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Falha elétrica danifica bombas e reduz abastecimento de água em Corumbá

Uma interrupção no fornecimento de energia, registrada por volta de 1h17 da madrugada desta quarta-feira, comprometeu o sistema de captação da Companhia de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul) e deixou Corumbá, no oeste do estado, com abastecimento reduzido. Oscilações e quedas na rede elétrica provocaram danos em motores instalados às margens do rio Paraguai, responsáveis por bombear a água que abastece toda a cidade.

De acordo com a concessionária, o restabelecimento parcial da energia ocorreu poucas horas depois do incidente. Entretanto, os equipamentos avariados impediram a retomada imediata da produção em ritmo normal. As bombas afetadas são de grande porte e integram o conjunto que envia a água bruta à estação de tratamento antes da distribuição à população.

Com a capacidade de bombeamento comprometida, a Sanesul opera de forma limitada, gerando baixa pressão, intermitência e falta de água em diversos bairros. Os efeitos são mais severos em regiões afastadas do centro e em pontos com topografia elevada, onde a pressão na rede já costuma ser menor. Residências, comércios e serviços públicos sentem impactos ao longo do dia, com relatos de torneiras secas e reservatórios domiciliares sem reposição.

Equipes técnicas da companhia trabalham na substituição dos motores danificados e na reconfiguração do sistema de captação. O processo exige tempo porque envolve a retirada de conjuntos pesados, reparos na fiação elétrica e ajustes de automação que controlam o acionamento das bombas. A previsão é de que o fornecimento seja restabelecido gradualmente, mas ainda não foi divulgada uma data para normalização completa.

O episódio evidencia a vulnerabilidade do sistema de abastecimento quando ocorre falha de energia. Em Corumbá, a captação no rio Paraguai depende de bombeamento contínuo; qualquer interrupção elétrica afeta instantaneamente o envio de água para tratamento. Casos semelhantes já foram registrados anteriormente, e a repetição do problema reacende discussões sobre investimentos em proteção, redundância energética e modernização dos equipamentos.

Moradores vêm sendo orientados a adotar consumo racional até que a produção volte ao patamar habitual. A Sanesul recomenda priorizar atividades essenciais, evitar lavagem de calçadas e veículos, adiar usos que demandem grande volume de água e verificar reservatórios domésticos para reduzir desperdícios. O atendimento ao consumidor permanece ativo pelo telefone 0800 067 6010 para esclarecimentos e registro de ocorrências.

A concessionária também monitora o comportamento da rede elétrica em parceria com a distribuidora de energia. O objetivo é identificar a causa exata das oscilações que antecederam a queda registrada às 1h17. Relatórios técnicos devem apontar se houve sobrecarga, falha em equipamentos de transmissão ou fatores externos, como condições climáticas, que possam ter desencadeado a interrupção.

Enquanto o diagnóstico eletromecânico avança, a empresa reforça que a maioria dos bairros pode experimentar retorno gradual da água em horários distintos. Áreas atendidas por reservatórios elevados tendem a receber o produto primeiro, pois dependem menos da pressão direta das bombas. Já localidades em extremidades da malha de distribuição podem enfrentar maior demora até que os níveis nos reservatórios se estabilizem.

Em nota, a Sanesul informou que novos equipamentos de proteção elétrica estão sendo avaliados para reduzir riscos futuros. Entre as soluções previstas estão sistemas de alimentação ininterrupta, dispositivos de religação automática e sensores de tensão que alertem com antecedência sobre oscilações na rede. A companhia não detalhou valores ou prazos, mas ressaltou que esses investimentos serão incluídos no planejamento de curto e médio prazos.

O poder público municipal acompanha a situação e mantém contato direto com a concessionária para definir ações emergenciais caso a escassez persista. Até o momento, não foi necessário recorrer a distribuição de água por caminhões-pipa, mas essa alternativa está mapeada para atendimento a unidades de saúde e escolas em eventual prolongamento do desabastecimento.

Corumbá, com população superior a 100 mil habitantes, possui sistema de captação integralmente vinculado ao rio Paraguai, uma das principais vias navegáveis da América do Sul. A dependência de energia elétrica para movimentar bombas submersas reforça a importância de planos de contingência, sobretudo em períodos de alta demanda. A situação atual evidencia, mais uma vez, a necessidade de soluções estruturais para garantir regularidade no fornecimento de água à cidade.