Search

Férias escolares: orientações de pediatras para prevenir acidentes com crianças

O período de férias escolares, que costuma se estender de meados de dezembro a fevereiro, altera a rotina das famílias e aumenta o tempo livre das crianças. A combinação de novas atividades, deslocamentos frequentes e redução da supervisão direta exige atenção redobrada dos responsáveis para evitar acidentes domésticos ou em ambientes externos, alertam pediatras do Hospital Santa Catarina.

Ambientes seguros

A primeira recomendação é avaliar as condições de segurança dos locais escolhidos para as brincadeiras. Em parquinhos, clubes ou hotéis, é fundamental verificar conservação de brinquedos, existência de pisos que absorvam impacto, redes de proteção em janelas e barreiras físicas que impeçam o acesso desassistido a piscinas. Essas checagens devem anteceder a utilização dos espaços e ser repetidas sempre que houver indícios de desgaste ou mudança de estrutura.

Riscos para crianças de até três anos

Nesse grupo etário, a maior parte dos acidentes ocorre dentro de casa. Quedas de sofás, camas ou degraus respondem por boa parte dos atendimentos de urgência. Ao viajar e hospedar-se em imóveis sem berços adequados, a orientação é improvisar cercas laterais ou optar por colchões no chão. Outros perigos frequentes são queimaduras, geralmente resultantes de panelas ou recipientes quentes deixados ao alcance das mãos, e intoxicações por produtos de limpeza armazenados em armários baixos. Manter detergentes, solventes e medicamentos em prateleiras altas ou trancados é medida simples que reduz o risco de ingestão acidental.

Prevenção de quedas em crianças maiores

A partir dos quatro anos, aumentam as ocorrências relacionadas a atividades sobre rodas, como bicicletas, skates e patins. O uso de capacete, joelheiras e cotoveleiras adequados ao tamanho da criança deve ser regra, sempre com acompanhamento de um adulto. Superfícies lisas, longe de tráfego de veículos, são as mais indicadas para essas práticas. Em residências alugadas para temporada, é importante inspecionar brinquedos que eventualmente fiquem disponíveis, descartando itens quebrados ou com peças pequenas capazes de provocar engasgo.

Perigo de afogamento

Piscinas, rios e praias representam risco permanente. Especialistas recomendam o cercamento completo de piscinas e o uso de travas que impeçam a abertura por crianças. Coletes salva-vidas são indicados para quem não domina a natação, inclusive em águas rasas. Na praia, responsáveis devem observar as orientações de guarda-vidas sobre correntezas e pontos de retorno, mantendo os pequenos sempre ao alcance dos olhos.

Vigilância constante

Os pediatras lembram que acidentes acontecem em poucos segundos. Por isso, celulares e conversas paralelas não devem desviar a atenção do adulto, principalmente em locais com grande circulação de pessoas. Roupas de cores vivas ajudam na identificação rápida da criança em multidões ou na água. Tons pastéis se confundem com o ambiente e dificultam o monitoramento visual à distância.

Diálogo e educação preventiva

Para crianças em idade escolar, o diálogo sobre situações de risco é ferramenta essencial. Antes de passeios a shoppings ou parques, recomenda-se explicar o procedimento caso a criança se distancie dos responsáveis: procurar um funcionário uniformizado ou outro adulto acompanhado de filhos, relatar o ocorrido e aguardar em ponto fixo. Esse treinamento deve incluir memorização de telefones de emergência e reconhecimento de sinais de perigo, como áreas isoladas por fitas ou placas de advertência.

Exemplo dos adultos

Cumprir regras de trânsito, respeitar faixas de pedestres e utilizar cintos de segurança dentro do veículo reforça comportamentos seguros. Na praia, a obediência às bandeiras indicativas de condições do mar demonstra na prática a importância de seguir orientações oficiais. Ao perceber incoerência entre o discurso e a atitude do adulto, a criança tende a imitar o comportamento menos seguro.

Orientações geográficas

Em locais amplos, como parques e calçadões, apontar previamente pontos de referência — quiosques, torres de salva-vidas ou estátuas — facilita a localização. A criança deve saber que não pode ultrapassar determinados limites físicos, como o fim do deque ou a faixa de guarda-sol determinada pela família.

Resumo das recomendações

— Avaliar condições de segurança de parquinhos, clubes e residências alugadas.
— Manter produtos tóxicos fora do alcance e instalar barreiras contra quedas.
— Utilizar equipamentos de proteção em atividades sobre rodas.
— Cercar piscinas e supervisionar o tempo todo em áreas com água.
— Vestir as crianças com cores chamativas em locais movimentados.
— Dialogar sobre riscos, ensinar procedimentos de emergência e dar o exemplo.

Com planejamento prévio e vigilância constante, é possível reduzir significativamente a incidência de quedas, queimaduras, intoxicações e afogamentos durante as férias escolares, garantindo um período de lazer mais seguro para toda a família.