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Falta de trabalhadores e demanda por moradias impõem desafios à economia de Três Lagoas até 2026

A rápida expansão industrial verificada em Três Lagoas e em municípios vizinhos reduziu o desemprego a níveis mínimos e transformou a escassez de mão de obra no principal obstáculo previsto para 2026. Representantes do setor produtivo, entidades de trabalhadores e governo estadual alertam que a disputa por profissionais qualificados, somada à pressão sobre a infraestrutura urbana, pode limitar o ritmo de crescimento da região.

A carência atinge diversos segmentos da economia local. Comércio, construção civil, indústrias de papel e celulose e a cadeia florestal relatam dificuldade constante para preencher vagas. O cenário de pleno emprego eleva salários, gera competição entre empresas e, ao mesmo tempo, cria oportunidades para quem busca o primeiro posto de trabalho ou retorna ao mercado.

De acordo com Eurides Silveira de Freitas, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio, a escassez ocorre de maneira generalizada. Segundo ele, até segmentos tradicionalmente atrativos, como as fábricas de celulose, enfrentam obstáculos para reforçar seus quadros, fator que amplia a procura por trabalhadores em lojas, serviços e empreendimentos de menor porte.

O dirigente considera o momento favorável para candidatos sem experiência, já que o número de vagas supera o de interessados. Ainda assim, ressalta que a rotatividade elevada exige ações de capacitação para garantir permanência e produtividade. O sindicato acompanha negociações salariais pressionadas pela concorrência entre empresas, que buscam reter funcionários.

No setor florestal, responsável pelo fornecimento de matéria-prima às indústrias de celulose instaladas na região, a preocupação é dupla. Benedito Mário, diretor-executivo da Reflore MS, avalia que a falta de profissionais qualificados anda lado a lado com a necessidade de reforçar a infraestrutura logística. O executivo cita a importância de rodovias em bom estado, duplicações, reativação da ferrovia, ampliação de portos e programas contínuos de formação para atender à demanda no campo e nas fábricas.

Segundo Mário, colheita, transporte e processamento de madeira exigem equipes especializadas em operações mecanizadas e gerenciamento de florestas plantadas. Sem trabalhadores treinados e sem corredores de escoamento eficientes, afirma, o avanço do setor pode perder fôlego nos próximos anos.

Além da mão de obra, a expansão econômica pressiona serviços urbanos, sobretudo o mercado imobiliário. O governador Eduardo Riedel reconheceu, em agendas recentes, que o salto industrial de Três Lagoas elevou os preços dos imóveis e provocou déficit de moradias. Para conter o desequilíbrio, o governo estadual intensifica programas habitacionais com apoio da bancada federal.

Entre as iniciativas em curso está o Bônus Moradia, benefício que subsidia a entrada no financiamento habitacional e facilita o acesso de famílias de baixa renda à casa própria. De acordo com a administração estadual, o programa resultou em milhares de contratos e deve ganhar novas etapas para atender à fila de interessados em municípios de crescimento acelerado.

Paralelamente, a Secretaria de Habitação articula projetos para construir conjuntos residenciais em Três Lagoas e em outras cidades que registram expansão industrial semelhante. O objetivo é ampliar a oferta de unidades, reduzir pressões sobre aluguel e frear a valorização rápida dos terrenos, apontada como um dos fatores que encarecem a contratação de trabalhadores de fora do município.

Para 2026, líderes empresariais e autoridades destacam que equilibrar oferta de mão de obra, capacitação profissional e melhoria da logística será fundamental para sustentar a trajetória de investimentos. A execução de obras viárias, a possível reativação da malha ferroviária e a continuidade dos programas de habitação são consideradas ações prioritárias para assegurar competitividade às indústrias e qualidade de vida à população local.