimento e elaborar planos de cuidado personalizados. Segundo o ministério, o uso do índice deverá agilizar encaminhamentos, otimizar recursos e orientar políticas públicas focadas nas necessidades específicas de cada perfil de idoso.

A acessibilidade também foi aprimorada. A publicação passa a usar tipografia maior, espaçamento ampliado e contrastes mais claros, facilitando a leitura por pessoas com perda visual ou outras limitações. Ilustrações foram acrescentadas para orientar sobre exercícios, alimentação e uso de medicamentos. O material traz ainda QR Codes que direcionam a conteúdos educativos, vídeos e guias práticos, permitindo atualização constante sem necessidade de reimpressão.

Na parte clínica, a caderneta mantém o registro de consultas, vacinas, resultados de exames e lista de medicamentos em uso. Contudo, esses campos foram reorganizados para oferecer visão histórica contínua da trajetória de saúde do idoso, favorecendo a integração entre diferentes serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é reduzir duplicidade de procedimentos, melhorar a continuidade do tratamento e subsidiar decisões baseadas em evidências.

O documento reserva seção específica para os direitos da pessoa idosa, detalhando garantias relacionadas a alimentação adequada, acesso a serviços públicos, transporte, lazer e proteção contra negligência ou agressão. Ao explicitar esses pontos, o ministério busca incentivar familiares, cuidadores e os próprios idosos a reconhecerem e reivindicarem o suporte previsto em lei.

A pasta informa que a elaboração da nova edição considerou a diversidade cultural, social e econômica do público-alvo. O processo contou com revisão técnica de especialistas em geriatria, saúde mental, assistência social e políticas de proteção. A meta foi produzir conteúdo que reflita múltiplas realidades, respeitando particularidades regionais e promovendo linguagem simples e inclusiva.

A distribuição física ocorrerá em etapas. As Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde receberão remessas para repasse às Unidades Básicas de Saúde, Centros de Atenção Psicossocial e demais pontos de atendimento ao idoso. Paralelamente, equipes de saúde da família receberão orientações sobre o preenchimento dos novos campos e o uso do Índice de Vulnerabilidade Clínico-Funcional.

Com a atualização, o ministério reforça a estratégia de qualificar o cuidado primário destinado à terceira idade. A expectativa oficial é que o instrumento modernizado facilite a coleta de dados clínicos, aprimore o monitoramento de indicadores de saúde e fortaleça programas de prevenção, especialmente nos temas violência intrafamiliar, depressão, ansiedade e limitações funcionais.

A Caderneta da Pessoa Idosa integra a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa e serve como documento de referência para o acompanhamento longitudinal da população acima de 60 anos. A versão revisada permanecerá disponível para download gratuito e poderá ser impressa por usuários que desejarem manter cópia pessoal.

Com essa iniciativa, o Ministério da Saúde busca garantir atendimento mais oportuno, inclusivo e alinhado às diretrizes de envelhecimento saudável definidas pela Organização Mundial da Saúde. A expectativa é que a adoção do novo modelo estimule maior participação dos idosos em decisões sobre sua própria saúde e fortaleça a articulação entre profissionais, familiares e rede de proteção social.